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    Mudança de hábitos


    Consumo consciente de água evita desperdício e impacta na conta

    Pequenas mudanças podem fazer diferença no seu bolso e para o meio ambiente

    Manaus - Torneira ligada à vontade, banhos demorados, encanamentos estourados, desvios de água, falta de saneamento básico e até o lixo jogado nos rios prejudicam a qualidade da água fornecida aos consumidores e, principalmente, impacta diretamente na sua saúde e no seu bolso. O uso descontrolado do líquido causa racionamento e tem sido um fator determinante aos problemas ambientais, como a escassez e a contaminação. Essa é a reposta das concessionárias para os reajustes consecutivos da conta de água no país. 

    Segundo a ONU, cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo usam fontes de água contaminadas por fezes. Todos os seres humanos são responsáveis para evitar o desperdício e o mau uso da água potável. O Brasil perde cerca de R$ 10 bilhões por ano só com desperdício. Diante dessa realidade, a necessidade de preservar a água do planeta nos faz repensar nossos hábitos de consumo. A inteligente e consciente do líquido vai muito além das questões financeiras. A água é, indiscutivelmente, um dos bens mais preciosos e necessários da terra.

    Desligar a torneira enquanto escova os dentes é uma maneira de diminuir o consumo
    Desligar a torneira enquanto escova os dentes é uma maneira de diminuir o consumo | Foto: Marcely Gomes


    A escassez e o racionamento vividos nos últimos anos por quem mora no Sudeste brasileiro, por exemplo, foi o bastante para que a população daquela região passasse a repensar o uso da água, unindo o  consumo consciente, o não desperdício e a economia para bolso.

    Mudanças de hábitos podem fazer a diferença. Alguns gestos, como o "reúso" da água na hora de lavar o banheiro, ou o carro, ao invés de utilizar mangueira, contribuem para a economia e para a preservação da água. Já pensou num mundo sem água potável? A vida não seria possível!

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    Consumo de Água - Parte 1

    Acredite, mudar é possível

    Métodos, como a utilização de arejadores (dispositivo cujo a função é misturar ar dentro de torneiras e chuveiros, criando volume e reduzindo o consumo de água), "restritores" de vazão (acessório que regula a quantidade de água utilizada), torneiras automáticas (funcionam somente por alguns segundos e fecham sozinhas) e sistemas de captação e "reúso" de água da chuva, são importantes para a redução do consumo. Este e outros mecanismos fazem parte do cotidiano da família do publicitário Salomão Neto, de 34 anos. O amazonense resolveu adotar várias medidas, inicialmente a fim de baixar o valor da conta, há cinco anos.

    "Nós começamos a coletar a água da chuva para reutilizá-la. Usamos para lavar o pátio, regar as plantas, lavar o carro ou jogar nas privadas, entre outras coisas. Logo de início, nós já sentimos uma diferença no valor da conta. Depois nós começamos a entender a importância das práticas para a preservação do planeta e manutenção da vida humana, que necessita da água para sobreviver", diz ele.

    Salomão usa o bloqueador de ar para ajudar na redução de consumo de água
    Salomão usa o bloqueador de ar para ajudar na redução de consumo de água | Foto: arquivo pessoal


    O modelo da máquina de lavar interfere no consumo?

    A família de Salomão afirma que sim. Eles trocaram a máquina de lavar automática pelo modelo tanquinho. A economia não está relacionada com a quantidade de água que cada uma comporta, mas pela possibilidade do "reúso" do líquido usado nas lavagens.

    "Trocamos a máquina, pois o tanquinho nos permite aproveitar a água quantas vezes quisermos. Já com a automática era diferente. Ao fechar um ciclo, ela jogava toda água fora e não eu conseguia aproveitar para a próxima lavagem. Essa água pode ser utilizada para lavar o pátio ou jogar nos banheiros", explica ele. 

