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    Interrogatório


    Réus da Operação Maus Caminhos começam a ser ouvidos nesta terça

    A primeira interrogada afirma ter participado do esquema por medo de ser assassinada

    Por exceder o tempo na audiência de hoje, Mouhamad e Priscila devem ser ouvidos na próxima sexta (17)
    Por exceder o tempo na audiência de hoje, Mouhamad e Priscila devem ser ouvidos na próxima sexta (17) | Foto: Roger Lima

    Na manhã desta terça-feira (14), ocorreu a primeira parte da audiência de interrogatório dos réus no principal processo da Operação Maus Caminhos, que investiga esquema responsável pelo desvio de R$ 110 milhões de verbas de saúde do estado do Amazonas.

    A primeira interrogada foi a enfermeira Jennifer Nayiara Yochabel Rufino Corrêa da Silva, que fechou um acordo de delação premiada. Os réus Alessandro Viriato Pacheco, Priscila Marcolino Coutinho e o suposto líder da organização Mouhamad Moustafa deveriam ser ouvidos ao longo do dia, porém o interrogatório foi transferido para a próxima sexta-feira (17).

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    Jennifer foi diretora do Instituto Novos Caminhos, pertencente ao médico e empresário Mouhamad. Durante a audiência, ela explicou como ele realizava os desvios de verbas, além de dar detalhes acerca de bens pessoas adquiridos pelo suposto líder da organização.

    Entre os bens citados, Jennifer mencionou uma casa em um condomínio luxuoso na av. Efigênio Sales no valor de R$ 3 mi, uma cobertura de luxo em Brasília no valor de R$ 7 mi, além de um jato particular e um helicóptero. Segundo ela, Mouhamad não viaja utilizando linhas aéreas comerciais desde 2015.

    A ex-diretora do instituto citou ainda viagens nacionais realizadas pelo empresário, carros importados para amantes e compras de ações de uma rádio nacional e um festival de música.

    A empresa de Mouhamad nunca participou de processos de licitações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), afirmou Jennifer. "Ele tinha acesso a todos os setores da Susam, inclusive diretamente com o secretário de saúde da época", disse. "Nas reuniões ele deixava claro que a empresa já havia ganhado o processo licitatório, pois já havia falado com o primo dele".

    Defesa

    A enfermeira Jennifer afirmou que só descobriu que havia algo errado nas licitações após o início de investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) no Instituto. "Até então eu só desconfiava de que algo poderia estar errado, mas eu acreditava totalmente no Mouhamad, que era um médico conhecido e respeitado no estado", disse.

    Quando questionada sobre o porquê de não sair do esquema ao descobri-lo, Jennifer afirmou que continuou na organização por medo de sofrer represália. "Ele deixava claro que quem mandava era ele, as reuniões eram sempre com vários policiais e com uma arma em cima da mesa", disse. "Eu tinha medo do que pudesse acontecer comigo ou com a minha família".

    O médico e empresário Mouhamad Moustafa chegou na audiência acompanhado de policiais militares
    O médico e empresário Mouhamad Moustafa chegou na audiência acompanhado de policiais militares | Foto: Roger Lima

    Jennifer afirma ainda que chegou a receber recados do médico quando estava presa. Segundo ela, dois policias realizaram uma visita a sua cela para dizer que Mouhamad pagaria os honorários dos advogados e que logo estaria livre. "O que eu não consigo entender é como uma pessoa dessa consegue ter tanto poder a ponto de mandar recado através de policial dentro de uma cadeia", disse em meio a lágrimas.

    Desdobramento

    No dia de hoje, também será ouvido Alessandro Viriato, sócio na empresa Amazônia Serviços e Comércios. Por exceder o tempo na audiência de hoje, Mouhamad e Priscila devem ser ouvidos na próxima sexta-feira (17).

    Operação Maus Caminhos

    As investigações da Polícia Federal apontaram que o Instituto Novos Caminhos (INC) concentrava repasses vultosos feitos pelo Fundo Estadual de Saúde do Estado do Amazonas. De abril de 2014 a dezembro de 2015 foram repassados ao INC mais de R$ 276 milhões. Em análise feita pela CGU foi constatado que o INC recebeu R$ 153 milhões a mais para a gestão de 165 leitos de baixa complexidade que o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto aplicou para a gestão de 378 leitos de alta complexidade.

    A partir de então, foi identificada uma série de fraudes nos contratos de serviços de saúde, que ocorriam pela contratação de empresas comandadas direta ou indiretamente pelo médico e chefe da organização investigada, Mouhamad Mostafa, sócio-administrador da Salvare Serviços Médicos Ltda e da Sociedade Integrada Médica do Amazonas Ltda (Simea).

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