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    Jacaré


    Abate e manejo de jacarés é autorizado na Reserva do Mamirauá

    De acordo com secretário da Sema, Marcelo Dutra, a licença terá a validade de 5 anos, período que o instituto pode abater até 10 mil animais das espécies jacaré-açú e jacaretinga

    O licenciamento do entreposto de Mamirauá envolveu anos de trabalho de equipes técnicas formada por biólogos e especialistas do Ipaam e da Sema no processo de análise do abatedouro | Foto: Ione Moreno - Em tempo

    Manaus -  A partir deste ano, o amazonense vai poder comprar carne beneficiada de jacaré nos supermercados da capital de Manaus. Nesta quarta-feira (20), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autorizou o funcionamento do primeiro abatedouro e entreposto flutuante de abate do animal na comunidade rural Jarauá, no município de Uarini (distante 565 quilômetros de Manaus), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.

    A Licença de Operação Ambiental (LO) foi assinada pelo presidente do Ipaam e secretário de Estado do Meio Ambiente (Sema), Marcelo Dutra, e entregue, durante coletiva à imprensa, ao diretor técnico-científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, João Valsecchi.

    Agora, a entidade vai solicitar do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a cota de abate do animal, que pode chegar a 1,2 mil jacarés ao ano.

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    De acordo com Dutra, a licença terá a validade de 5 anos, período que o instituto pode abater até 10 mil animais das espécies jacaré-açú e jacaretinga no rio Paraná do Jarauá, na comunidade Jarauá.

    No local, o Governo do Amazonas iniciou, em 2008, o trabalho de manejo e abate experimental dos animais com investimento de R$ 300 mil em capacitação de técnicos e dos moradores da RDS, que serão beneficiados diretamente com geração de emprego e renda.

    Ele lembrou a RDS Mamirauá foi criada em 1986 pelo governador Amazonino Mendes como Estação Ecológica e, dez anos depois, transformada em reserva. “Na mesma época, Amazonino também criou o manejo de espécies amazônicas quando começou o manejo de pirarucu em 1999, que não só reduziu o risco de extinção do pescado, como melhorou a produção com o peixe sendo encontrado com facilidade em qualquer bairro de Manaus e mercados”, disse.

     RDS Mamirauá foi criada em 1986 como Estação Ecológica e, dez anos depois, transformada em reserva
    RDS Mamirauá foi criada em 1986 como Estação Ecológica e, dez anos depois, transformada em reserva | Foto: Divulgação

    Marcelo Dutra informou que, agora, 20 anos depois, com o licenciamento do abatedouro em Mamirauá, o mesmo governador Amazonino Mendes autoriza, pela primeira vez, o abate de jacaré em Unidade de Conservação (UC) para a atividade primária. “O Governo do Amazonas cria mais uma política pública de sustentabilidade, com inclusão social, geração de emprego, renda e proteção ambiental”, destacou. 

    Trabalho 

    O licenciamento do entreposto de Mamirauá envolveu anos de trabalho de equipes técnicas formada por biólogos e especialistas do Ipaam e da Sema no processo de análise do abatedouro, que tem a capacidade de capturar em gaiolas e abater 60 jacarés ao mês, sem descartar sangue e vísceras no rio.

    A expectativa é gerar mais de 20 empregos diretos, indiretos e gerar benefícios econômicos e sociais para mais de 5 mil pessoas na região de Uarini. 

    Protocolos

    O diretor do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, disse que o empreendimento conta com tecnologias de baixo impacto ambiental e cumpre todos os protocolos de ambientais e sanitários, além de manter o local de abate do animal perto da área de captura, sem a necessidade de arrastar o jacaré e, com isso, mantendo a qualidade da carne. “A comunidade está bastante feliz em saber que, agora, vão poder trabalhar e gerar renda com o jacaré”, informou.

    Potencial econômico

    Valsecchi informou, também, que o jacaré tem um grande potencial econômico e o couro, por exemplo, tem um valor que pode variar de R$ 28 a R$ 30 o centímetro para o mercado de bolsas e sapatos.

    A carne, segundo ele, é outro produto que tem um valor comercial e uma boa aceitação da população. “Tudo se aproveita do jacaré para ser comercializado, desde as vísceras, que são transformadas em ração”, explicou o diretor.

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