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    Imigração venezuelana


    Aeroporto de Manaus serve de moradia para Venezuelanos

    Com internet gratuita, água e segurança, imigrantes venezuelanos têm encontrado moradia nas dependências do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na Zona Oeste.

    Manaus -Com internet gratuita, água e segurança, imigrantes venezuelanos têm encontrado moradia nas dependências do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na Zona Oeste. A situação, que chama a atenção de quem embarca e desembarca no local, tem sido comum para os trabalhadores da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

    Embora, os venezuelanos estejam no aeroporto, diversos conterrâneos se encontram em abrigos municipais e estaduais. Até o final do ano passado, o Brasil reconheceu 10.145 refugiados de diversas nacionalidades, segundo a Polícia Federal. No entanto, de mais de 33 mil pedidos, 17.865 solicitações eram de venezuelanos.

    Um dos casos encontrados pela reportagem do Em Tempo é do autônomo Alfredo Yepez, 25. Ele está no saguão de desembarque do aeroporto, dormindo com um casal de amigos em cadeiras e realizando as necessidades de higiene nos banheiros públicos. “Tenho internet, segurança e água. A maior dificuldade é de conseguir tomar banho e alimentação, pois no aeroporto é muito caro. Estou aqui em Manaus porque é lastimável a situação em que o meu país se encontra”, disse Yepez.

    Venezuelano mora no Aeroporto Internacional de Manaus
    Venezuelano mora no Aeroporto Internacional de Manaus | Foto: Marcely Gomes

    O refugiado explicou que o seu itinerário mudou repentinamente após o destino final de sua viagem, que seria a capital paulista, não ser bem sucedido. “Saí de Barquisimeto fui para Boa Vista, vim de ônibus para Manaus e iria para São Paulo, mas uma amiga que prometeu a passagem de Manaus para São Paulo acabou não conseguindo cumprir com o prometido”, completou.

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    Desde que começou sua peregrinação, já foram mais de 2,5 mil quilômetros percorridos. Enfrentando chuva e sol forte, agora ele pretende seguir para Porto Velho, em Rondônia, de onde sairá em viagem em direção à Lima, no Peru.

    “Deixei família na Venezuela e não tenho trabalho ou moradia fixa, nesses lugares em que estou visitando. Como não consegui ir para São Paulo, estou partindo rumo ao Peru, graças a ajuda dos meus familiares e demais amigos”, finaliza.

    Saguão abriga brasileiros

    Além de refugiados venezuelanos, as dependências do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes também têm servido de moradia para brasileiros.

    Após receber uma missão dos céus, como ele mesmo diz, Wilter Henrique Rodrigues, 30, veio do interior do Estado de Goiás para Manaus, a fim de evangelizar jovens e adultos. “Vim apenas com essa missão. Sem dinheiro para nada, bati em alguns ministérios, mas não encontrei moradia em nenhum deles, e por isso voltei para o aeroporto. Agora, eu recebi uma ajuda e talvez eu consiga uma passagem de volta e retorne ainda hoje (ontem) para Brasília”, lamentou Wilter Rodrigues.

    Posicionamentos

    Por telefone, um servidor da sede da Infraero, em Brasília, informou que é proibida a retirada dessas pessoas do saguão do aeroporto, uma vez que se trata de local de livre acesso. “Não podemos retirar essas pessoas de lá. É uma área que serve de acesso para todos”, disse o servidor por telefone, que pediu para não ter o nome divulgado.

    Questionada sobre a questão da legalidade no Brasil, até o fechamento desta edição, a Polícia Federal ainda não havia enviado respostas sobre a situação do passaporte de Alfredo Yepez e o do casal de amigos dele.

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