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    Artes visuais


    Artista plástica transforma o lixo em grandes obras de arte

    Eliana Chaves reúne resíduos de materiais descartados e dá novos significados ao lixo

    A artista se inspira em vários elementos amazônicos para realizar suas obras | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - No dia a dia é comum utilizar e descartar muitos materiais sem nem pensar em como poderiam ser reaproveitados. Apesar da prática da coleta seletiva e reciclagem estarem cada vez mais presentes na sociedade, ainda é difícil enxergar um destino diferente para o produto descartado.

    Se para uns o produto acaba ali, no lixo, para outros, o lixo é a solução. Artistas plásticos aderem, cada vez mais, à criação sustentável. Com a reutilização de materiais para a produção de obras eles atraem os olhares de curiosos e a atenção das pessoas em geral. Muitas vezes, a mudança é tão grande que os produtos finais não se parecem nada com material reciclado.

    Este é o caso da artista plástica Eliana de Sousa Chaves, de 54 anos, que utiliza o método “upcycling”, também conhecido como reutilização criativa. Processo de transformação de subprodutos, resíduos, produtos inúteis ou indesejados em novos materiais ou produtos de melhor qualidade ou com maior valor ambiental. 

    Entre suas obras, podemos destacar a obra “O Casco da Tartaruga”, em que Eliana selecionou materiais que não tinham mais uso e ressignificou em obra de arte. A artista comenta que o processo artístico é totalmente intuitivo, indo na contramão do processo linear que muitos artistas utilizam.

    Eliana parte da inspiração de elementos da Amazônia feitos com resíduos descartados
    Eliana parte da inspiração de elementos da Amazônia feitos com resíduos descartados | Foto: Leonardo Mota

    “Eu senti vontade de fazer o casco da tartaruga e não de fazer a tartaruga. Não entendi o que queria no início, só conseguia visualizar o casco. Para esta obra eu utilizei telas de galinheiro e fiz tirinhas de plástico residual de xampu, produtos de limpeza, cremes de cabelo. Procurei materiais que tivessem a tonalidade desejada. Para dar volume ao caso, utilizei a técnica de mosaico em graduação de cores e para reforçar isso preenchi o interior com várias sacolas plásticas. Ao redor da obra, construir uma estrutura de pallets para dar a impressão do peso real de um casco de tartaruga”, detalhou Eliana.

    Após todo o processo, a artista comentou que não sentiu vontade de construir o restante da tartaruga, dando formas para que remetessem ao animal vivo. E apenas após observar profundamente, Eliana concluiu que a essência da obra está no casco vazio.

    “Eu olhei para o caso e percebi que, desde o começo, procurei retratar o casco vazio. Pois no meu processo intuitivo quis demonstrar o casco da tartaruga morta. Hoje em dia, infelizmente é comum as tartarugas morrem por ingerir resíduos de plástico”, declarou a artista.

    Carreira

    Nascida em Santos (SP) e erradicada em Manaus na adolescência. Com formação em Artes Visuais e Arte-terapia, Eliana Chaves se mudou para a capital paulista aos 30 anos e após imponderáveis da vida, aos 50 anos, voltou à capital amazonense inspirada pelos elementos da região amazônica e a arte-terapia.

    Além de artista visual, Eliana é arte-educadora e trabalha orientando pessoas a reutilizar materiais descartados
    Além de artista visual, Eliana é arte-educadora e trabalha orientando pessoas a reutilizar materiais descartados | Foto: Leonardo Mota

    Ao ser questionada da primeira lembrança da arte em sua vida, Eliana conta com entusiasmo que aos sete anos fabricava seus próprios brinquedos. “Eu, filha de proletariado, vivia em uma época que o hábito de consumo não era tão grande. As crianças não tinham muitos brinquedos. Fabricava meus próprios brinquedos. Quando retorno a essa fase da vida, eu consigo me lembrar que eu me divertia mais na construção dos brinquedos do que o próprio ato de brincar com eles”, confessou Eliana.

    Visão artística

    Além do trabalho artístico, Eliana é arte-educadora e ensina e orienta pessoas a como confeccionar obras artísticas por meio do aproveitamento de resíduos descartados. 

    Eliana almeja ser reconhecida como uma artista que transforma o descartável em algo belo
    Eliana almeja ser reconhecida como uma artista que transforma o descartável em algo belo | Foto: Leonardo Mota

    “Me vejo no futuro como uma artista visual que tenta registrar o momento em vivemos hoje, com essa intensidade de descarte de materiais. Mas como uma artista que ajuda na procura de soluções de destinação desses resíduos. Conta a história através do belo usando principalmente a matriz amazônica que me inspira. Quando mais tempo eu passo na Amazônia, mais eu me sinto enraizada nessa cultura”, declarou Eliana.

    A artista também orienta para quem está começando a trilhar a jornada que é ser artista na Amazônia. “Os artistas podem ter um olhar mais criativo. O indígena, por exemplo, observa o os materiais da natureza que tem ao seu redor. Nós, artistas do urbano, podemos coletar os elementos que estão em desuso e dar novos significados a esses materiais”, orientou a artista.

    As obras estão expostas no galeria de arte Manaus Amazônia
    As obras estão expostas no galeria de arte Manaus Amazônia | Foto: Leonardo Mota

    As obras de Eliana e mais outros artistas estão expostas de segunda a sexta-feira, das 15h às 18h, na Manaus Amazônia Galeria de Arte localizada na avenida Humaitá, bairro Cachoeirinha, Zona Centro-Sul de Manaus.