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    Pesquisa


    Pesquisadores do Instituto Mamirauá monitoram ninhos de jacaré no AM

    O monitoramento é realizado pelo programa de pesquisa em conservação e manejo de jacarés desde 2007

    Pesquisadora anota dados encontrados em campo. | Foto: Divulgação

    Manaus - A vegetação densa, repleta de espinheiros e outras plantas silvestres, somado ao calor característico da região amazônica são alguns dos desafios enfrentados pela equipe de pesquisas com jacarés do Instituto Mamirauá, durante uma atividade de campo. Com financiamento da Fundação Moore, os pesquisadores monitoram ninhos de jacaré-açu e jacaretinga na Reserva Mamirauá. O monitoramento é realizado pelo programa de pesquisa em conservação e manejo de jacarés desde 2007.

    De acordo com Barthira Rezende, do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Jacarés as atividades de monitoramento de áreas de nidificação visam brindar critérios técnicos e científicos para a estruturação de um sistema de manejo participativo e sustentável de jacarés.

    Para isso, a participação dos comunitários é uma parte fundamental do trabalho. “Antes das expedições de monitoramento de áreas de nidificação foram realizados mapeamentos participativos, onde os comunitários indicaram os corpos d’água com a presença e ausência de jacarés e de ninhos”.

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    Por meio dos monitoramentos dos ninhos de jacaré-açu e jacaretinga, os pesquisadores adquirem informações sobre as áreas de nidificação desses animais. “Com isso, é possível definir o zoneamento para áreas de uso e proteção para um futuro manejo de jacarés”. 

    Pesquisadora mede ovo de jacaré.
    Pesquisadora mede ovo de jacaré. | Foto: Divulgação

    Em 2017, a equipe visitou 67 lagos, e encontraram 368 ninhos de jacaré-açu e jacaretinga. Do total de ninhos visitados, foi constatado que 8,15% estavam alagados, 43,75% predados, enquanto cerca de 47,82% se encontravam em bom estado.

    Entre os animais responsáveis pela predação dos ninhos, a pesquisadora cita o jacuraru, macaco-prego, a onça-pintada e o gambá. “O ovo do jacaré é bastante nutritivo e faz parte da dieta desses animais”, explica a pesquisadora.

    Proteção das áreas

    As fêmeas de jacarés apresentam um forte cuidado parental. Esse cuidado tem início antes mesmo do nascimento dos filhotes, quando ela prepara os ninhos, próximos a pequenos corpos de água, construídos com montes de material vegetal e terra para receber os ovos que levarão cerca de 90 dias para eclodir.

    A presença da fêmea de jacaré próximo aos ninhos pode ser intimidadora, no entanto não garante que não ocorra a predação por outros animais, já citados, ou mesmo pelo homem.  Essas atividades em torno dos ninhos são registradas através de armadilhas fotográficas instaladas pelos pesquisadores do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

    As armadilhas fotográficas

    Onça capturada pela armadilha fotográfica.
    Onça capturada pela armadilha fotográfica. | Foto: Divulgação

    A instalação das armadilhas fotográficas é uma etapa importante para realização das atividades de monitoramento dos ninhos. Durante as expedições de campo, a pesquisadora, acompanhada de assistentes de campo, faz a coleta dos dados das máquinas instaladas, substituindo o cartão de memória e reinstalando o equipamento no mesmo lugar ou em um novo ponto da floresta, dependendo do status do ninho visitado.

    O equipamento possui câmeras que registram imagens coloridas, em escala de cinza ou em modo infravermelho (de acordo com a luminosidade do momento) e sensores que disparam quando um corpo com a temperatura diferente do ambiente se movimenta em frente à armadilha.


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