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    Água potável


    Saneamento é saúde; programa ajuda reduzir mortalidade infantil no AM

    Estudo revela melhoria da qualidade de vida das populações ribeirinhas por meio de programa de saneamento básico

    Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário. | Foto: Divulgação/ Clodoaldo Pontes

    Uma tecnologia social tem revolucionado o acesso à água potável em áreas rurais do Norte do país. Recentemente, pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos revela que em 2017 houve um avanço de 21% entre os ribeirinhos de Carauari (a 789 km de Manaus) em relação ao acesso à água e ao saneamento básico. O estudo é realizado na região desde 2015. Os resultados da pesquisa demonstram também uma redução nos índices de mortalidade infantil.

    O objetivo do programa é promover o acesso à água potável e saneamento básico em comunidades da Amazônia por meio da implementação das tecnologias sociais “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário” e “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Autônomo”.

    A realização do programa é uma parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o Ministério do Desenvolvimento Social e o Memorial Chico Mendes, sendo este último responsável pela coordenação e gestão do programa, além de entidades executoras envolvidas.

    Os dados apontam o Índice de Progresso Social (IPS) da região de Carauari, onde são evidenciadas evoluções entre 2015 e 2017 em relação ao acesso à água e ao saneamento básico, que avançou 9% entre a população urbana de Carauari e 21% entre os ribeirinhos do município.

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    Para Francisca do Carmo, extrativista e moradora da comunidade Bauana, em Carauari, a melhoria na qualidade de vida da comunidade dispensa indicadores. “Nós vivemos essa mudança. As mães agora têm água dentro de casa. À noite a gente precisava ir até a beira do rio buscar água para usar no dia seguinte. Hoje é um conforto e uma alegria chegar da roça e saber que vou entrar no meu banheiro e tomar um banho de chuveiro. Acabou o sistema de 'pau da gata' que eram os banheiros a céu aberto. Ninguém mais vai ao mato”, disse em tom de satisfação.

    Sistema de Acesso à Água Pluvial Comunitário.
    Sistema de Acesso à Água Pluvial Comunitário. | Foto: Divulgação

    Segundo Flávio Ferreira, tesoureiro da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), uma das entidades executoras do programa, a política de saneamento melhorou em consequência do programa. “Eu trabalho nesta entidade executora e também sou morador de uma comunidade beneficiada, a RDS Uacari. O impacto social mais visível para nós foi a redução do índice de parasitose das crianças. A UnB realizou um estudo sobre os impactos sociais, mas nós já sabíamos das melhoras”, diz.

    Pesquisa 

    A socióloga Graziela Castello comandou uma equipe de pesquisa que captou informações sobre as populações residentes no município de Carauari. “Os estudos nos mostram que o saneamento básico e o acesso à água apresentaram melhoras de maior destaque no município. Existia um alto índice de mortalidade infantil e isso foi reduzido com os programas implementados”, afirma.

    Sobre a importância dos dados indicadores, Graziela ressalta: “O índice é norteador, pois serve como ferramenta de pressão da população, orientando-os e mostrando o que está ruim e o que melhorou. De posse desses dados, eles podem se instrumentalizar para pleitear recursos e melhorias para a qualidade de vida”, diz.

    Dados de Índice de Progresso Social apresentados pela Socióloga, demonstram uma queda no índice de mortalidade infantil nas comunidades de Carauari. Em 2014 o índice de mortalidade de crianças de até 3 anos era de 24% e em uma nova pesquisa realizada em 2017, o índice caiu para 17%.

    Tecnologia Social

    São dois sistemas de captação de água, o “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário” e o “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Autônomo”. No comunitário é captada água da chuva, de poços e dos rios que são tratadas no interior da tecnologia e se tornam potáveis. No sistema autônomo a captação é feita apenas da água das chuvas. Em comunidades com cinco a seis famílias em diante é implementado o sistema comunitário, em um número menor é utilizado o sistema autônomo.

    Sistema de filtragem.
    Sistema de filtragem. | Foto: Divulgação

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    De acordo com Flávio o programa inclui a instalação de banheiros  em todas as casas e sistema de encanamento de água. “O sistema de encanamento de água faz com que as pessoas recebam a água potável dentro de suas casas e cada família também recebe banheiro próprio. A água dos banheiros vai para uma fossa séptica, onde é alocada uma placa pré-moldada para evitar contaminação do solo”, informou o tesoureiro.

    Apesar da abundância de água na região Amazônica, a população com baixo poder aquisitivo não tem acesso à água potável. “Às vezes, a água usada para lavar roupas e utensílios, é retirada do mesmo local que se utiliza para cozinhar. Além disso há os banheiros a céu aberto que podem contaminar o solo. Como a regularidade da chuva é grande na região amazônica, os sistemas implantados pelo programa permitem o aproveitamento dessa água, que, reservada e tratada é adequada para o consumo”, informou Clodoaldo Pontes, coordenador técnico do Memorial Chico Mendes.

    De acordo com Adevaldo Dias, presidente do Memorial, responsável pela gestão do projeto, no Amazonas já foram atendidos os municípios de Carauari, Juruá, Jutaí, Barcelos e ainda serão atendidos Fonte boa e Manicoré.

    O gestor relata os critérios para acesso à tecnologia. “Um dos primeiros critérios é a renda, verificamos o CadÚnico, que é o cadastro único do governo federal para acesso aos programas sociais e as dificuldades de acesso à água e saneamento, priorizando aqueles que tenham o maior número de crianças e famílias chefiadas por mulheres”, diz.

    Sanear Amazônia premiado

    O programa ficou em primeiro lugar no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária, em 2015, onde concorreu com outras 154 práticas em seis categorias. O programa é parte de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e o Memorial Chico Mendes.


    Edição: Luis Henrique Oliveira


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