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    Dilma estará prisioneira?

    A presidente Dilma levou menos de 24 horas para desistir da proposta da constituinte exclusiva, percebendo a fria em que se tinha metido. Por que, agora, ela insiste na realização do plebiscito sobre a reforma política, apesar de as reações serem iguais ou até maiores do que diante da primeira sugestão?

    Alguma coisa não está batendo nessa equação. Os presidentes da Câmara e do Senado escondem sua discordância plena, achando “muito difícil” viabilizar a consulta popular em tempo rápido. O vice-presidente da República, também. As bancadas do PMDB saltam de banda, anunciam que não vão apoiar, assim como o PP, o PTB e o PSD, entre outros partidos da base aliada. Sem contar as oposições. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, por escrito, enfatiza “não estar a Justiça Eleitoral autorizada constitucional e legalmente a submeter ao eleitorado consulta sob cujo tema ela não possa responder”.

    Juristas contestam, a mídia se posiciona contra, as multidões não estão nem aí. Insurgem-se até ministros do governo. Então, por que diabo, a presidente finca pé no plebiscito? Será pela vaidade de não querer submeter-se a uma segunda derrota? Para retomar o comando do processo político, posto em frangalhos pelas manifestações de rua? Para testar sua hoje dispersa maioria parlamentar?

    Ou... Ou, supõem alguns observadores, Dilma está prisioneira de uma conspiração destinada a melar o jogo político, com efeitos nas instituições e nas eleições de outubro de 2014. Que tal não realizá-las, até para não perdê-las, prorrogando-se todos os mandatos, inclusive ou principalmente os de deputado e senador? A presidente teria sido embrulhada, encontrando-se impotente para conter a trama orquestrada à sua sombra? Quem será o maestro: Lula, Mercadante, Rui Falcão, Gilberto Carvalho?

    Pode parecer loucura essa simples suposição, quando a democracia encontra-se consolidada, mas algum motivo haverá para a intransigência da chefe do governo. No fim de tudo, sobra uma questão irrespondível: será que um plebiscito amorfo, insosso e inodoro poderá promover uma reforma política acima e além dos interesses do Congresso, a quem cabe promover a reforma?

    Provocação – Exagerou a bancada do PMDB na Câmara ao sugerir, em nota distribuída à imprensa, que numa demonstração de austeridade a presidente Dilma promova a imediata redução do número de ministros. Mais do que romper com o Palácio do Planalto, os deputados assinaram uma declaração de guerra. Reclamam austeridade de um governo que deveriam apoiar e ofendem sua chefe. Sem pregar, é claro, a entrega dos ministérios ocupados pelos seis ministros do partido.

    A única saída – Continuando a paralisação dos caminhoneiros, que ontem não arrefeceu, mas, ao contrário, aumentou, sobrará uma única saída para o governo tentar evitar o desabastecimento de gêneros de primeira necessidade e de combustíveis: o emprego das Forças Armadas. Só elas seriam capazes de limpar as rodovias e evitar novas interrupções. Teria a presidente Dilma coragem para mobilizar Exército, Marinha e Aeronáutica, conforme permite a Constituição? Ou estaria atrasada quase cinquenta anos, identificando nos militares os seus adversários?

    carloschagas37@uol.com.br