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    Queda na cachoeira


    Desaparecimento de turista no Amazonas e o perigo das selfies

    Michelle Costa, de 30 anos, desapareceu no último domingo quando tentava tirar uma selfie numa cachoeira em Presidente Figueiredo, no Amazonas

    Nesta quarta-feira (11), a equipe da TV EM TEMPO esteve no município de Presidente Figueiredo, a 107 quilômetros de Manaus, para acompanhar o andamento das operações de busca pelo corpo da turista Michelle da Costa, de 30 anos, que caiu de uma das margens da Cachoeira do Santuário. Canal de vídeos do PORTAL E TV EM TEMPO - SBT Manaus Mais notícias 24h por dia em: http://www.emtempo.com.br | Autor: Em Tempo

    Manaus - O desaparecimento e possível morte da fluminense Michelle Costa, de 30 anos, na Cachoeira do Santuário, na cidade de Presidente Figueiredo, a 108 quilômetros de Manaus, Amazonas, no último domingo (8), têm levantado várias questões relativas ao risco a que as pessoas se submetem com as "selfies", em lugares perigosos.

    De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Michelle caiu de uma das margens da cachoeira ao tentar tirar uma selfie com a estátua existente na cascata. Ao escorregar nas pedras, caiu e desapareceu em uma das fendas na cachoeira. 

    Michelle caiu de uma altura de 13 metros. Corpo de Bombeiros acredita que o corpo da turista esteja em uma caverna na área da Cachoeira do Santuário
    Michelle caiu de uma altura de 13 metros. Corpo de Bombeiros acredita que o corpo da turista esteja em uma caverna na área da Cachoeira do Santuário | Foto: Divulgação

     Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), desde segunda-feira (9), está coordenando as operações em busca do corpo de Michelle, que caiu de uma altura de 12 metros, de acordo com a amiga que a acompanhava.

    O major Ricardo Rocha, do CBMAM, ressalta que os mergulhadores do Corpo de Bombeiros do Amazonas estão encontrando dificuldades no resgate do corpo, porque tem chovido muito por esses dias, o que causa uma forte correnteza nas águas que caem da cachoeira. O fato já interrompeu as buscas por diversas vezes. 

    Cachoeira do Santuário em Presidente Figueiredo
    Cachoeira do Santuário em Presidente Figueiredo | Foto: Márcio Azevedo

    "Se o mergulhador entrar na água em uma situação de correnteza, a água conduz o mergulhador para pontos completamente distantes. Nessa condição, a mangueira de ar pode ser cortada, se passar em uma pedra amolada, a válvula de ar pode se soltar do corpo do mergulhador. Há uma série de fatores que dificultam o resgate", explica Rocha.

    Mesmo com os problemas, o oficial acredita que os mergulhadores envolvidos na operação terão sucesso no resgate do corpo da turista, para entregá-lo à família. "Nossos bombeiros estão preparados e em constante treinamento para os procedimentos de resgate. Eu acredito que as operações terão sucesso", ressaltou.

    Mergulhadores do Corpo de Bombeiros já estão no terceiro dia de buscas pelo corpo da turista
    Mergulhadores do Corpo de Bombeiros já estão no terceiro dia de buscas pelo corpo da turista | Foto: Divulgação/CBMAM

    O perigo das selfies

    Um levantamento divulgado em 2016 pela emissora britânica BBC mostrou que, até o ano de 2016, quase 130 mortes foram registradas no mundo inteiro, devido as selfies. A pesquisa, de autoria do então estudante de doutorado Hemank Lamba foi realizada em conjunto com uma equipe de amigos na Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, e analisou autorretratos feitos entre 2014 e agosto de 2016. 

    Leia também: Bombeiros retomam buscas por turista que caiu em cachoeira no AM

    Ao todo, de acordo com a pesquisa, foram registrados 127 mortes em razão de selfies. O número maior vinha da Ásia: 76 mortes desse tipo aconteceram na Índia. Até a divulgação do estudo, não fora registrada nenhuma morte no Brasil. A maioria das morte é causada por quedas de grandes alturas. As pessoas se arriscam em penhascos e topos de prédios para tirarem fotos e impressionar seguidores nas mídias sociais.

    No caso de Michelle, que desapareceu na cachoeira do Amazonas, ela teria entrado em uma área restrita, na margem da cachoeira. No local, havia placas com advertência sobre  o perigo e um alerta sobre pedras escorregadias. Os avisos, no entanto, não foram suficientes para evitar a tragédia. 

    O problema

    Segundo a professora Iolete Ribeiro, da Faculdade de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Fapsi/Ufam), a sociedade vive uma era em que os momentos de lazer passaram a ser espetacularizados. "Cada acontecimento é transformado em algo para ser visto, curtido e admirado, mas é uma admiração artificial, e não um aspecto do processo de socialização. É um reflexo do desenvolvimento da tecnologia", completa. 

    Para a especialista, antigamente não haviam redes sociais e as pessoas iam a passeios para aproveitarem, não havia a onipresença do celular com máquina fotográfica. "Hoje todos têm um aparelho com câmera ao alcance da mão. Há uma necessidade de registrar esse cotidiano e expô-lo. Muitas vezes esses registros são realizados em locais perigosos, desafiadores, e isso coloca vidas em riscos. A necessidade da superexposição leva as pessoas a desafiarem limites e muitas estão morrendo por isso", lamenta. 

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