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    O adeus a Oscarino Varjão. Relembre a trajetória do ventríloquo

    Fãs e artistas locais lamentam a perda do ventríloquo e as histórias engraçadas que o boneco Peteleco deixa de contar

    Peteleco nasceu em 15 de maio de 1957, no dia em que Oscarino completou 20 anos | Foto: Reprodução

    Manaus — "Se eu morrer, o que vai ser de ti, Peteleco?". O boneco que acompanhou o ventríloquo Oscarino Farias Varjão por mais de 60 anos descansou os olhos junto ao seu dono neste domingo (15). Figura conhecida entre o grande público e ainda mais querido no meio artístico, Oscarino veio à óbito após uma parada cardiorrespiratória em decorrência de um câncer de estômago. Fãs e artistas locais lamentam a perda do ventríloquo e as histórias que o boneco Peteleco para de contar.

    Quem viveu na década de 60 deve lembrar das risadas que ecoavam da rua Marquês de Santa Cruz, no Centro. Nas proximidades do Mercado Adolpho Lisboa, Oscarino e seu parceiro Peteleco faziam a alegria de quem passava por ali. As histórias que o ventríloquo e seu boneco contavam muito sobre o espírito brincalhão que Oscarino possuía em vida.

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    Debochado e sincero ao extremo, o boneco era motivo de alegria não apenas para o público, mas também para o ventríloquo. "Esse boneco representa tudo de bom para mim", contou Oscarino no documentário "Oscarino & Peteleco", dirigido por Anderson Mendes. "Quando criei ele, eu sabia que divertiria as pessoas, mas não sabia que ia conviver tanto com ele".

    Nascido no Paraná do Xiborena, no Rio Solimões, Oscarino veio morar na capital amazonense ainda adolescente. Aqui, estudou apenas até a quarta série do Ensino Fundamental, mas continuou aprendendo na vida com a ajuda de amigos e do seu fiel companheiro Peteleco. Contrariando o pai, não seguiu a carreira de médico e continuou criando bonecos.

    O boneco nasceu em 15 de maio de 1957, no dia em que Oscarino completou 20 anos de idade. Durante mais de 60 anos, era difícil dizer qual dos dois era a atração. "Na minha concepção, o artista é você, Peteleco", afirmou Oscarino em seu documentário em tom de gratidão. "Nós trabalhamos juntos e, todos os bens que eu possuo, foi você que me deu tudo".

    O secretário de Cultura, Denilson Novo, lembra com carinho da sua primeira memória com a dupla comediante. "A primeira vez que o vi foi quando era criança, em minha escola", conta ele. "Absolutamente todos os alunos de todas as salas estavam lotando um salão imenso para assisti-lo. Até hoje não  esqueci aquele dia em que não conseguíamos parar de rir com um boneco que parecia ter vida própria".

    Para Denilson, é inegável a contribuição artística que a dupla deixa para o Estado. "Ele deixa muito mais que boas memórias, deixa um legado de um homem fiel ao seu trabalho, dedicado à sua arte e, acima de tudo, de alguém que transformou a vida de muitos amazonenses com sua simplicidade e talento”, afirma o secretário.

    A diretora teatral Socorro Andrade conta que o seu primeiro contato com o teatro de bonecos foi graças à dupla Oscarino & Peteleco. "Meu pai contratava o show do Peteleco pra se apresentar em casa. Também não perdia um só o programa do Peteleco, na extinta TV Ajuricaba. Todos os dias tava lá o Peteleco cantando a musiquinha 'O Bom menino'", conta ela. "Tudo o que sou hoje, vem da minha infância. Seu Oscarino tinha um profundo respeito pelo meu pai... E eu por ele".

    Em seu documentário, Oscarino relembra quando o boneco ganhou projeção nacional no Programa do Jô e quando, em 2016, Peteleco foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial de Manaus. "Eu nasci para cumprir o meu destino aqui, é essa a vida que eu levo", diz. "Eu nasci ventríloquo, foi Deus que me fez isso".

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