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    Programa de papa

     
    Apesar de dizer que se inspirou na recomendação de dom Cláudio Hummes para adotar o nome de Francisco, o cardeal Bergoglio, quando foi nomeado arcebispo de Buenos Aires, renunciou morar no palácio episcopal, como fez dom Helder Câmara e foi morar em pequeno apartamento; em seu serviço missionário, não costuma usar carro particular, preferindo ônibus ou metrô para chegar à periferia onde estão os pobres aos quais se dedicava. Ou seja, os três Franciscos da história da Igreja já ditavam a regra de sua missão religiosa.
    Francisco de Assis surge no início do século 12, depois de novecentos anos em que a Igreja navegou no poder e na riqueza do império romano, confundindo sua missão divina com a excessiva preocupação e conquista de bens materiais.
    Por misturar o projeto divino com interesses puramente humanos, a Igreja caminhava na corda bamba da decadência afastando-se cada vez mais do projeto cristão. Foi quando o papa Inocêncio 3° teve um sonho no qual viu o pequeno Francisco de Assis sustentando imensa catedral que ameaçava desabar.
    Quando Francisco foi lhe pedir permissão para fundar uma Ordem que abrigasse os jovens que queriam viver a fé cristã na pobreza, cuja única riqueza era o próprio Deus, Inocêncio não teve dúvida que estava recebendo um aviso dos céus, e, não apenas lhe deu permissão, mas, ajoelhando-se, beijou os pés do pequeno de Assis. O aviso foi claro: a identidade do apóstolo reside na confiança no poder de Deus e não na dependência das riquezas terrenas.
    Ora, não é fácil se desprender das coisas terrenas num mundo excessivamente materialista e hedonista, cuja identidade do ser humano reside no ter, na posse dos bens materiais; e sua felicidade completa-se no prazer carnal.
    Para vencer a sedução do ter e do prazer, o programa do papa inclui a lição de Francisco de Paula (1507), que apenas trezentos anos depois do aviso de Francisco de Assis, percebeu que a Igreja voltava a afrouxar a disciplina eclesiástica e retirou-se para viver na mais estrita contemplação e penitência.
    Ao tornar-se eremita para viver exclusivamente em oração, ensinou que o sacerdote deve ter uma pulsante vida espiritual. Sem oração pode haver missão, mas não de Cristo. Sem oração não há consagração ao serviço. Haverá busca de poder.
    A oração é o alimento da missão divina. Francisco de Paula, conta-se, curou numerosos enfermos na Itália e na França; e ressuscitou mortos com o poder da oração. Segundo seus biógrafos, todas as profecias que realizou sobre as invasões na Europa e a divisão da Igreja com a Reforma protestante, foram cumpridas.
    Ninguém pode ir à missão sem conversão abrupta, como Francisco de Assis, ou, longamente gestada, como Inácio de Loyola e Francisco de Xavier. Xavier (1552), o terceiro Francisco, foi tomado de um fogo abrasador que incendiou seu coração pelas missões no Oriente. Depois de São Paulo, foi o maior apóstolo missionário da Igreja. Aprendeu novas línguas, venceu intempéries climáticas e culturais, mostrou a beleza da fé. Se o papa conseguir implantar o programa dos três, a luz de Cristo iluminará o século 21.