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    Manaus dos apagões

    Augusto Bernardo Cecílio - Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazona

    Como sede da Copa, Manaus deverá dar uma guinada gigantesca para abrigar evento de tanta importância e se mostrar ao mundo como cidade organizada, estruturada e promissora. No entanto não é o que vemos hoje em dois quesitos básicos para dar suporte para que isso aconteça: o Amazonas sofre problemas crônicos ligados ao péssimo fornecimento de energia e internet, lembrando ainda que “temos” fornecimento de TV por assinatura cara e excludente.

    O que aconteceu nesta segunda-feira foi algo provocado pela força da natureza, mas mesmo assim mostra a fragilidade do nosso sistema de fornecimento de energia. O que ocorre rotineiramente é o que preocupa. A Eletrobras Amazonas Energia irrita e nos remete a um possível desligamento em pleno jogo na nova Arena. Mas o sofrimento só está reservado aos que aqui moram, pois os visitantes, estrangeiros ou não, jamais saberão o que é conviver com o caos, com o calor infernal, com os buracos e constantes engarrafamentos, sem falar na falta de estacionamentos.

    Os apagões não aparecem somente no intenso verão, apenas se intensifica, mas se espalha pelo ano inteiro e pelos sessenta e dois municípios. E de imediato me reporto ao fato de ser o Amazonas um Estado de sustentação política de Dilma Rousseff, para citar uma possível ausência de atitudes firmes de determinados políticos, aonde o individual suplanta o coletivo, e o povo leva tremenda desvantagem, apesar de ser o maior fornecedor de votos para eleger ou perpetuar no poder pessoas que não buscam sanear problemas e promover o bem-estar da coletividade.

    Energia de qualidade é instrumento básico para que tudo funcione. Em países sérios, energia é sinônimo de desenvolvimento, de funcionamento perfeito de indústrias, de empresas comerciais e de lazer, de hospitais e escolas em pleno funcionamento, de iluminação pública eficiente, de lares abastecidos e sem sobressaltos com as constantes interrupções como aqui ocorre, levando prejuízos à população que vão muito além de aparelhos e
    equipamentos queimados.

    O prejuízo emocional e a perturbação vivida é algo que extrapola qualquer possibilidade de aferição. Como é que uma cidade nestas condições poderá receber uma Copa do Mundo? Onde estão os
    investimentos neste setor?

    Entra ano e sai ano, termina uma eleição e começa outra, e os discursos são os mesmos: renovação do prazo de vigência da Zona Franca e do Pólo Industrial de Manaus, as “ameaças” contra o PIM, mais empregos, combate à pobreza, falta de fornecimento de água (algo que pessoas de fora não conseguem entender que aconteça no local que possui o maior manancial de água doce do mundo), melhoria no fornecimento de energia, e isto me lembra muito a famosa indústria da seca no nordeste, que manteve no poder por décadas políticos desprovidos de qualquer interesse público. É por esta razão que, lamentavelmente, o Tiririca teve uma enxurrada de votos.

    augustosefaz@hotmail.com