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    Inclusão


    Rede pública de ensino visa inclusão de alunos com deficiência no AM

    Escolas de educação especial da rede municipal e estadual têm como objetivo principal oferecer inclusão para os alunos deficientes

    Bárbara Picanço e Liztdiane Matos | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Ter um filho com deficiência surpreende qualquer família, nem sempre as pessoas estão preparadas para lidar com esta condição. Quando chega a idade escolar, as preocupações só aumentam, pois a sociabilização pode ser um processo complicado para estes pequenos. O EM TEMPO fez um mergulho no sistema público de educação para saber como estas crianças são atendidas na rede municipal e estadual.

    Lúcia Matos, 62, conhece bem as dificuldades que estas famílias enfrentam. Ela é mãe de Liztdiane, 29, diagnosticada com síndrome de Down. Quando ainda era criança, Liz fez o pré-escolar em uma escola regular. Quando sua mãe precisou se mudar e por consequência tirá-la da escola onde estava, tudo mudou. Liz não se adaptou ao novo ambiente e ficou sem estudar.

    A situação só mudou há três anos, quando a mãe conseguiu matriculá-la na Escola Municipal Educacional Especial Andre Vidal de Araujo, onde Liz faz parte de uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Cada dia ela (Liz) está gostando mais. A professora dela também ajuda muito, é uma pessoa fantástica. Eu gosto muito do trabalho dela. Ela é bastante trabalhadora, esforçada, a gente está sempre ajudando nos projetos que ela precisa”, conta a mãe.

    A professora fantástica a quem ela se refere é Maria Waldelores, que, há 14 anos, se dedica à educação especial. Ela comanda uma sala com 16 alunos jovens e adultos. “O principal desafio é trabalhar para que lá na frente eles sejam inclusos, desenvolvendo as habilidade de cada um”, conta a professora.

    Para Liztdiane, o resultado tem sido bem positivo. “Ela desenvolveu muito depois que veio para a escola. Ela está bem mais independente, mais ativa, mais solta, se integra mais com as pessoas”, conta Lúcia, orgulhosa da filha. Um dos grandes progressos que aconteceram na vida de Liz foi o fato de que ela passou a ir para a escola sozinha, coisa que antes não seria possível.

    Escola Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo.
    Escola Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo. | Foto: Leonardo Mota

    “Eu amo a escola da professora Wal, estou aprendendo a escrever, a estudar. Eu gosto da aula de basquete e gosto de dançar funk”, conta Liz, que é fã das cantoras Ludmilla e Anitta. Sua parceira na sala de aula é Bárbara Picanço, 30, que também tem síndrome de Down.

    Bárbara já passou por várias escolas regulares e sua mãe, Graça Picanço, conhece as dificuldades que as crianças deficientes encontram quando se deparam com o sistema escolar. “A nossa luta hoje é ter uma escola regular inclusiva”, conta.

    Mãe de outras duas meninas, Graça entendeu desde cedo que precisaria lutar para que a filha tivesse a vida mais normal possível. “A Bárbara se desenvolveu mais porque conviveu com suas duas irmãs. Eu trabalho com ela desde os três meses de idade, isso tudo ajudou em seu desenvolvimento”, diz.

    No dia que conhecemos nossas personagens, a turma da professora Wal estava realizando uma festa de Halloween. O diretor da escola, Helivan Dantas, explica que esta é só uma das atividades que a escola promove, a fim de que os alunos possam sempre desenvolver suas habilidades. Atividades lúdicas e divertidas são realizadas para que estas pessoas possam sempre aprender de uma maneira mais interessante, sem cansar.

    Maria Waldelores, professora de educação especial.
    Maria Waldelores, professora de educação especial. | Foto: Leonardo Mota

    Semed

    Escola Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo faz parte da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que conta com 5.065 alunos com deficiência matriculados em 437 unidades de ensino da rede municipal de ensino.

    Dailla Menezes, gerente de Educação Especial da Semed, explica que escolas como a André Vidal, são apenas um local de desenvolvimento para que estas crianças possam ser novamente inseridas na educação regular. “O objetivo é sempre a inclusão”, conta.

