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    Manicoré, a 'Terra da Melancia', comemora 140 anos nesta terça-feira

    O nome do município possui origem indígena e é derivado de “anicoré”, nome de uma das etnias que habitava a região

    A Festa da Melancia é uma das celebrações mais conhecidas do município
    A Festa da Melancia é uma das celebrações mais conhecidas do município | Foto: Divulgação

    Manicoré — Nesta terça-feira (15), o município de Manicoré completa 140 anos de existência. Localizada a 390 km da capital amazonense, a cidade é conhecida como a "Terra da Melancia”. O nome Manicoré vem do rio de mesmo nome, afluente do rio Madeira. A palavra possui origem indígena e é derivada de “anicoré”, nome de uma das etnias que habitava a região.

    O município de Manicoré faz parte da mesorregião do Sul do Amazonas e está situado entre Manaus e Porto Velho, capital rondoniense. De acordo com censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016, a população manicoreense é de cerca de 53.890 habitantes, colocando Manicoré como o nono município mais populoso do Amazonas.

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    Vista aérea da orla de Manicoré
    Vista aérea da orla de Manicoré | Foto: Divulgação

    A história de fundação do município de Manicoré começa no ano de 1637, quando a expedição do explorador e militar português Pedro Teixeira chegou na região do Sul do Amazonas e se instalou às margens do rio Madeira. Na época, o Brasil era América Portuguesa e, em vez de estados, funcionavam capitanias. A capitania do Grão-Pará, correspondente ao estado do Pará e Amazonas, enviou uma escolta em 1716 para a região do rio Madeira com o objetivo de "punir" os indígenas que ali habitavam. A escolta era comandada pelo capitão João de Barros e Guerra.

    Sob ordens do governador da capitania do Grão-Pará, foi fundada a povoação de Crato com o objetivo de facilitar as transações comerciais entre as capitanias adjacentes. Em 1802, a povoação de Crato foi transferida para um sítio localizado entre os rios Baetas e Arraias. Cerca de 54 anos depois, a povoação passou a ser freguesia de São João Batista do Crato através de um decreto de lei nº 96.

    Ao longo dos anos, a freguesia passou a ser povoado de Manicoré, depois Nossa Senhora das Dores de Manicoré e Vila de Manicoré. Foi somente no ano de 1877 que Manicoré tornou-se sede da Comarca do Rio Madeira, o que movimentou a região com intenso fluxo de nordestinos fugindo da grande seca que assolava a região.

    Manicoré tem relação extrema com o ciclo da borracha na Amazônia
    Manicoré tem relação extrema com o ciclo da borracha na Amazônia | Foto: Reprodução

    A borracha e os nordestinos

    De acordo com a historiadora manicoreense Madalena Nascimento, o Ciclo da Borracha foi de extrema importância para a formação de Manicoré. “Era uma região que possuía grande extensão de seringais, então foi isso que atraiu muitas pessoas a virem morar na região”, explica ela. “Havia fluxo de portugueses que buscavam as chamadas ‘drogas do sertão’, mas ficavam temporariamente nessa área”.

    A historiadora ainda cita o personagem paraense Manoel Pereira de Sá como peça fundamental na história do município. “Ele era um tenente-coronel da Guarda Nacional e conheceu a região do rio Madeira anteriormente durante a Guerra do Paraguai. Ele acabou sendo a pessoa que articulou todo o processo de emancipação de Manicoré”, conta Madalena.

    Poucos amazonenses sabem, mas o município de Manicoré foi responsável pela formação de Novo Aripuanã, cidade vizinha. Em 1955, através da lei nº 96, uma parte do território manicoreense foi desmembrado para formar o novo município, que recebeu emancipação política. Novo Aripuanã foi fundado em 19 de dezembro de 1955 e completa 63 anos neste ano.

    A palavra possui origem indígena e é derivada de “anicoré”, nome de uma das etnias que costumava habitar a região
    A palavra possui origem indígena e é derivada de “anicoré”, nome de uma das etnias que costumava habitar a região | Foto: Divulgação

    A aposentada Maria Jaqueline Ferreira, de 73 anos, possuía apenas 10 anos de idade quando saiu de Manicoré, mas lembra muito bem de como era a vida na cidade naquela época. “Até hoje sinto uma boa saudade da minha terra, como era pacata, boa de morar e com gente simples”, lembra a manicoreense.

    Das memórias mais marcantes, ela cita os festejos típicos da cidade, como a Festa de Nossa Senhora das Graças, em maio, e de Nossa Senhora das Dores, em setembro. “O pessoal da cidade fazia um arraial muito bonito, muita gente de fora ia para prestigiar”, lembra a aposentada. "Aos domingos, a gente costumava ir para a praça em frente à prefeitura, jogar conversa fora e ver um sanfoneiro tocando”.

    Pesca esportiva de tucunaré em Manicoré
    Pesca esportiva de tucunaré em Manicoré | Foto: Reprodução

    Turismo em alta na região

    Atualmente, Manicoré é conhecido por seus atrativos turísticos, como os Balneários de Atininga, Banho da Marta e do Gatão, todos próximos à cidade e de fácil acesso. A cidade também é conhecida pela Festa da Melancia, que ocorre sempre no fim de setembro. Além de turistas nessa época, muitos visitam o município ao longo do ano com o objetivo de praticar a pesca esportiva na região, experimentando a modalidade nos rios Manicoré e Atininga.

    Municipio de Manicoré - Infográfico Municipio de Manicoré - Infográfico Municipio de Manicoré - Infográfico Municipio de Manicoré - Infográfico Municipio de Manicoré - Infográfico Municipio de Manicoré - Infográfico

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