Enterros em Manaus


Em 20 dias, Manaus registrou 1.885 enterros; número pode aumentar

A demanda deve ser superior nas próximas semanas, considerando o crescimento da pandemia no Amazonas

O número pode aumentar no mês de maio
O número pode aumentar no mês de maio | Foto: Lucas Silva

Manaus – A crise também chegou no sistema de sepultamento no Amazonas. Em 20 dias, de 9 a 28 de abril, Manaus registrou 1.885 enterros, cerca de 136 foram de vítimas confirmadas da Covid-19. Entretanto, o número pode ser ainda maior nos próximos dias.

O pico da doença, conforme governador Wilson Lima, durante a audiência pública realizada pela comissão da Câmara dos Deputados no dia 23, será na primeira quinzena de maio. "O Amazonas precisa de equipamentos e insumos: respiradores, equipamentos de proteção individual e recursos humanos", afirmou Wilson Lima, durante a audiência.

O Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, falou sobre o aumento dos casos de sepultamentos em Manaus e atribui o crescimento da demanda à falta de estrutura dos hospitais de média e alta complexidade.

“Vivemos um quadro grave, os sepultamentos pularam de 20 a 32 por dia e estão acima de cem. Os atestados registram como doenças respiratórias e causas indefinidas. Não consigo entender como uma pessoa entra no hospital e sai morta sem saber qual a causa. Eu traduzo isso como Covid”, disse.

O momento é de colapso na rede de sepultamentos
O momento é de colapso na rede de sepultamentos | Foto: Alex Pazuello

Sepultamentos em trincheiras

No primeiro momento, a ideia pareceu desrespeitosa e fora do comum, mas com o aumento da demanda nos cemitérios da capital, a medida de enterros em sistema de trincheiras foi adotada. Os números sepultamentos triplicaram em abril, somente no último domingo (26), foram registrados 140, o maior quantitativo registrado desde o começo da pandemia.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), cerca de cem enterros são realizados diariamente. As cenas de caixões dispostos lado a lado ganharam repercussão nacional e demonstram o colapso no sistema de sepultamento do município. 

O modelo de sepultamentos em trincheiras continua em Manaus
O modelo de sepultamentos em trincheiras continua em Manaus | Foto: Alex Pazuello

A maioria dos enterros está acontecendo no cemitério público Nossa Senhora Aparecida, localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus. De acordo com as estatísticas da Semulsp, de janeiro a dezembro de 2019, foram realizados 10.342 sepultamentos nos cemitérios urbanos e rurais. 

O cemitério Nossa Senhora Aparecida foi responsável por 76,0% de todos os sepultamentos. Ao todo possui 70 quadras perfazendo área total de 105,433 hectares.

Sem caixões empilhados

Após a repercussão negativa sobre caixões empilhados, em uma vala comum, para poder dar conta de todos os sepultamentos das vítimas do novo coronavírus na capital amazonense,  o Prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto determinou, na teça-feira (28), que o enterro em sistema de camadas não será mais realizado.

Outra medida tomada pela Prefeitura de Manaus é a opção de cremação em parceria com uma empresa de iniciativa privada do município de Iranduba. A prefeitura projeta que mais de 4 mil pessoas devem ser enterradas no mês de maio no maior cemitério da cidade.

Os números são os maiores registrados desde o começo da pandemia
Os números são os maiores registrados desde o começo da pandemia | Foto: Lucas Silva

Demanda de caixões

No último sábado (25) a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), responsável pelo serviço SOS Funeral, informou que o estoque de urnas funerárias está abastecido na cidade para suprir a demanda. 

Por outro lado, o presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do Amazonas, Manoel Viana, afirmou que o aumento de enterros prevê que o estoque de caixões acabe nas próximas semanas. 

Causas das mortes

 A maioria das mortes não foi confirmada para Covid-19. Segundo os registros de óbitos, nas últimas semanas, a maioria foram por síndrome ou insuficiência respiratória, algumas foram registradas como causa desconhecida ou indeterminada. Ainda nesse contexto, outras pessoas tiveram morte domiciliar. Nesses casos também foram informadas as causas. 

Veja a lista dos boletins diários da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp): 

09/4 – 39 sepultamentos / 3 por Covid-19 

10/4 – 47 sepultamentos / 5 por Covid-19

11/4 – 51 sepultamentos / 10 por Covid-19 

12/4 – 64 sepultamentos / 6 por Covid-19

13/4 – 58 sepultamentos / 5 por Covid-19

14/4 – 64 sepultamentos / 4 por Covid-19

15/4 – 88 sepultamentos / 7 por Covid-19

16/4 – 75 sepultamentos / 4 por Covid-19

17/4 – 96 sepultamentos / 3 por Covid-19

18/4 – 89 sepultamentos / 6 por Covid-19

19/4 – 122 sepultamentos / 6 por Covid-19

20/4 – 104 sepultamentos / 9 por Covid-19

21/4 – 136 sepultamentos / 4 por Covid-19

22/4 – 120 sepultamentos / 7 por Covid-19

23/4 – 135 sepultamentos / 12 por Covid-19

24/4 – 128 sepultamentos / 13 por Covid-19

25/4 – 98 sepultamentos / 6 por Covid-19 / 4 cremados 

26/4- 140 sepultamentos/ 10 por Covid-19

27/4- 109 sepultamentos/ 10 por Covid-19

28/4- 122 sepultamentos/ 15 por Covid-19

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