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    Cultura


    Arlindo Jr fala da depressão que passou ao sair do Caprichoso

    Arlindo Jr voltará ao Caprichoso como apresentador do boi - foto: reprodução
     
    Nem bem assumiu a presidência do Boi Caprichoso e Joilto Azedo já realizou mudanças que balançaram as estruturas de torcedores e, principalmente, dos artistas ligados ao bumbá azul e branco.
    Dentre elas, a troca de função de Júnior Paulain - que até então ocupava o cargo de apresentador – para amo do boi, a volta da ex-porta-estandarte Karyne Medeiros como sinhazinha da fazenda e talvez a maior mudança de todas: a volta de Arlindo Jr. como apresentador.
    Em entrevista ao EM TEMPO, Arlindo – que está no seu terceiro mandato como vereador – afirma que o convite foi feito em um dia e aceito na mesma hora, que ficou em depressão 4 anos após seu afastamento do bumbá, ressalta que é amigo sim da ex-presidente do boi Márcia Baranda (mesmo que alguns achem o contrário) e que está preparado para defender o item que, por muitos anos, ficou sob o seu comando.
     
    EM TEMPO – Você fez uma aparição surpresa durante a apresentação do Caprichoso no Festival Foclórico de Parintins este ano. Aquele foi o momento no qual pensou que era a hora de voltar?Arlindo Jr. – Esse sentimento surgiu primeiramente quando participei da gravação do DVD oficial do Caprichoso, no curral Zeca Xibelão, em Parintins. E se consolidou com a minha aparição no bumbódromo. Foi uma loucura! As pessoas sempre me perguntavam por que tinha saído, me afastado... Apenas sei que é chegada a hora do meu retorno. Voltei porque amo minha galera e amo meu boi.
     
    EM TEMPO – Como foi feito o convite pelo atual presidente do boi Joilto Azedo?AJ – Fui procurado no último domingo, dia 3 e na mesma hora aceitei. Foi tudo muito rápido, não teve uma história ou negociação. A minha história é de amor com o Caprichoso, não dinheiro como muitos acham. Somente sentimento e estou muito feliz.
     
    EM TEMPO – Como se deu seu afastamento do boi em 2007?AJ – Sou um soldado do Caprichoso e sempre que precisarem de mim estarei lá. Algumas pessoas quiseram me tirar, não foi apenas uma. Aliás, a associação folclórica, de fato, nada tem a ver com isso. Muitos que passaram por lá não pensam na agremiação, somente no poder.
     
    EM TEMPO – E como foi esse período sabático?AJ – É a primeira vez que confesso isso para alguém. Achei que estava acabado, que realmente não prestava. Fiquei muito mal, entrei em depressão. Parei de fazer shows, deixei de cantar, deixei minha carreira de lado. Não fiz mais nada. Depois de algum tempo a galera do Caprichoso começou a me cobrar sobre isso. Porém, passei 3 ou 4 anos nessa situação. Só fazia dois eventos por ano: uma no Carnaboi e outra no Boi Manaus. Foi quando decidi voltar à ativa. Gravei um CD, meu primeiro DVD, meu segundo DVD e as coisas começaram a engrenar novamente.
     
    EM TEMPO – Durante muito tempo você e David Assayag (já foi levantador do Garantido) foram rivais. Agora, vocês jogam no mesmo time. Como é essa relação?AJ – É bem melhor! Somos amigos e acredito que será ótimo tê-lo ao meu lado defendendo um item tão importante. Na verdade, sempre foi um sonho tanto do Garantido, quanto do Caprichoso ver essa dobradinha. Sempre quiseram ver dois artistas de certa magnitude juntos. Finalmente conseguiram.
     
    EM TEMPO – Você é vereador em Manaus e com a proximidade do festival a sua agenda certamente ficará complicada. Como fará para manter esse contato direto com a associação folclórica?AJ – Hoje em dia existe a internet e com ela uma série de ferramentas como WhatsApp, Skype e tantas outras que permitem fazer conferências. Vai ser muito mais fácil do que era no passado. Sem falar que boa parte das decisões do boi são tomadas em Manaus, por pessoas que moram na capital. Porém, terei o final de semana livre para ir até Parintins e fazer tudo o que for necessário.
     
    EM TEMPO – De uns anos para cá, o que se percebeu é que os bois viraram um grande comercial. Como você analisa isso?AJ – De fato virou sim um grande comércio, um cabide de empregos. O amor e a paixão foram deixados de lado. Cabe a essa nova diretoria resgatar o orgulho de ser Caprichoso, de estar ali por querer. Sem isso nada vai funcionar. É torcer e se sentir vitorioso mesmo que se perca. Afinal de contas, a vitória é consequência de um bom trabalho. É preciso saber que o dinheiro deve ser gasto na arena e não fora dela. Não podemos acabar com essa festa, a cidade de Parintins não pode perder isso.
     
    Leia a entrevista completa no caderno Plateia da edição de domingo (10/11) do Amazonas EM TEMPO