Fonte: OpenWeather

    Botânica


    Plantas da Amazônia são identificadas em Unidades de Conservação

    Especialistas reunidos no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro iniciaram a identificação de 4.500 amostras coletadas no âmbito do Programa Monitora do ICMBio

    | Foto: divulgação

    Rio de Janeiro - A identificação é uma das etapas do protocolo avançado de plantas do Programa Monitora – Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em suas Unidades de Conservação (UCs) com o intuito de aprimorar a gestão dessas áreas e conhecer sua efetividade na conservação da biodiversidade brasileira. 

    A ação aconteceu no herbário RB, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), em  um workshop de identificação de amostras de plantas coletadas na Amazônia que teve inicio este mês. A iniciativa conta com o apoio do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente.

    Especialistas reunidos no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro iniciaram a identificação de 4.500 amostras coletadas no âmbito do Programa Monitora do ICMBio
    Especialistas reunidos no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro iniciaram a identificação de 4.500 amostras coletadas no âmbito do Programa Monitora do ICMBio | Foto: Divulgação

    Leia também:  Maior soltura da história devolve dez peixes-bois aos rios da Amazônia 

    Durante os sete dias do workshop, um grupo de 23 profissionais, formado por taxonomistas do JBRJ, alunos de mestrado e doutorado da Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ), bolsistas do projeto e pesquisadores e técnicos do New York Botanical Garden (NYBG), trabalhou na identificação das amostras arbóreas coletadas em 11 UCs da Amazônia.

    O projeto de monitoramento começou bem antes, com a instalação de 30 parcelas permanentes distribuídas pelas UCs de norte a sul e de leste a oeste da Amazônia brasileira. Em seguida, duas equipes lideradas pelo pesquisador Douglas Daly, do NYBG, e sob a coordenação de campo do pesquisador Flávio Obermüller, passaram seis meses coletando amostras nessas parcelas e seus arredores. 

    Expedições na Amazônia

    Ao todo, as expedições foram a sete estados – Acre, Pará, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. O herbário do JBRJ, parceiro na iniciativa, é o responsável pelo recebimento das amostras, que passam a fazer parte de seu acervo. As duplicatas serão enviadas para o NYBG e para herbários próximos das UCs onde foram feitas as coletas. Esta fase do trabalho contou com recursos do Arpa e também da Fundação Moore, por meio do Projeto de Monitoramento Participativo, coordenado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE).

    Daly realiza pesquisas na Amazônia desde o início da década de 1980. Ele explica que o NYBG foi convidado a participar do programa por contar com pessoal treinado para realizar o levantamento necessário: “Os levantamentos florestais executados recentemente através do Inventário Florestal Nacional e do ICMBio estão estabelecendo uma linha de base para o monitoramento, mas deve-se considerar quais informações vão compô-la e como serão levantadas. Aí entra a participação social, que constitui o princípio fundamental da nossa iniciativa, e que, além de prática, é apropriada em vista de quem é mais afetado por mudanças nas florestas. 

    Nesse sentido, o pesquisador ressalta o papel dos mateiros ou assistentes de campo. “São eles que sabem quais são as plantas e onde elas estão. Percebemos que era preciso formar novas gerações de mateiros nas localidades, e demos início a um trabalho de capacitação. Por isso estamos aqui”, comentou.

    Já a etapa de identificação possibilitou não apenas saber quais espécies estão presentes nessas parcelas, mas também a estrutura das comunidades de plantas que elas abrigam. 

    Segundo a curadora do herbário RB, Rafaela Forzza, que participou de duas destas expedições, embora as parcelas forneçam uma amostragem mínima diante das áreas gigantescas em que estão inseridas, o trabalho realizado é um passo inicial para gerar listas de espécies para as UCs abrangidas pelo projeto. “Foram coletadas muitas amostras complementares especialmente no Parna Juruena (MT/PA) e no Parna Tumucumaque (AP)”, destacou.


    Leia maisRevista Científica abre inscrições para artigos sobre ornitologia 

    150 filhotes de tartarugas são soltos na natureza em reserva indígenaExtinção de animais gigantes prejudicou distribuição de sementes