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    Traumas


    Em três meses, Amazonas bate recorde de esquartejamentos

    Polícia afirma que esse tipo de crime ocorre por conta de disputa de traficantes por território e dívidas relacionadas a compra de entorpecentes

    Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, dão conta de quatro mortes com esquartejamento em 2017. | Foto: Divulgação

    ManausDados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) revelam que quatro pessoas morreram e foram esquartejadas, em 2017. Nos primeiros meses deste ano, os criminosos já esquartejaram outras cinco pessoas no Amazonas. Os números tendem a aumentar devido a violência urbana.

    A SSP não soube informar qual a quantidade de homicídios por esquartejamento registrada neste ano. No entanto, em uma breve busca por esses tipos de casos na internet, a reportagem do Em Tempo encontrou cinco casos neste ano. Um em Nova Olinda do Norte, outro em Autazes, um terceiro na Colônia Japonesa, bairro Aleixo, o quarto no Monte das Oliveiras e o último caso no bairro Alvorada 3,

    A polícia informou que todos os casos estão sendo investigados pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestro e seguem em segredo de Justiça para não atrapalhar o andamento das investigações.

    A SSP não soube informar qual a quantidade de homicídios por esquartejamento registrada neste ano
    A SSP não soube informar qual a quantidade de homicídios por esquartejamento registrada neste ano | Foto: Divulgação


    Por que o criminoso opta por esquartejar?

    Questionada sobre a motivação para esse tipo de crime cruel, a polícia informa que o esquartejamento ocorre, geralmente, quando o autor tenta esconder o crime ou dar fim no corpo. É mais fácil cortar o corpo para colocar em malas e retirá-lo do local onde a pessoa foi morta.

    Segundo a psicologia, a vingança também é um "prato cheio" para o esquartejamento, isso porque a pessoa tenta desfigurar o máximo a sua vítima. O crime também é comum em casos que envolvem disputas de territórios entre traficantes e dívidas provenientes da comercialização de drogas.

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    Casos recentes

    Na última quinta-feira (8), fechando o saldo de quatro mortes em Nova Olinda do Norte, o suspeito de matar uma das vítimas, identificado como Felipe Daniel, foi encontrado, esquartejado dentro de duas malas, por volta das 5h. O corpo estava no km 4 da rodovia AM-254.

    Grávida

    Ana Cristina da Silva Costa, de 25 anos, foi encontrada morta e com o corpo esquartejado e jogado em sacos plásticos, no bairro da Alvorada I
    Ana Cristina da Silva Costa, de 25 anos, foi encontrada morta e com o corpo esquartejado e jogado em sacos plásticos, no bairro da Alvorada I | Foto: Divulgação

    Um desses crimes brutais, ocorreu no dia 14 de janeiro deste ano, quando a jovem Ana Cristina da Silva Costa, de 25 anos, foi encontrada com o corpo esquartejado e jogado em sacos plásticosno bairro da Alvorada I. A vítima estava com mais de cinco meses de gravidez.

    De acordo com a polícia, a jovem também teria passagem pela polícia após ter tentado entrar com drogas escondidas na vagina no Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM), em abril do ano passado.  

    O corpo do mecânico foi encontrado por moradores da rua Louro Tachi, dentro de sacos plástico, no Bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus.
    O corpo do mecânico foi encontrado por moradores da rua Louro Tachi, dentro de sacos plástico, no Bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus. | Foto: Reprodução/WhatsApp

    Mecânico

    Um outro caso que também ocorreu este ano, e chamou bastante a atenção da população, foi a morte do mecânico Francisco Farias de Souza, 49, ocorrida no dia 10 de fevereiro. Segundo a polícia, o corpo foi encontrado por moradores da rua Louro Tachidentro de sacos plástico, no Bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus.

    De acordo com familiares que fizeram o reconhecimento do corpo, o mecânico estava desaparecido há três dias. Para a família, a suspeita da motivação do crime ser proveniente de um envolvimento que Francisco tinha com uma ex-companheira de um traficante da área.

    Trauma psicológico para os familiares

    Para a especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, a psicóloga Karina Alecrim Bessa, que atua há mais de 6 anos na área, a morte é um evento natural, como nascer e crescer. Porém, quando há morte com requintes de crueldade, os familiares são afetados.

    "O medo da morte está presente em nossas vidas, desde a infância, quando vivenciamos as primeiras perdas. O evento morte já é, por si só, bastante assustador para o ser humano. Mas, a perda de um ente querido, por meio de ato de extrema violência, é algo bem mais pesado". disse.

    Segundo ela, as mortes violentas e repentinas acarretam inúmeras mudanças e prejuízos cognitivos e comportamentais para as famílias enlutadas.

    "É muito importante que essas famílias busquem ajuda psicológica. Um (a) psicólogo (a) vai acolher o sujeito, oferecer sua escuta e ajudá-lo, com técnicas específicas, nessa caminhada tão pesada que é vencer o luto".

    Consequências 

    Ninguém está preparado para perder alguém que amamos. A forma como essa perda acontece influencia diretamente no processo de elaboração do luto. "O luto é um processo decorrente da perda de um ente querido. Em perdas súbitas e violentas, como é o caso do esquartejamento, o processo de elaboração se torna mais complexo, pois temos o 'elemento surpresa'. Existem estudos que mostram que as pessoas que perdem um ente querido, seja de forma repentina ou violentamente, choram mais. Elas relatam que se sentem entorpecidas, enfrentam sentimentos de raiva, culpa, depressão e também mais problemas de saúde" relatou Karina.

    Onde buscar ajudar? 

    A psicóloga diz que procurar ajuda profissional sempre será o melhor caminho para vence os medos e depressões. 

    "Alguns estudos mostram que as pessoas que perdem entes queridos por eventos súbitos e violentos têm maior predisposição a desenvolver doenças como depressão e transtornos de ansiedade", afirmou a profissional. 

    "Por isso é  muito importante que, nesses casos, as pessoas busquem acompanhamento profissional. Um psicólogo vai acolher o sujeito e segurar em sua mão nessa caminhada, para que o luto possa ser vivido de maneira mais saudável."

    Caps

    Pessoas que passam por esse tipo de trauma de perda de um ente querido também podem procurar ajuda no Centro de Atenção Psicossocial Benjamim Matias Fernandes, localizado na Avenida Maneca Marques, 1916, bairro Parque 10, zona Sul.

    No local, é realizado um serviço especializado no atendimento de pessoas adultas com transtornos mentais graves e persistentes. O local recebe casos identificados em adultos com história de internação psiquiátrica, psicoses, esquizofrenia e outros sofrimentos psíquicos graves e crônicos, como depressão grave, ansiedade crônica, transtorno bipolar e de humor.

    A permanência de um mesmo paciente no acolhimento noturno fica limitada a 07 (sete) dias corridos ou 10 (dez) dias intercalados, em um período de 30 (trinta) dias. Outras informações sobre o atendimento podem ser obtidas por meio do número de telefone (92) 3214-9172.

    Edição: Bruna Souza

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