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    Animais da Amazônia


    Peixes-bois são devolvidos à natureza e recepcionados por crianças

    10 animais são devolvidos aos rios da Amazônia onde nasceram. Os peixes-bois foram recepcionados por crianças na comunidade de Itaperu, no rio Purus

    A maior soltura de peixes-bois já realizada no Brasil aconteceu entre os dias 31 de março a 02 de abril. | Foto: Karen Canto/AscomInpa

    Manaus - Rudá, Naiá, Adana, Aboré, Baré, Anori, Caburi, Piracauera, Itacoati e Gurupá. São nomes dados pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) a peixes-bois da Amazônia, com idades variadas. Os animais chegaram ao instituto em Manaus, ainda filhotes e órfãos. Atualmente, jovens adultos, os cientistas devolvem à natureza 10 deles. Serão introduzidos ao rio Purus, um dos grandes rios da região.

    A maior soltura de peixes-bois já realizada no Brasil aconteceu entre os dias 31 de março a 02 de abril, no Amazonas. Um batalhão de profissionais no Amazonas, como biólogos, veterinários, tratadores, técnicos e demais especialistas do Inpa, estiveram envolvidos na operação. 

    A ação de devolução dos peixes-bois ao rio, contou ainda com profissionais convidados vindos do Japão e do Aquário de São Paulo.

    Também vieram outros parceiros do Peru, do Centro de Mamíferos Aquáticos do ICMBio, de Santos e da Universidade Federal de Londrina, além de profissionais do Centro de Mamíferos Aquáticos de Preservação de Balbina (AM). Ao todo, a soltura contou com cerca de 30 pessoas envolvidas.

    Crianças recepcionaram os animais no Amazonas

    Crianças dão boas-vindas aos peixes-bois devolvidos à natureza
    Crianças dão boas-vindas aos peixes-bois devolvidos à natureza | Foto: Divulgação

    Um a um, dez dos 22 peixes-bois foram retirados de um lago de piscicultura, o semicativeiro, que fica no Município de Manacapuru (a 84 km de distância de Manaus) e transportados para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu Purus, no Rio Purus. Antes de serem soltos, os animais foram recepcionados pela comunidade de Itapuru, onde dezenas de crianças aguardavam, com cartazes e músicas de boas-vindas.

    Para a pequena Isabele Silva, 9, que segurava um cartaz dando boas-vindas à Adana (um peixe-boi fêmea) a ideia de trazer os animais para a comunidade, foi aprovada.“Eu toquei em dois animais que estavam mais calminhos. O Diogo disse que os outros estavam cansados da viagem e queriam logo ir pro rio, daí a gente não podia pegar nesses. Mas eles são tão fofinhos”, comemora. 

    A proposta do programa é que a própria comunidade ajude no monitoramento dos novos moradores, evitando possíveis caçadores pelas redondezas.

    De Itapuru, os animais foram levados ao Lago do Trapinho, próximo à comunidade, e finalmente devolvidos aos rios amazônicos. Sete foram reintroduzidos no primeiro dia e os outros três na manhã do dia seguinte, no dia dois de abril. Pelos próximos dois dias, biólogos do Inpa e do Japão irão monitorar os primeiros passos dos animais longe do lago.

    Animais foram soltos no rio Purus
    Animais foram soltos no rio Purus | Foto: Divulgação

    Monitoramento

    Uma das novidades deste ano é que pela primeira vez apenas cinco dos dez peixes-bois foram soltos sem o cinto de monitoramento (telemetria).

    Segundo a coordenadora do projeto, a pesquisadora do Inpa Vera Silva, isso foi feito com base em experiências anteriores que apresentaram sucesso significativo. “Foi verificado que os animais estão aptos a sobreviverem sozinhos na natureza”, garante. Outro êxito do trabalho é a volta do peixe-boi fêmea Anori (nome do município em que foi resgatada) estar voltando ao local de origem.

    A pesquisadora acrescenta que desde o início do projeto, em 1974, quando o Instituto recebeu o primeiro peixe-boi, a ideia sempre foi de reabilitar e conduzir os animais de volta ao seu habitat. “A convivência faz com que você se apegue aos peixes-bois, uns mais que outros, mas o objetivo do projeto sempre foi esse, de trazê-los novamente à natureza”, conta.

    Peixes-bois foram soltos no rio Purus
    Peixes-bois foram soltos no rio Purus | Foto: Divulgação

    Animais serão monitorados

    Para o biólogo à frente do projeto, Diogo Souza, a operação foi um sucesso. “Os dez animais foram reintroduzidos tranquilamente pela equipe. Essa etapa inicial é fundamental para sabermos se eles irão se adaptar novamente à natureza. Vamos recolher informações importantes para traçarmos a estratégia de manejo e conservação da espécie”, afirma.

    Souza garante que tudo saiu conforme o planejado. “Apesar de alguns dos animais demonstrarem momentos de estresse, o que é normal em uma grande operação como esta, a nossa equipe é bem qualificada e conseguiu sanar isso”, analisa.

    O desafio dos animais agora é se integrar novamente ao habitat. A tarefa  consiste em reaprender a estar no rio, conviver com o período de cheia e seca, buscar alimento, reconhecer o ambiente e sentir a Amazônia. O que pode parecer uma condição natural em se tratando de animais silvestres, acaba se tornando uma atividade difícil. Os mamíferos tiveram o ciclo natural interrompido, quando se tornaram vítimas dos caçadores.  

    Animais serão monitorados pelo Inpa e parceiros da ação
    Animais serão monitorados pelo Inpa e parceiros da ação | Foto: Divulgação

    Etapas da liberdade 

    Os peixes-bois chegam ao Instituto filhotes e órfãos. Eles tiveram as mães capturadas e mortas e foram encaminhados ao instituto. Nos tanques do Bosque da Ciência do Inpa, os animais ficam, em média, de 3 a 6 anos. No cativeiro, são alimentados e acompanhados por veterinários, técnicos e tratadores. Ao atingirem a juventude, os peixes-bois são encaminhados para o semicativeiro, um lago de piscicultura, localizado em uma fazenda de Manacapuru.

    Longe dos aquários restritos do Inpa, a autonomia dos animais no semicativeiro é maior. Nesta fase, em comparação à primeira, o contato com homem é cada vez menor. No lago, o peixe-boi passa a alimentar-se sozinho, em um local muito similar ao natural. A ideia é que o animal comece a se familiarizar com o ambiente que vai encontrar na fase seguinte, em liberdade.

    Na fase final, ocorre a reintrodução dos peixes-bois à natureza. São soltos e monitorados por mais dois anos pelos especialistas do Inpa, sempre com a ajuda dos comunitários.

    Atividades Futuras

    Ainda para este ano de 2018, a expectativa é que 15 peixes-bois sejam transferidos do Inpa, onde há mais de 50 animais, para o semicativeiro em Manacapuru. Para 2019-2020, o objetivo é que mais 20 peixes-bois sejam reintroduzidos na RDS Piagaçu-Purus, e no mesmo período fazer a translocação de 25 animais do cativeiro do Inpa para o semicativeiro em Manacapuru

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