Fonte: OpenWeather

    impunidade


    Família ainda tem esperanças de encontrar filha sequestrada há 15 anos

    Casos similares são comuns no município de Parintins. Veja como a menina estaria nos dias de hoje

    A família suspeita de uma rede de tráfico infantil na cidade. | Foto: Arquivo Pessoal

    Parintins - Na sexta-feira comum, duas crianças voltam para casa depois do dia de aula, um desconhecido com um triciclo oferece carona e a dúvida se a menina de oito anos um dia voltaria para casa. Este é o cenário do desaparecimento de Khatleynny Pinheiro e a família segue, depois de mais de uma década de buscas, aguardando uma resposta das autoridades para o caso.

    O caso aconteceu em Parintins (a 365 km de Manaus), em 2003, e repercutiu na mídia parintinense, deixando sentimento de revolta na comunidade. Após diversas manifestações, entrevistas públicas, salas de espera e formulários preenchidos, a saudade, diz a irmã mais velha de Khatllen - como era conhecida - , é a única que ainda bate à porta até hoje.

    “Sinto dor e tristeza quando lembro. Fiquei muito abalada. Queria saber se ela está bem, se come, se é bem cuidada. Quando acontece com a gente, não queremos aceitar que é verdade. Acredito que ela ainda possa estar viva”, confessa Keyfranny Pinheiro.

    Entenda o caso

    No dia 27 de março de 2003, Khatllen saiu em torno de 12h30 da casa onde morava, no bairro Santa Rita, para a Escola Presbiteriana, na época cursando a terceira série. Quando as aulas do dia acabaram, ela seguiu no caminho da escola com a amiga conhecida como Deidiane. Até o momento, o único depoimento prestado à polícia sobre o caso é o da amiga.

    Veja como Khatllen estaria hoje:

    A menina estaria com 23 anos atualmente e poderia se parecer assim, conforme retrato falado do laudo papiloscópico
    A menina estaria com 23 anos atualmente e poderia se parecer assim, conforme retrato falado do laudo papiloscópico | Foto: Arquivo Pessoal

    A irmã de Khatllen diz que as duas compraram dindin na venda em frente à escola e que, um homem branco e bem vestido apareceu em um triciclo e ofereceu carona às duas. “Ele disse que a mãe de Khatllen estava viajando e que ele poderia levar as duas amigas para casa. Elas aceitaram. A Deidiane morava no início da rua e o homem a deixou perto de casa. Depois disso, ele seguiu com a Khatllen e nunca mais a vimos”, lembra Keyfranny Pinheiro.

    Sozinhos em casa

    A irmã mais velha, na época com 13 anos, diz que estava responsável, pois sua mãe havia viajado com o esposo para o sítio da família. Keyfranny recorda de que estava com irmão, Christophilly, esperando a caçula chegar até as 17h, horário máximo em que ela costumava retornar, e que notou algo de errado quando as horas se avançaram.

    Leia também: Sucateamento e exonerações escancaram crise na perícia do Amazonas

    “Estranhei ela ter demorado para chegar em casa. Ela às vezes até chegava mais cedo, mas nunca passava do horário. Fui à escola para tentar achá-la, mas não encontrei ninguém. Depois, caminhei direto à casa do padrinho de Khatllen, porque ele sempre a recebia depois da aula, mas disse que não a tinha visto. Fui dormir achando que ela estava na casa de alguém e que no dia seguinte encontraria minha irmã sã e salva”, explica Keyfranny, hoje com 28 anos.

    Descaso e esquecimento

    Apesar do sequestrador aparentemente conhecer a família e saber que os pais estavam viajando, nenhum suspeito foi identificado pela Delegacia Interativa de Parintins.

    Mesmo com notícia da tragédia anunciada na imprensa e em organizações sociais espalhadas pela cidade, a mãe da menina, Cristiane Pinheiro, confirma que o caso foi esquecido pelas autoridades e relata uma história de vergonha e lágrimas.

    “Fui apontada como mentirosa e constrangida em público sobre o caso da minha filha. Cerca de 40 mães, como eu, sofrem com seus filhos desaparecidos até hoje sem qualquer solução do caso. Apesar de não ser encorajada pelo poder público, não desisto de fazer as buscas com os meus próprios recursos. Ainda quero uma resposta”, revela.

    A suspeita das famílias sobre os desaparecimentos é de que haja uma rede de tráfico humano na cidade, devido os casos de outras crianças e adolescentes sumidos. As investigações pessoais nunca chegaram a conclusões concretas.

    “Uma cidade pequena, de quase 100 mil habitantes, ter esse número de desaparecimentos é alarmante. Infelizmente, só uma andorinha não faz verão, como dizemos por aqui. Os casos simplesmente são abafados e os documentos, esquecidos”, denuncia Cristiane.

    Polícia

    O delegado titular da Delegacia Interativa de Parintins, Adilson da Cunha, disse que não tem ciência do caso por conta da distância grande do período em que aconteceu o fato. Uma busca em casos antigos que foram arquivados foi a promessa do delegado, enquanto não há um posicionamento oficial.

    Khatllen, supostamente viva, estaria hoje com 23 anos. Para contactar a família de Khatllen, os números são 99474-1522, 99490-1595.

    Edição: Lívia Nadjanara

    Leia mais

    Não passei no vestibular. E agora?

    Moradores denunciam descaso do poder público no Cacau Pirêra

    Explosão de botija de gás deixa um morto e dois feridos em Manaus