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    Cotidiano


    Crianças são maioria entre vítimas de atentado na Síria

    Havia pelo menos 68 crianças entre as 126 vítimas fatais do atentado - Divulgação

    Ao menos 125 sírios, incluindo 68 crianças, que estavam sendo retirados das localidades sitiadas e leais ao regime sírio morreram no atentado com uma caminhonete-bomba realizado no sábado (15) contra um comboio de ônibus. O ataque é um dos mais violentos em mais de seis anos de guerra. Os mortos eram em maioria moradores dos vilarejos de al-Foua e Kefraya, na província de Idlib, mas incluíam combatentes rebeldes que realizavam a segurança do comboio.

    Um suicida explodiu sua caminhonete contra o comboio de 75 ônibus que transportavam habitantes de regiões leais ao regime assediadas pelos rebeldes, segundo o OSDH (Observatório Sírio de Direitos Humanos).

    O ataque aconteceu em Al Rashidin, periferia rebelde a oeste de Aleppo (norte), onde o comboio foi bloqueado durante várias horas por desacordos entre as partes em conflito.

    Havia pelo menos 68 crianças entre as 126 vítimas fatais do atentado, informou neste domingo (16) o OSDH, alertando que o balanço pode mudar, pela quantidade de feridos em estado grave.
    No local, ficaram os ônibus carbonizados e, ao lado de uma cratera, uma caminhonete, provavelmente a utilizada no ataque, completamente destruída.

    "Houve uma enorme explosão", conta Mayssa al Aswad, de 30 anos, que estava sentada em um ônibus com seu bebê de seis meses e sua filha de dez anos no momento do atentado. "A morte pode te surpreender em alguns minutos", acrescentou.

    Poucas horas depois do ataque, os comboios de pessoas retiradas retomaram o caminho para chegar a seu destino final.

    O regime sírio acusou pelo atentado os "grupos terroristas", termo utilizado pelo governo para designar rebeldes e extremistas. Não houve reivindicação de responsabilidade pelo ataque e a principal oposição armada da Síria condenou o ataque a bomba, com grupos lutando sob a bandeira do Exército Livre da Síria descrevendo-o como um "ataque terrorista traiçoeiro".

    O secretário-geral adjunto de assuntos humanitários e coordenador dos serviços de emergência da ONU, Stephen O'Brien, disse estar "horrorizado" por este ataque "monstruoso e covarde". Seus autores "demonstraram uma descarada indiferença pela vida humana", ressaltou.

    A operação de retirada, que também abarca milhares de habitantes das localidades rebeldes de Madaya e Zabadani, perto de Damasco, começou na sexta-feira. Mais de 7.000 pessoas já deixaram as quatro localidades.

    Folhapress