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    Economia e planeta doente

    Pelo menos desde o Neolítico (12.000 anos a.C.) as sociedades têm consumido num ritmo voraz tudo aquilo que conhecemos por recursos da natureza. Especialmente nos últimos 60 anos, quando a economia mundial aumentou dez vezes de tamanho, em nome da busca do crescimento econômico – espécie de dogma central da economia tradicional – o expansionismo da economia que se apresenta sem limites, desrespeitando as fronteiras ecossistêmicas, fez adoecer gravemente nosso planeta Terra.
    Buscar esse propagado crescimento econômico virou sinônimo de derrubar árvores, queimar florestas, aquecer o planeta, poluir o ar, a água e destruir os principais serviços ecossistêmicos. Não há margem à dúvida que a atividade econômica tem sido extremamente agressiva no que tange a extrair recursos naturais, levar ao processo produtivo e, pós-consumo final, soltar resíduos (poluição, dejetos), comprometendo,grosso modo, a capacidade de vida humana.


    Agindo dessa maneira, a atividade econômica ignora que a biosfera é finita, limitada e hermeticamente fechada. Qualquer tentativa de extrapolar isso resulta em pesados passivos ambientais. Do outro lado da moeda, o mercado, por sua vez, pressiona e exige por esse crescimento que, face aos estragos sobre o capital natural, cria um conflito irresponsável que põe a vida de todos em perigo.


    Confrontam-se assim a necessidade de crescimento econômico versus a capacidade da Terra; dito de outra forma: é a adequação da oferta de recursos naturais (limitadas, restritas) para sustentar os padrões elevados de consumo e produção (ilimitados, irrestritos). Aonde estamos? Encontramo-nos no meio desse conflito: poucos recursos naturais e energéticos para muita produção industrial.


    No meio disso tudo, a cada dia, mais gente chega a esse conturbado mundo, aumentando a pressão sobre as bases da natureza. Descontadas as mortes, a cada dia 220 mil novas almas chegam ao mundo. Ao ano, são mais de 80 milhões de novos habitantes no planeta Terra que não aumentará de tamanho; a única coisa que aumentará será a pressão por mais produtos, dentro de uma biosfera limitada, desequilibrando o meio ecológico.
    Atualmente, apenas 20% da população mais rica do mundo utiliza ¾ dos recursos naturais, numa situação em que metade da população (3,5 bilhões) está na pobreza vegetando nos limites da sobrevivência, numa desigualdade sem precedentes, sem acesso à água potável e à alimentação adequada.


    O caso da água pótavel, para ficarmos nesse exemplo, é gritante. É sabido que a quantidade de água doce disponível na Terra é de apenas 0,5% do total das águas, incluindo as calotas polares geladas. O consumo de água, em consequência da urbanização, dobra a cada 20 anos. Se, de um lado, centenas de milhões de pessoas carecem de acesso à água potável, do outro, continua o consumo de desperdício desse precioso líquido por parte dos mais afortunados que podem pagar pelo serviço.


    Enquanto regiões imensas na África, Ásia e América Latina carecem de recursos hídricos mínimos, nas regiões desenvolvidas, além do excesso de consumo, aumenta a poluição de rios, lagoas e lençóis freáticos e aqüíferos subterrâneos; tudo isso em nome do suposto crescimento econômico que não encontra freios à sua expansão.


    Os rios estão ficando à míngua. O Colorado (EUA) mal chega ao mar. O Nilo já apresenta enorme dificuldade em atingir o Mediterrâneo. Não obstante, a economia continua sua sanha exploratória queimando petróleo, gás e carvão, derrubando e queimando florestas, contribuindo para o aquecimento global. Parece que aqueles que dirigem os “sistemas econômicos” da economia-mundo desconhecem que esquentando o planeta, esquentam-se os mares e aumenta-se a evaporação das águas.