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    Cultura


    Dupla venezuelana leva música aos semáforos de Manaus

     O violeiro Igort e o violinista Martín são formados na escola de música Conservatório de Música Carlos Afanador Real, em Bolívar, na Venezuela- foto: Josemar Antunes
    O violeiro Igort e o violinista Martín são formados na escola de música Conservatório de Música Carlos Afanador Real, em Bolívar, na Venezuela- foto: Josemar Antunes

    De banana a água e do abacaxi a morango, de produtos de decoração a panos de chão, ganhar a vida nos semáforos de Manaus inclui dançar conforme a música. Ou melhor, tocar. Os músicos venezuelanos Igort Madriz Garcia, 32, e Martín Cordeiro, 28, usam o violino e o violão para ganhar uns trocados nos semáforos. Estão na luta há dois meses.

    Sem empregos, o violeiro Igort e o violinista Martín são formados na escola de música Conservatório de Música Carlos Afanador Real, em Bolívar, na Venezuela. Nos semáforos de Manaus, tocam composições populares do país natal, MPB e clássicos eruditos. Quem para na esquina da rua João Valério com a avenida Djalma Batista, na zona Centro-Sul, é surpreendido com o som. Os músicos usam seus instrumentos para garantir que motoristas e motociclistas ouçam as canções.

    A preferência, logo às 6h30, é por músicas como ‘Sozinho’, de Peninha; ‘Você é linda’, de Caetano Veloso; ‘Garota de Ipanema’ e ‘Eu sei que vou te amar’, de Vinicius de Moraes e Antônio Carlos Jobim; ‘Insensatez’ e ‘Desafinado’, de Tom Jobim.

    Igort, natural da cidade de Bolívar, disse que está em Manaus em busca de oportunidades de trabalho. Há 15 anos, ele e o amigo Martín tocam juntos. “Nós estamos aqui porque o Brasil é um lugar em que há muito apoio à cultura e em especial à música. Manaus não foge à regra. Essa é uma cidade maravilhosa e povo é hospitaleiro”, disse Igort.

    Membro da Orquestra Sinfónica del Estado Bolívar Antonio Lauro, que tem 90 músicos, Martín disse que ganha entre R$ 60 e R$ 300 por dia nos semáforos. “Os valores variam, mas aumentam quando somos contratados para tocar por uma hora e meia em bares em restaurantes da cidade”, revelou.

    Os artistas já passaram por Tabatinga (a 1.108 quilômetros de Manaus), Boa Vista, em Roraima, e Santa Elena, na Venezuela. De Manaus, pretendem ir para São Paulo e Rio de Janeiro.

    O motorista Jairo Mendonça Lira, 48, gostou do som dos venezuelanos. “Admiro o trabalho desses artistas que por algum motivo estão nas ruas precisando se manter e o dom da arte é mostrada com alegria. Quem paga para assistir a uma peça de teatro e gosta de boas apresentações acaba depositando no chapéu do artista o valor que deve ser pago e que merece pelo trabalho”, comentou.

    Por Josemar Antunes