    O publicitário revela que, após as medidas, a economia na conta de água foi de 70%. "A minha conta caiu de R$ 200 para R$ 60, em média, incluso a taxa de esgoto que é de 100% no meu bairro", revelou.

    As ligações clandestinas de água estão entre os maiores problemas que afetam o setor de distribuição de água
    As ligações clandestinas de água estão entre os maiores problemas que afetam o setor de distribuição de água | Foto: Márcio Melo

    Ligações clandestinas

    A queda no valor da conta do amazonense foi alta e chamou a atenção da concessionária. Segundo Salomão, uma equipe de fiscais esteve na casa dele para verificar se havia "gato", desvio de água irregular nas tubulações. O prejuízo com ligações clandestinas aumentou consideravelmente nos últimos anos. 

    Em 2017, a Delegacia Especializada em Combate ao Furto de Energia, água, Gás e Serviços de Telecomunicações (DECFS) realizou 70 ações contra o furto de água em toda Manaus. Foi identificado um prejuízo estimado em R$ 3.599.833,57 milhões, conforme cálculos da Manaus Ambiental.

    De acordo com dados repassados pelo Instituto Trata Brasil, quase 40% das águas tratadas no país são desperdiçadas por causa ligações clandestinas, tubulações com vazamentos ou problemas semelhantes. Além do prejuízo financeiro, que limita novos investimentos no sistema de abastecimento de água na cidade, as ligações clandestinas trazem prejuízos à população, pois diminuem a pressão na rede de distribuição, o que ocasiona interrupção no fornecimento. Sem contar, o aumento do preço cobrado pelo serviço aos consumidores regulares.

    "A grande sacada  é caminhar para que essa ideia de preservação seja realidade. Que o reúso da água seja de fato incorporado ao cotidiano da gente. O cidadão pode planejar a redução do consumo de água desde o primeiro rabisco da construção de moradias". Essa é a dica do engenheiro ambiental e professor Antônio Mesquita.

    Consumo de Água - Parte 3

    Casas sustentáveis

    Segundo o profissional, infelizmente, em Manaus, moradias planejadas e construídas com sistemas que proporcionem a possibilidade de reutilizar água ainda não é uma realidade.

    O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Manaus (Sinduscom), Frank Souza, informou que algumas construtoras locais estudam a possibilidade de entregarem, nos próximos anos, apartamentos ou casas sustentáveis. Imóveis que tenham água tratada por um sistema de tratamento de esgoto, que poderá ser utilizada em jardins e limpeza de áreas externas.

    Além do consumidor pagar mais pelos vazamentos, a irregularidade limita novos investimentos no sistema de abastecimento de água na cidade
    Além do consumidor pagar mais pelos vazamentos, a irregularidade limita novos investimentos no sistema de abastecimento de água na cidade | Foto: Marcely Gomes


    Dicas para reduzir o consumo

    Enquanto isso não sai do papel, você pode começar a incorporar técnicas de redução na sua casa. A Manaus Ambiental, concessionária responsável pelo abastecimento de água na cidade, dá dicas de como os usuários podem consumir sem desperdícios. 

    Para descobrir vazamentos

    Na instalação interna

    1) Feche o registro do hidrômetro ;

    2) Abra a torneira logo após o hidrômetroe espere toda a água escorrer ;

    3) Coloque um copo cheio de água na boca destatorneira ;

    4) Se a água do copo for sugada é sinal de que há vazamento no ramalque está ligado diretamente à rede.

    Dentro de casa

    1) Feche todas as torneiras e não use os sanitários ;

    2) Feche o registro do hidrômetro para interromper o fluxo da água ;

    3) Marque o nível da água na caixa d’agua e depois de 1h confira;

    4) Se o nível estiver mais baixo é sinal de que há vazamento nos canos ou nos sanitários da casa.

    O EM TEMPO preparou um infográfico onde mostra atitudes certas e erradas das pessoas quando o assunto é consumo de água. 

    Consumo de Água - Parte 2


    Edição: Bruna Souza


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