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    Conflito


    EUA x Irã: especialistas acreditam que não haverá guerra

    As chances de que uma guerra aconteça são muito pequenas porque não é viável para ambos os países

    Restos do Boeing 737 que caiu na quarta (8), no Irã. | Foto: WANA NEWS AGENCY

    Manaus - A tensão entre Irã e Estados Unidos tem gerado preocupação em líderes mundiais e também uma enxurrada de memes na internet: o temor é que aconteça a “Terceira Guerra Mundial”. O termo sempre volta à tona em situações de crise entre grandes potências. Entretanto, mesmo com todo o reboliço, especialistas em relações internacionais e cientistas políticos não acreditam que o conflito possa realmente acontecer. 

    Na última quarta (8), o Irã lançou mísseis balísticos contra bases aéreas americanas no Iraque, em resposta à sanção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que autorizou o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani. Para fomentar ainda mais as expectativas por um confronto armado, um míssil iraniano causou a queda do Boeing 737, da companhia aérea ucraniana Ukraine International Airline.

    Anúncio foi feito por meio do Twitter
    Anúncio foi feito por meio do Twitter | Foto: Divulgação


    A aeronave caiu, após decolar do Aeroporto Internacional de Teerã (no Irã), com 176 pessoas a bordo. Fontes americanas garantira, horas após o acidente aéreo, que o avião foi derrubado por engano pela defesa antiaérea de Teerã.

    Rebeca Caeiro, mestre em Relações Internacionais e professora do curso homônimo da Faculdade La Salle, em Manaus, explica que as chances de que uma guerra com proporções internacionais aconteça são muito pequenas.

    “Esse enfrentamento direto, apesar de ser muito temido, tem pouca possibilidade de se efetivar”. 

    Rebeca explica que, de fato, a relação entre os Estados Unidos e o Irã tem sofrido uma escalada de intensidade, sendo alvo de preocupação da sociedade internacional. O presidente Donald Trump disse que possui 52 alvos para futuros bombardeios no Irã, caso o país insista em vingar o assassinato do comandante Qassim Suleimani.

    “Não existe uma supremacia militar das duas partes que seja suficiente para aniquilar o outro lado”. Segundo ela, os Estados Unidos são uma potência, mas não dispõem do aparato necessário para ocupação completa do Irã, tendo em vista que já tentou invadir países como Iraque e Afeganistão e não foi bem sucedido.

    “Contra o Irã, os EUA têm menos chances ainda de fazer uma ocupação porque o país é uma grande potência do Oriente Médio”, esclarece.

    Por outro lado, o Irã também não tem capacidade militar para responder e sobrepujar a força dos Estados Unidos.

    “Ambas as partes não tem certeza da possibilidade de sobressair completamente o outro lado e de ser bem sucedido em um esforço bélico pontual sem muitos custos de vida, custos políticos e custos econômicos”, diz. 

    Rebeca Caeiro é mestre em Relações Internacionais
    Rebeca Caeiro é mestre em Relações Internacionais | Foto: Arquivo Pessoal


    Envolvimento internacional

    A principal razão pela qual a maioria dos especialistas não aposta em uma guerra em nível mundial é o fato de que um confronto direto traz uma série de prejuízos para cada país, que envolvem muito dinheiro, instabilidade econômica, acordos políticos e vidas de militares. Existem ainda outros países que podem acabar se envolvendo nesse confronto, o que geraria um ônus ainda maior, como Reino Unido, Franca, Rússia e China. 

    O professor do curso de Relações Internacionais da Uninorte, em Manaus, Jonathan Lopes, também não acredita que o conflito cause uma nova guerra no mundo.

    “Acredito que seja muito difícil um conflito global. O nível de armamentos hoje inibe um confronto de tais dimensões, e as grandes potências militares não têm interesse em um embate desse nível. Além do poder destrutivo dos armamentos, as implicações econômicas de um confronto global não o tornam interessante para nenhuma das partes. O mais provável é que, caso venha a ter uma escalada, o conflito global seja de âmbito regional”, afirma. 

    Para Jonathan, ainda é cedo para dimensionar a questão. “Vai depender da resposta de Trump aos ataques iranianos e do apoio que terá do congresso, mas a hipótese de um conflito global me parece distante”.

    Brasil na guerra

    “Caso exista uma guerra entre as duas partes, Estados Unidos e Irã, o Brasil não ocupa lugar de destaque e protagonismo internacional para estar envolvido neste combate”, sustenta Rebeca Caeiro. Ela diz que o Brasil não tem peso no jogo político que envolve a região do Oriente Médio.

    “A possibilidade de o Brasil ser um alvo de ataques, palco da guerra ou se envolver diretamente neste confronto é muito pequena, por conta do não protagonismo que ele exerce tradicionalmente nos assuntos relacionados ao Oriente Médio. Um ataque direto ao Brasil também é muito difícil. Podem ocorrer ataques a alvos americanos em qualquer parte do mundo, embora o mais provável seja em territórios do Oriente Médio”, diz Jonatha.

    O que pode trazer um pouco mais de preocupação é o fato de que, numa situação como essa, o Brasil “tome as dores” de um dos lados, atuando como militante no combate. Como já tem sido sinalizado desde o início do governo Bolsonaro, numa redirecionada de política externa pró Donald Trump.  

    Envio de soldados

    O Brasil pode atuar nos conflitos internacionais também por meio do envio de soldados. Rebeca Caeiro explica que isso só é possível desde que haja declaração aberta de participação do país em um determinado conflito, para o qual ele envia tropas.

    A outra forma de envio de soldados é via operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), que foi o que o Brasil fez no Haiti e no Timor Leste.

    No Haiti, o Brasil liderou a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, ou MINUSTAH. O país também foi o que mais contribuiu com contingente militar. Ao todo, Ministério da Defesa afirma que 37.449 militares brasileiros participaram da operação – que durou 13 anos e 137 dias. No Timor Leste, o país participou de cinco operações de paz, desde 1999.

    “A participação em um conflito armado não é algo tão repentino, os custos para o engajamento de uma guerra são muito altos, não só para o Brasil”, acrescenta Rebeca. 

    Poder bélico

    Quando o assunto é conflito bélico, os países mais relevantes são Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia. Estes cinco países são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e têm poder de veto nas decisões do Conselho, tamanha a importância deles. 

    Eles são importantes no sistema internacional por fatores como economia, tamanho, população, potencial político, e, eventualmente, potencial bélico, são países que ocupam protagonismo na arena internacional. Além deles, têm países que regionalmente são muito relevantes. No Oriente Médio, Irã e Israel; na Ásia, Índia; entre outros. 

    Merecem atenção

    A enxurrada de memes na internet brasileira é muito divertida. No entanto, Rebeca Caeiro acredita que os brasileiros estão se preocupando com o conflito errado. Segundo ela, existem outras situações que nos afetam mais diretamente