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    Cotidiano


    Arábia Saudita demite poderoso ministro do Petróleo

    Ele assumiu como ministro do Petróleo em 1995, e seu estilo representava forte contraste com o de seu memorável predecessor, o extravagante Zaki Yamani - foto: divulgação
    Ele assumiu como ministro do Petróleo em 1995, e seu estilo representava forte contraste com o de seu memorável predecessor, o extravagante Zaki Yamani - foto: divulgação

    A Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, anunciou neste sábado (7) a demissão de Ali al-Naimi do Ministério do Petróleo do reino, que ocupava o cargo desde 1995.

    Em seu lugar assumirá Khalid al-Falih, então ministro da Saúde. Ele também é presidente do conselho de administração da petroleira estatal Saudi Aramco.

    A televisão estatal saudita citou decreto real que indica ainda que o Ministério do Petróleo foi renomeado para se tornar o Ministério de Energia, Indústria e Mineração.
    O rei Salman da Arábia Saudita reestruturou alguns ministérios e reformulou seu gabinete para nomear novos ministros em uma série de decretos reais.

    Além do ministro do Petróleo, ele substituiu os ministros responsáveis por água, transportes, comércio, assuntos sociais, saúde e de peregrinação e estabeleceu uma nova comissão de lazer e cultura.
    Naimi, 81, que chegou a ser o homem mais poderoso do mercado mundial de petróleo, era contra a redução da produção de petróleo da Arábia Saudita mesmo durante a recente queda dos preços da commodity. Ele também já presidiu a Saudi Aramco.

    Ele assumiu como ministro do Petróleo em 1995, e seu estilo representava forte contraste com o de seu memorável predecessor, o extravagante Zaki Yamani. Naimi é o epítome do profissionalismo da Saudi Aramco, um oásis de meritocracia na sociedade tribal e estratificada do reino, que vive sob um regime monárquico absolutista.

    Ainda que Naimi conhecesse a fundo a empresa estatal de petróleo, ele não tinha grande experiência em política petroleira internacional. Isso agradava ao então rei Fahd, que desejava separar o petróleo da política externa.

    Desde o final de 2014, Naimi vinha sendo o principal protagonista da guerra para proteger a sobrevivência petroleira em longo prazo da Arábia Saudita. A recusa de Riad de amparar os preços em queda do petróleo virou o setor petroleiro de cabeça para baixo, afetando mais visivelmente a produção de alto custo, o que inclui os produtores norte-americanos de petróleo de xisto betuminoso, o segmento do setor de energia que forçou Naimi a se engajar em combate.

    A economia do reino sofreu um abalo, o que deflagrou sérias críticas ao plano de Naimi para uma desvalorização masoquista da commodity de que o Estado saudita tanto depende.

    A influência de Naimi na Arábia Saudita atingiu seu zênite durante o reinado do rei Abdullah, que morreu no ano passado, pouco depois da histórica decisão de manter abertas as torneiras do petróleo.

    Por Folhapress