Festival de Parintins


Bois 'comem abiu' sobre decisão do TCE-AM de suspender o festival

Embora rivais na tradição, Garantido e Caprichoso concordaram em silenciar sobre a decisão da Corte de Contas

Diretorias do Garantido do Caprichoso evitaram tocar no assunto com a imprensa e nas redes sociais | Foto: Divulgação

Manaus - Um dia depois de o Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinar a suspensão do Festival de Parintins, previsto para ocorrer de 6 a 8 de novembro deste ano, os rivais Garantido e Caprichoso concordaram em um ponto: ambos preferiram silenciar sobre a decisão. Por conta da pandemia da Covid-19, a festa já havia sido adiada no tradicional fim de junho. Agora, o TCE decidiu suspender a festa pelo mesmo motivo.

Como reportou ainda na sexta o EM TEMPO, o conselheiro de contas Julio Pinheiro vetou a realização do festival sob o argumento principal voltado para a área da saúde. "Prosseguir com a realização desse evento sem qualquer tipo de respaldo, fundado em estudos técnicos pelos órgãos de Saúde, comandado por profissionais especializados na área de infectologia, epidemiologia e correlatos, significaria uma atitude temerária que colocaria em risco a saúde da população do município de Parintins e das pessoas de outros lugares que prestigiarão o Festival", disse na decisão.

Julio Pinheiro, relator e autor da decisão que suspendeu o festival
Julio Pinheiro, relator e autor da decisão que suspendeu o festival | Foto: Divulgação

Neste sábado (8), a reportagem procurou a diretoria dos bois para comentar a suspensão do evento, no entanto, cada um, a sua maneira, não deu retorno sobre a decisão do TCE-AM. O primeiro deles foi o Caprichoso, que respondeu apenas por meio da assessoria.

"O boi não vai se pronunciar por enquanto. No documento do TCE a gente entende que, na verdade, eles oficiam a todos [bois, Estado e órgãos de saúde] a se pronunciarem (e pedem o cancelamento da venda dos ingressos, não pedem o cancelamento do festival),  o que apenas vai adiantar o que os Bumbás já esperam, que é posicionamento das autoridades de saúde", informou o Caprichoso. 

A assessoria do boi disse ainda que preferia evitar os comentários, porque "os bumbás já levaram muita porrada assumindo sozinhos essa situação", e que "o desgaste foi apenas para cima deles", sem dizer para quem eles acreditam que também deveria recair o peso da decisão de anunciar o festival para o mês de novembro. 

Quanto ao Garantido, pedidos de entrevista foram solicitados via assessoria, que enviou o contato dos diretores do boi. No entanto, nenhum atendeu às ligações da reportagem ou respondeu às mensagens por meio do aplicativo WhatsApp, embora estivessem on-line.

O silêncio também se estendeu para as redes sociais. Garantido e Caprichoso evitaram compartilhar ou comentar a decisão em suas páginas no Facebook e no Instagram.

Festival ainda pode acontecer

Em sua decisão, Julio Pinheiro determinou que a Prefeitura de Parintins se abstenha de qualquer novo ato administrativo que vise a realização do Festival Folclórico. Mas, o evento ainda pode acontecer, já que a suspensão se deu apenas para que órgãos de saúde possam participar da discussão.

Festival deve passar por avaliação de órgãos de saúde
Festival deve passar por avaliação de órgãos de saúde | Foto: Arquivo/Em Tempo

"Portanto, como aduzido (alegado) pela representante, é imprescindível que haja uma prévia análise (consulta de viabilidade) dos órgãos competentes como a Agência Nacional de Águas (ANA), o Centro de Monitoramento Hidrológico do Amazonas (Cemoham), e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam)", escreveu o relator.

Embora tenha apresentado a problemática e orientado para a discussão do evento por órgãos de saúde, o assinante da decisão também lembrou que a não realização do evento pode trazer prejuízos econômicos.

"Ademais, em concordância com o quarto vício apontado pela representante, também vislumbro risco de grave lesão ao erário, vez que a realização de um evento de tal magnitude e importância requer a execução de despesas com estrutura, artistas, etc., por intermédio de celebração de convênios ou outros ajustes efetuados com antecedência. Assim, um possível cancelamento do evento traria enormes prejuízos ao erário, além da incidência das medidas de responsabilização aos agentes envolvidos", consta na decisão.

Coronavírus em Parintins e no AM

Até a sexta-feira (7), data em que a decisão foi lançada, o município de Parintins tinha 3.554 infectados pelo coronavírus, com um total de 102 mortes, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FGV-AM). 

Em todo o Estado, havia 105.857 casos totais de Covid-19, desde o início da pandemia. As mortes já passavam das 3,3 mil, em 58 municípios do interior. 

O número de óbitos é expressivo, porque, enquanto a capital do Estado se recupera da pandemia, após uma tragédia em número de mortos, o interior segue a todo vapor na pandemia

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