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    Cultura


    Crítica de cinema no Amazonas é tema de mesa redonda em Manaus

    Participam do encontro nomes como José Gaspar, Ivanildo Pereira, Isabel Wittman e Gustavo Soranza, com mediação de Diego Bauer - foto: divulgação
    Participam do encontro nomes como José Gaspar, Ivanildo Pereira, Isabel Wittman e Gustavo Soranza, com mediação de Diego Bauer - foto: divulgação

    A atual situação da crítica cinematográfica no Amazonas é tema de mesa-redonda que será realizada hoje, a partir das 19h, no Espaço Thiago de Mello da livraria Saraiva. Promovido pelo site Cine Set (www.cineset.com.br), o bate-papo vai reunir pesquisadores, ex-cineclubistas e colaboradores de veículos especializados.

    “Ter a chance de debater cinefilia e crítica com o público e com os palestrantes convidados é um feito muito especial para nós”, explica Susy Freitas, coordenadora do evento.

    Os participantes vão abordar também o papel da internet como espaço de análise e reflexão. “A crítica no Amazonas ainda é incipiente. Tentamos retomar uma atividade que durou por muito tempo aqui, mas desapareceu. Nosso objetivo é contribuir para o estudo do cinema enquanto arte”, explica o jornalista Ivanildo Pereira, sobre o trabalho realizado pela equipe do CineSet, com o qual colabora desde meados de 2013.

    O projeto surgiu em 2007, no programa “Set Ufam”, produzido por alunos de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em 2012, o projeto foi reconfigurado para o formato de blog, vinculado a um portal de notícias local até o lançamento do site próprio. Atualmente, traz críticas de filmes, notícias, videocasts, entrevistas e outros conteúdos relacionados a cinema e audiovisual.

    De acordo com Ivanildo, a atividade tem uma função importante no desenvolvimento da produção local. “É um cenário em crescimento, e podemos contribuir para melhorar a qualidade desses filmes”, opina.

    Pioneiro

    Um dos pioneiros da crítica cinematográfica no Amazonas, José Gaspar possui uma visão pouco otimista do gênero. “Não sei se existe isso no Amazonas. De qualquer forma, o cinema hoje é acompanhado como espetáculo. Não há intenção de orientar o público com relação à obra”.

    Em 1963, Gaspar passou a integrar o time de críticos do suplemento literário “Clube da Madrugada”, publicado “n’O Jornal” até a década de 1980. “Era uma crítica que abordava todos os pontos de vista do filme. Não me rendia ao subjetivismo”, relembra.

    No mesmo período, ele fundou, ao lado do escritor Márcio Souza e de outros intelectuais, o primeiro cineclube de Manaus, vinculado ao Grupo de Estudos Cinematográficos (GEC).

    Entre os projetos futuros, Gaspar cita a publicação do volume que reúne as quatro edições da revista “Cinéfilo”, editada por ele nos anos 1960. O primeiro número do projeto, interrompido por ação da Polícia Federal, completa 50 anos em 2014.

    Por Daniel Amorim (EM TEMPO)