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    Extinção


    Extinção de animais gigantes prejudicou distribuição de sementes

    A ausência de mamíferos gigantes nos ecossistemas do continente se faz sentir na dinâmica de dispersão das maiores sementes, como, por exemplo, do pequi

    A ausência de mamíferos gigantes nos ecossistemas do continente se faz sentir na dinâmica de dispersão das maiores sementes, como, por exemplo, do pequi | Foto: Divulgação

    Manaus - A extinção de mastodontes, preguiças-gigantes e tatus do tamanho de Fuscas, que ocorreu na mais recente Era do Gelo, foi uma tragédia biológica que repercute na ecologia da América do Sul mais de 10 mil anos depois, segundo um estudo do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas.

    De acordo com o biólogo Mathias Mistretta Pires, do Instituto de Biologia da Unicamp, poucos dos frugívoros, que são os animais que se alimentam essencialmente de frutos, conseguem engolir uma semente desse tamanho e transportá-la em seu trato digestivo para dispersá-la no meio ambiente. Preguiças-gigantes e gonfotérios (parentes dos elefantes) faziam isso.

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    Não foram somente as maiores sementes que perderam o seu meio de transporte. A extinção da megafauna também reduziu o raio de dispersão de sementes quando comparado à dispersão feita pelos maiores mamíferos viventes, como a anta.

    Megafauna transportava sementes gigantes no trato digestório

    Um novo estudo calculou a distância que preguiças-gigantes (megatérios) ou mastodontes (gonfotérios) percorriam transportando sementes em seu trato digestório antes de defecá-las no meio ambiente. “Conseguimos dar números aos argumentos verbais sobre a importância desses grandes animais”, explica Pires, primeiro autor de um estudo que quantifica as distâncias de dispersão de sementes pela megafauna.

    O estudo foi feito em coautoria com os professores Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, e Paulo Roberto Guimarães, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). Publicado na revista Ecography, o trabalho foi realizado no âmbito do Projeto Temático “Consequências ecológicas da defaunação na Mata Atlântica”, coordenado por Galetti.

    A extinção dos frugívoros gigantes reduziu as chances de dispersão das espécies de plantas com maiores sementes, como o abacateiro. Por consequência, as sementes que caem da planta-mãe têm menos chances de germinar e crescer. Se não podem ser engolidas e transportadas intactas, as sementes no solo ficam à mercê de predadores de sementes, como os roedores, que mastigam as sementes, matando o embrião.

    Ao mesmo tempo, sementes que caem ao solo e lá permanecem têm menos chance de germinar e crescer, dado que as plantas jovens competem por luz solar, água e nutrientes do solo com a planta-mãe.

    “As plantas que mais perderam com a extinção da megafauna foram aquelas espécies que outrora eram muito usadas por paleoíndios, mas que hoje não são tão usadas”, disse Galetti.

    Ação humana ajuda na distribuição de sementes

    Segundo ele, se por um lado a perda da megafauna reduziu as possibilidades de dispersão de sementes, a introdução do fator humano serviu, em alguns casos, de contrapeso.

    “A ‘sorte’ das plantas que eram dispersadas pela megafauna foi que elas tiveram outros dispersores de sementes, como humanos, cutias e a água, no caso do Pantanal. Mas, com a simplificação dos ecossistemas, muito mais plantas ficarão órfãs”, disse.

    “Se por um lado perdemos aqueles grandes dispersores, por outro lado, o javaporco, uma espécie invasora, está dispersando alguns desses megafrutos. Não sabemos se essa espécie invasora substituirá o papel das antas e macacos, mas, pelo menos para alguns frutos, achamos que sim”, disse Galetti.


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