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    Zika Vírus


    Zika Vírus mata 10 bebês e afeta o crescimento de 79 no AM, em 4 anos

    Os dados, divulgados pelo Ministério da Saúde, são de 2015 a 2019

    Manaus - Dados divulgados pelo Ministério da Saúde no início do mês de dezembro revelam que no período de 2015 a 2019, o Amazonas teve 10 mortes de recém-nascidos e crianças relacionadas à infecção pelo Zika Vírus, cerca de 79 tiveram alterações no crescimento e desenvolvimento.

    O Boletim Epidemiológico da Síndrome Congênita associada à infecção pelo vírus zika (SCZ) foi lançado durante a 16ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), em Brasília (DF). O

    Em setembro, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) divulgou o Boletim Epidemiológico das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, até agosto de 2019. Segundo os dados, as duas doenças transmitidas pelo mosquito (dengue e zika) estão em queda no estado.  Na região circulam quatro sorotipos diferentes de vírus. As formas mais graves podem levar à morte.

    Até agosto de 2019, houve redução de 75% nas notificações de Zika, com 105 casos esse ano, contra 425 no mesmo período de 2018. A dengue reduziu 18%, com 2.957 casos notificados em 2019, e 3.607 em 2018. A febre chikungunya aumentou 17%. Foram 179 casos em 2019, contra 152 notificações no ano passado.

    A diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto alerta para o cuidado diário contra o mosquito transmissor do vírus. “As medidas de prevenção voltadas para eliminação de acúmulo de águas devem ser mantidas. Apesar da diminuição das chuvas, a população deve permanecer com as checagens semanais, tendo em vista que os ovos dos mosquitos são resistentes à desidratação. Por isso, é importante não somente eliminar a água, mas também esfregar esses depósitos para retirar possíveis ovos do mosquito”, explicou.

    Os dados e informações apresentados neste Boletim
demonstram que, apesar do período epidêmico
aparentemente já estar encerrado, ainda estão
ocorrendo novos casos
    Os dados e informações apresentados neste Boletim demonstram que, apesar do período epidêmico aparentemente já estar encerrado, ainda estão ocorrendo novos casos | Foto: Reprodução

    No Brasil

    O documento é referência para o monitoramento integrado de vigilância e atenção à saúde dos casos de Síndrome Congênita Associada à Infecção pelo vírus Zika e serve como instrumento de notificação, investigação e classificação final dos casos em todo o território nacional.

    Nesse período de quatro anos, foram confirmados em todo o Brasil, cerca de 3.474 casos de recém-nascidos ou crianças afetadas pelo Zika vírus. Até o mês de dezembro, foram registrados 55 novos casos. A maioria dos casos confirmados concentrou-se na região Nordeste (56,9% ), seguidos da região Sudeste (26,1%) e Centro-Oeste (7,7%). Os cinco estados com maior número de casos notificados foram Pernambuco (16,2%), Bahia (14,9%), São Paulo (10,3%), Rio de Janeiro (6,6%) e Paraíba (6,6%).

    De acordo com o boletim epidemiológico, entre os casos confirmados, 2.969 (85,5%) eram recém-nascidos ou crianças vivas e 505 (14,5%) eram fetos ou óbitos fetais, neonatais e infantis. Entre os casos confirmados de recém-nascidos e crianças vivas, 1.860 (62,6%) estavam recebendo cuidados nos serviços de atenção primária e 1.805 (60,8%) nos serviços de atenção especializada.

    O Ministério da Saúde desenvolveu uma série de
ações no âmbito da vigilância e atenção à saúde das
crianças com Síndrome Congênita Associada à Infecção
pelo vírus Zika (SCZ) e outras etiologias infecciosas.
    O Ministério da Saúde desenvolveu uma série de ações no âmbito da vigilância e atenção à saúde das crianças com Síndrome Congênita Associada à Infecção pelo vírus Zika (SCZ) e outras etiologias infecciosas. | Foto: Reprodução

    A maioria dos óbitos notificados concentrou-se na região Nordeste (54,9%), seguida das regiões Sudeste (25,3%) e Centro-Oeste (8,4%). Os estados com maior número de óbitos notificados foram Pernambuco (232), Bahia (131), Minas Gerais (107), Rio de Janeiro (107) e São Paulo (78).

    Cuidados com as crianças

    Os meios de transmissão do vírus são de mãe infectada para o feto, transmissão sexual e pela picada do mosquito Aedes Aegypt. Quando o feto é infectado durante a gestação, pode desenvolver lesões cerebrais irreversíveis e ter toda a sua estrutura comprometida.  O comprometimento nesses casos é tão importante que algumas crianças, ao nascerem, têm microcefalia, uma deformação dos ossos do cabeça, sinal do não crescimento adequado do encéfalo (cérebro). 

    O cuidado durante a gravidez e após o nascimento é imprescindível. As crianças precisam de estimulação precoce, para redução do comprometimento no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente da malformação. O período mais importante para essa estimulação vai de 0 aos 3 anos, época de maior resposta aos estímulos.

    Além da estimulação precoce, os recém-nascidos precisam de outros cuidados como proteger o ambiente com telas em janelas e portas, e procurar manter o bebê com uso contínuo de roupas compridas – calças e blusas. Manter o bebê em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis é uma das medidas contra o mosquito.

    O Ministério da Saúde alerta que todos os profissionais de saúde
e os serviços precisaram ficar mais atentos para a
suspeita de um possível diagnóstico
    O Ministério da Saúde alerta que todos os profissionais de saúde e os serviços precisaram ficar mais atentos para a suspeita de um possível diagnóstico | Foto: Reprodução

    No caso da amamentação é indicado que até o 2º ano de vida ou mais permaneça e seja exclusiva nos primeiros 6 meses. A automedicação pode ser perigosa para o bebê, é importante levar o bebê a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento conforme o calendário de consulta.

    Manter a vacinação em dia é um dos requisitos para a saúde da criança. É importante estar atento aos prazos. Caso o bebê apresente alterações ou complicações (neurológicas, motoras ou respiratórias, entre outras), o acompanhamento por diferentes especialistas poderá ser necessário, a depender de cada caso.