Fonte: OpenWeather

    Recomeço


    Não passei no vestibular. E agora?

    Não alcançar a pontuação que precisava para entrar na faculdade é uma experiência ruim. Mas, calma. Não é o fim do mundo

    A frustração de não passar no vestibular pode ser um impacto, mas também deve ser vista como ação de encorajamento em busca do sonho de uma carreira. | Foto: Ione Moreno

    Manaus - A temporada de vestibulares está em curso e, enquanto alguns estudantes comemoram a vaga dos sonhos, outros têm de lidar com aquela sensação de que ainda não foi dessa vez.

    A escolha da carreira é uma das primeiras grandes decisões que adolescentes precisam tomar na vida e, às vezes, vem acompanhada com uma das primeiras frustrações. Afinal, como não pensar "o que meus amigos vão dizer? O que vou dizer? Eu já deveria estar na universidade”. Mas, calma. Isso não é o fim do mundo, pois no contexto geral da vida, dificilmente você vai nem lembrar se entrou na universidade aos 17 ou aos 25 anos. 

    De acordo com a psicóloga especialista em neuropsicologia e psicopedagogia, Lívia Montenegro, a pressão do vestibular pode levar os estudantes a fazer escolhas equivocadas e gerar frustração.

    “O ser humano tem dificuldade em perder, em fracassar e se cobra muito por isso. A perda é vista como falha. Ele não atendeu à expectativa da família então se sente culpado e com baixa auto-estima. Os pais às vezes também depositam suas expectativas e frustrações nos filhos. É preciso apoiar esse adolescente, pois cada um tem um tempo para o processo de aprendizagem e isso precisa ser respeitado”, defende.

    Leia também:  2017 teve mais de 200 casos de abandono de incapaz em Manaus 

    “Às vezes as escolhas são feitas com base na dificuldade de determinado curso, como um prêmio para ganhar aprovação dos pais. Se o filho quer fazer um curso menos concorrido, deixe-o fazer. Devemos preparar o filho para o mundo, ele é outro indivíduo e não um apêndice dos pais. Passar no vestibular é importante, fazer escolhas acertadas para o resto da vida é ainda mais”, diz Lívia.
    Taciane Guimarães tinha apenas 16 anos quando prestou vestibular pela primeira vez. “Fui aprovada para enfermagem quando ainda estava cursando o primeiro ano do ensino médio”. Aos 18 anos ela obteve alta pontuação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas a nota de corte para medicina, o curso dos sonhos desde os oito anos, a deixava na 73ª colocação. “Haviam mais de 10 pessoas com a mesma pontuação, a diferença era de décimos. Me senti frustrada, mas com ajuda de Deus e dos meus pais eu sigo buscando meus objetivos”, conta.
    Mas a jovem tinha um plano B. “Eu resolvi cursar algumas disciplinas de Enfermagem que pudesse aproveitar quando passasse para o curso que realmente queria. Cursar medicina em uma universidade particular estava fora do orçamento da minha família. E me endividar com um financiamento estudantil também não era o que eu buscava".
    Foi então que aos 17 anos ela foi aprovada em um concurso público e ingressou em enfermagem. "Comecei a cursar enfermagem, pois poderia aproveitar algumas disciplinas. Meu objetivo era prestar o Extra-macro da Ufam e ingressar em medicina. Estou aguardando o Edital, com paciência e foco nos estudos. Não é o fim do mundo, apenas vou precisar de mais tempo”, contou Taciane.
    A escolha da carreira é uma das primeiras grandes decisões que adolescentes precisam tomar na vida e, às vezes, vem acompanhada com uma das primeiras frustrações.
    A escolha da carreira é uma das primeiras grandes decisões que adolescentes precisam tomar na vida e, às vezes, vem acompanhada com uma das primeiras frustrações. | Foto: Ione Moreno

    O extra-macro é uma modalidade de ingresso na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que disponibiliza vagas remanescentes por desistência e jubilamento. As vagas são oferecidas nas modalidades transferência facultativa, quando um aluno de instituições privadas pode pleitear uma vaga no mesmo curso na Universidade; reopção de curso quando alunos da Ufam desejam concorrer a uma vaga em outro curso da Universidade; ou portador de diploma, quando uma pessoa já formada deseja ingressar em uma segunda graduação. Além disso, com o Enem, as listas de chamada passaram a ser uma tradição 

    Os sucessos vieram depois de falhas. Não passar no vestibular não significa falta de capacidade. A necessidade de aprender mais, melhorar a técnica de estudos e revisar a estratégia de resolução da prova são os pontos altos da busca pelo sonho. Encare isso apenas como uma pedra no caminho, não como uma sentença que não pode ser mudada.

    Edição: Lívia Nadjanara 

    Leia mais:

    Fique atenta com seu bebê, nem sempre é uma simples gripe 

    Inscrições para o 1º Super Absoluto de Jiu-Jitsu vão até dia 23 

    Ano Novo, promessa (fitness) velha