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    Saúde


    Alimento vendido como integral? Nem sempre!

    Encontrar produtos disponíveis nos mercados com composição 100% integral é um desafio no Brasil devido à leis permissivas

    “As pessoas aprenderam a comparar os rótulos dos produtos e as empresas precisam ser cada vez mais transparentes, pois o consumidor está atento”.
    “As pessoas aprenderam a comparar os rótulos dos produtos e as empresas precisam ser cada vez mais transparentes, pois o consumidor está atento”. | Foto: Reprodução


    Encontrar produtos disponíveis nos mercados com composição 100% integral é um desafio, diz Angela Maria, 38 anos, paulista, mãe de dois filhos em idade escolar. “As pessoas aprenderam a comparar os rótulos dos produtos e as empresas precisam ser cada vez mais transparentes, pois o consumidor está atento”, enfatiza a nutricionista Michelle Cavalcante.

    A lei que regulamenta o setor é de 1969, que originalmente exigia um mínimo de 50% de base integral na formulação de produtos considerados integrais. Mas essa lei foi alterada no ano de 2000, havendo um retrocesso na transparência junto ao consumidor, pois foi retirada a exigência de um produto possuir um percentual mínimo, de ingrediente integral, para ser considerado integral. Desta forma, apenas pode conter um único ingrediente integral, não importando sua quantidade.

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    “A legislação brasileira atual é muito permissiva e não obriga um percentual mínimo para a composição dos produtos integrais, por isso, buscamos uma certificação internacional”, diz Fernando Ramos, Diretor Comercial na Da Magrinha - fazendo referência a certificação WHOLE GRAIN, já amplamente reconhecida nos Estados Unidos e Europa.

    Embora a legislação permita que empresas digam que seus produtos são integrais, quando na verdade podem conter 99,9% de ingredientes não integrais, essa falta de rigor pode significar uma oportunidade. O mercado de alimentação saudável já movimenta US$ 35 bilhões por ano e, por consequência, aumentou sua demanda por inovação, variedade e qualidade no setor.

    Fundada em 1991, em Florianópolis, a Da Magrinha inovou sendo a primeira marca com a linha completa de produtos 100% integrais. “Integral de Verdade, essa é a nossa causa! E os números tem se mostrado favoráveis, crescemos 10 vezes nos últimos 5 anos e esse é só o começo”, complementa Fernando. A Da Magrinha se destaca por manter um toque artesanal mesmo com um mix abrangente de produtos, composto de Snacks de Granola, Pipoca Zero Gorduras, Multigrãos (cookies salgados), complementos alimentares e a Linha Amazônica, com snacks, cookies e granolas. Sua linha de produtos é amplamente encontrada em 10 estados brasileiros e esse ano a marca inicia uma forte expansão para o estado de São Paulo

    Embora uma mudança na lei possa forçar as indústrias a revisarem suas linhas de produtos, esse seria um grande avanço para o consumidor. Pois, hoje, não há a obrigatoriedade de informar tudo nas embalagens e isso possibilita que muitas empresas não possuam um transparente controle de qualidade. Algo que pode mudar com o atual projeto de lei nº 6.797, que visa exigir que alimentos considerados integrais possuam um mínimo de 50% de ingredientes integrais em sua composição

    A alimentação saudável já provou que não é apenas uma moda passageira, mas sim, uma forte tendência no setor de alimentos. De acordo com um estudo da Euromonitor, o mercado de alimentação ligado à saúde e ao bem-estar cresceu 98% no país de 2009 a 2014. Caminhando a passos largos, o setor mais do que dobrou de tamanho nos últimos 10 anos, com crescimento superior a 100%.

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