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    Paralisação Geral


    750 mil usuários sem ônibus em Manaus e sindicatos ainda sem acordo

    Paralisação de 100% da frota do transporte coletivo de Manaus já dura quase 9 horas e o futuro do movimento ainda é incerto, mesmo com pressão da Prefeitura de Manaus

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    Manaus – Com mais de 9 horas de paralisação de 100% da frota do transporte coletivo de Manaus, nesta quinta-feira (31), ainda não houve um acordo entre os sindicatos dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM) e o das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), mesmo com ambos sob pressão do prefeito de Manaus, Arthur Neto, que já acionou a Procuradoria Geral do Município. 

    Até as 13h30 da tarde de hoje, vários membros do STTRM informaram ao Em Tempo que ainda não foram convidados pelo Sinetram para uma nova rodada de negociações.

    "A paralisação não tem hora para acabar hoje e estamos aguardando sermos convocados para uma nova reunião, tendo em vista que na última, ocorrida ontem [quarta-feira], não houve uma proposta que beneficiasse a classe dos rodoviários como buscamos", informou Demosthenes Iglesias, diretor do STTRM. 

    Ao todo, o transporte público de Manaus possuí 229 linhas de ônibus
    Ao todo, o transporte público de Manaus possuí 229 linhas de ônibus | Foto: Ione Moreno

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    Com o terceiro dia de paralisação, mais de 600 mil pessoas já foram prejudicadas, de acordo com o Sinetram. Atualmente as nove concessionárias que operam o transporte coletivo de Manaus transportam, em média, 750 mil passageiros em 229 linhas.

    Por determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto, os ônibus alternativos estão autorizados a seguirem viagem até o Centro, Zona Sul da cidade. Além disso, aProcuradoria Geral do Município (PGM) entrou com Ação Civil Pública contra ambos os sindicatos, conforme anunciado anteriormente.

    Terminal 3, na Cidade Nova, amanheceu deserto nesta quinta
    Terminal 3, na Cidade Nova, amanheceu deserto nesta quinta | Foto: Ione Moreno

    Equipes da Prefeitura montaram um planejamento estratégico para que os principais corredores viários sejam monitorados, por meio de rondas e postos fixos até as 22h. Equipes de fiscais e vistoriadores da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) também acompanham a movimentação nas ruas, terminais e garagens das empresas de ônibus, para evitar problemas e vandalismo nas vias.

    De acordo com o presidente do STTRM, Givancir Oliveira, a categoria está contando com a sensibilidade do poder municipal para que o Sinetram seja obrigado a negociar com os rodoviários, pois, segundo ele, o que foi feito até agora não pode ser chamado de negociação. 

    A última reunião entre os sindicatos ocorreu no fim da tarde de quarta (30)
    A última reunião entre os sindicatos ocorreu no fim da tarde de quarta (30) | Foto: Ione Moreno

    “Tivemos uma conversa com o Sinetram e chegamos até bem próximo de entrar em um acordo, mas percebemos que eles não querem negociar. Toda vez que fazemos uma proposta, ela não é aceita”, lamentou Oliveira.

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    Ainda de acordo com Givancir, a principal preocupação do STTRM é sobre as demissões que o Sinetram pretende realizar para contratar novos funcionários sob o novo regime trabalhista. “Eles querem demitir funcionários de carteira assinada para contratar horistas (pessoas que ganham por hora trabalhada), que receberiam um salário menor e não têm benefícios como FGTS, INSS ou carteira assinada”, informou.

    Givancir afirma que na empresa Via Verde, 300 funcionários seriam demitidos para que fossem contratados horistas no lugar dos trabalhadores, por isso, o sindicato tem tentado encontrar uma solução para o problema. “Eu abri mão de tudo para tentar resolver essa situação, mas os empresários não querem fazer um acordo que não prejudique o trabalhador”.

    Mais de 750 mil pessoas utilizam o transporte público em Manaus
    Mais de 750 mil pessoas utilizam o transporte público em Manaus | Foto: Ione Moreno

    Multas

    Sobre as multas que o Sindicato dos Rodoviários está sujeito devido a paralisação de toda a frota, Givancir diz que não se importa e que aguarda uma negociação no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11). “Só vamos negociar quando o Tribunal nos chamar e dessa vez queremos uma oportunidade de opinar e não ouvir as imposições do Sinetram”, afirmou. 

    O assessor jurídico do Sintram, Fernando Borges, afirma que o movimento é ilegal e só prejudica a população. "Mais uma vez a população foi penalizada com uma greve irregular. O Sinetram confia na Justiça e entende que o diálogo, envolvendo empregadores, empregados e a Prefeitura de Manaus, é o melhor caminho para o enfrentamento da questão, de forma a preservar o interesse público. Desde que se respeite a ordem judicial e o direito de ir e vir da população, estaremos abertos ao diálogo, pois a população não merece isso”, esclarece Borges.

    Na última terça-feira (29), a presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Eleonora de Souza Saunier, deferiu uma nova liminar e aumentou a multa de R$ 30 mil para R$ 200 mil por hora de paralisação. Em caso de descumprimento, Saunier pediu apoio das forças policiais para manter a ordem, o que ainda não ocorreu. 

    Edição: Isac Sharlon

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