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    Cultura


    Veteranos dos anos '70' esquentam festival de jazz de Nova Orleans

    Público lotou a plateia do palco Congo Square para ouvir a soul music do ‘O'Jays’, trio vocal da Filadélfia que marcou a década de 1970 com vários sucessos – foto: divulgação
    Público lotou a plateia do palco Congo Square para ouvir a soul music do ‘O'Jays’, trio vocal da Filadélfia que marcou a década de 1970 com vários sucessos – foto: divulgação

    Depois do primeiro final de semana, prejudicado por fortes temporais que resultaram na redução de alguns shows, a 46ª edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival terminou no domingo (3), contemplada com quatro dias de sol para suas atrações ao ar livre, no hipódromo local.

    Ao anunciar o instrumentista e cantor Trombone Shorty, última atração do palco principal, o produtor Quint Davis se referiu ao tumultuado início do evento.

    "Começamos com uma tempestade. Fomos batizados e ficamos enlameados, mas vocês permaneceram com a gente. Quer saber? Vamos fazer tudo de novo no próximo ano", brincou.

    Num ano em que a ala pop de seu elenco foi menos atrativa do que a de edições anteriores, o Jazz Fest teve seu dia de maior público no sábado (2). Uma multidão de pelo menos 60 mil pessoas acompanhou a apresentação de Elton John. O cantor e pianista britânico já não alcança mais as notas agudas de suas canções, mas compensa essa deficiência com simpatia, conversando com a plateia.

    No domingo, a comunidade negra local superlotou a plateia do palco Congo Square para ouvir a soul music do O'Jays - trio vocal da Filadélfia que marcou a década de 1970 com vários sucessos. Alguns deles, como "Soul Train", "For the Love of Money" e "Backstabbers", foram cantados em coro pela plateia.

    Antes, os felizardos que chegaram cedo puderam se deliciar com mais um episódico reencontro de Art Neville (teclados), Leo Nocentelli (guitarra), George Porter Jr. (baixo) e Zigaboo Modeliste (bateria), ninguém menos que os integrantes originais da The Meters - lendária banda de funk dos anos 1970, um dos maiores orgulhos musicais da cidade.

    Jazz moderno

    Com uma programação um tanto repetitiva, o palco dedicado ao jazz moderno só se destacou com uma atração por dia. Na sexta-feira, a revelação vocal Cécile McLorin Salvant brilhou com seu repertório incomum e interpretações originais.

    No sábado, o veterano saxofonista Charles Loyd e seu afiado quarteto conquistaram a plateia com a criatividade de seus improvisos. No encerramento deste domingo, não bastassem os ótimos arranjos, o baixista Christian McBride e sua big band ainda trouxeram como convidada a sensacional Dianne Reeves.

    Outra cantora que também se destacou neste final de semana foi Macy Gray. Convidada especial da Galactic (cultuada banda de funk de Nova Orleans que, aliás, virá ao Brasil para o Bourbon Street Fest, em agosto), a doidona Macy arrancou risadas da plateia, até dos próprios músicos, ao contar que acabara de resolver uma crise conjugal fumando um "grande e gordo baseado".

    Curiosamente, dez anos após a tragédia desencadeada pelo furacão Katrina, o Jazz Fest não fez qualquer referência maior a esse episódio que mudou a vida de muita gente na cidade - cerca de 200 mil moradores (quase todos negros) jamais retornaram. Um sinal de que, ao menos para os músicos e fãs da música produzida em Nova Orleans, já se trata de águas passadas.

    Por Folhapress