    A Semed segue os preceitos indicados na legislação voltada à Educação Especial, que exige a matrícula de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação nas classes comuns do ensino regular com o intuito de promover um sistema educacional inclusivo e democrático, bem como eliminar todas as formas de discriminação, de modo que os alunos possam participar plenamente das ações pedagógicas e sociais da escola, centradas nas diferentes formas de aprender e conviver.

    Além das classes comuns do ensino regular, a Semed também possui salas de recursos multifuncionais, que têm como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem.

    A rede municipal de ensino também conta com a figura do mediador escolar, que é um estagiário de Graduação de Pedagogia ou Letras Libras que atua na modalidade da Educação especial no contexto dos estabelecimentos de Ensino da Educação Infantil e do Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Finais), no atendimento aos alunos com deficiência, exercendo atividades que se fizerem necessárias à inclusão deste público, em todos os níveis e modalidades de ensino.

    Willas Dias da Costa da área de Educação Especial da Seduc.
    Willas Dias da Costa da área de Educação Especial da Seduc. | Foto: Leonardo Mota

    Seduc

    Na rede estadual, os alunos também podem contar com suporte especializado. Ao todo, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) possui 179 escolas que desenvolvem especificamente a política de inclusão, recebendo estudantes surdos ou deficientes auditivos.

    Dentre os profissionais que atendem os alunos com deficiência auditiva/surdez, matriculados na rede estadual de ensino, e utilizam como base do ensino a Língua Brasileira de Sinais, a Seduc oferece: professor tradutor intérprete de libras; professor de libras; professor bilíngue; professor guia intérprete.

    Além dos profissionais, a secretaria conta também com o Centro de Formação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez – CAS, que tem como objetivo desenvolver estratégias de articulações com os diversos sistemas de ensino, de modo a promover a formação continuada do público em geral para que possam atender às demandas dos alunos com deficiência auditiva/surdez e dos alunos com surdocegueira, assessoramento às escolas da rede de ensino, produção de materiais adaptados aos alunos com surdez, tradução e interpretação em eventos, núcleo de convivência social, entre outras atividades que apoie o sujeito surdo/deficiente auditivo.

    Escola Estadual de Atendimento Específico Mayara Redman Abdel Aziz.
    Escola Estadual de Atendimento Específico Mayara Redman Abdel Aziz. | Foto: Divulgação

    A secretaria conta, ainda, com uma escola de atendimento específico, a Escola Estadual Augusto Carneiro dos Santos, no Centro de Manaus. A instituição tem somente alunos surdos e surdocegos, do 1º ao 9º ano, e do Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos EJA 1º segmento fase 1 e 2, turno matutino e vespertino, numa metodologia bilíngue.

    Até o mês de julho de 2019, no quadro de lotação da secretaria, há um quantitativo de 72 Tradutores Intérpretes de Libras. Willas Dias da Costa trabalha há dez anos na área de Educação Especial da Seduc. Ele explica que este suporte chega ao interior do Estado por meio de capacitação dos professores e também por meio do centro de mídias, por onde os professores podem assistir teleaulas e fazer cursos.

    Outro espaço diferencial da Seduc é a Escola Estadual de Atendimento Específico Mayara Redman Abdel Aziz. A escola abriga os seguintes espaços: 

    - Centro de Apoio Educacional Específico (Caesp);

    - Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS);

    - Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP);

    - Atendimento Pedagógico Diferenciado (APD);

    - Núcleo de Atividade de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S).

    Para receber atendimento neste espaço, as crianças devem ser encaminhadas pela escola estadual onde estudam. A diretora da escola, Elinese Magalhães de Figueiredo nos apresenta o local, que conta com metodologias diferenciadas para cada deficiência.

    As crianças cegas podem contar com o laboratório de Praticas Educativas de Vida Independente, um espaço que simula uma casa, onde aprendem a ter mais independência ao fazer tarefas diárias. A escola também tem um espaço onde são feitos livros adaptados para o Braille é um sistema de escrita tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. Lá são feitos livros que são enviados para toda a rede estadual, inclusive no interior. 

    Um dos grandes diferenciais da Escola Mayara Aziz é a oferta de cursos abertos á população de Libras, Braille, Soroban, Baixa Visão, Adaptação de material e Informática acessível. Os cursos tem média de 80 a 120 horas e acontecem em média de duas a três vezes ao ano.