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    Cultura


    Mocidade e Vai-Vai dominam desfile marcado por acidente e confusões

     A agremiação fez a avenida cantar sobre as origens do samba- foto pública
    A agremiação fez a avenida cantar sobre as origens do samba- foto pública

    A segunda noite do Carnaval paulistano teve como destaques Mocidade Alegre e Vai-Vai, que trouxeram sambas fáceis de cantar e baterias ousadas para a avenida. O espetáculo também foi marcado por um acidente com ferido, problemas com carros alegóricos e bate-boca.

    As duas despontam como candidatas ao título, junto com a Rosas de Ouro, a melhor agremiação da primeira noite.

    Diferentemente da Rosas, porém, Mocidade e Vai-Vai tiveram problemas técnicos ao longo do desfile, o que pode tirar pontos preciosos em uma disputa apertada.
    A Mocidade teve problemas em um dos carros-alegóricos, que demorou a sair e deixou um buraco na evolução. Apesar disso, a agremiação fez a avenida cantar sobre as origens do samba.

    A bateria foi ousada e ao menos cinco vezes silenciou para que o público cantasse o enredo.

    "Carnaval é risco. Já pensou se todas escolas fossem iguais?", disse a presidente da escola, Solange Bichara. Ela afirmou não ter visto o carro da agremiação com problemas. "Só vi a parte boa", disse.

    Já a Vai-Vai levou ao sambódromo neste ano um almanaque de referências à França, numa homenagem ao país europeu.
    O presidente da escola Darly Silva, o Neguitão, exaltou a proposta da escola de aplicar uma nova estética em seu desfile. Com fantasias bem acabadas e com quase todas as alas coreografadas, os membros da escola da Bela Vista comemoraram ao encerrar o desfile na dispersão.

    A escola, no entanto, teve que contornar um problema logo que pisou na avenida. Após ser anunciada a entrada da escola, o sistema de áudio do sambódromo continuou tocando a vinheta de uma propaganda da Prefeitura de São Paulo.

    O som atravessou o samba e foi alvo de críticas de Neguitão. "É claro que atrapalha. O problema do som é falta de competência da Liga e da São Paulo Turismo. São dois órgãos que se mostram amadores no Carnaval de São Paulo", disse após o desfile.

    Até que o problema do som fosse resolvido, houve confusão entre a diretoria da Vai-Vai e membros da Liga. Um membro da escola chegou a invadir a torre de onde são feitos os avisos sonoros no sambódromo. O presidente da agremiação deu um tapa nas costas de um membro da organização do Carnaval.

    A Liga apura agressões ocorridas durante o episódio, que podem resultar numa numa punição de três pontos.

    A SPTuris afirmou que quem faz a troca de som é a Liga. A organização, por sua vez, afirmou que o problema não prejudica a escola em pontuação porque não há avaliação naquele trecho da avenida.

    A Unidos do Peruche -que fez um simples, mas belo desfile- também pode perder pontos. Mas, no caso dela, devido à ação isolada de uma integrante. Juliana Isen, conhecida como a musa dos protestos do impeachment, fez um striptease no meio do desfile da escola.

    Ela foi retirada pelo presidente da Liga, Paulo Sérgio Ferreira. Para ele, a atitude dela prejudica toda a escola e pode culminar em perda de pontos de fantasia e evolução.

    Antes disso, na concentração, ela foi impedida de entrar na avenida com um tapa-sexo anti-Dilma.

    A modelo acabou sendo agredida após o episódio e deixou o sambódromo.
    Acidente

    Última a se apresentar, a X-9 Paulistana teve um desfile cheio de problemas.

    Primeiro, a oca que compunha a comissão de frente da escola perdeu a direção e foi para no gradil da avenida. Os organizadores levaram alguns minutos para conseguir estabilizar e recolocá-la no centro da passarela do samba. Logo em seguida, o segundo carro teve as laterais desmontadas para conseguir contornar e entrar na avenida.
    Várias pessoas caíram do mesmo carro após ele tombar para a frente na concentração. Algumas delas foram socorridas pelo SAMU (Sistema de Atendimento Móvel de Urgência), incluindo o integrante da escola Renato Teixeira, que caiu de uma altura de cerca de dez metros. Ele foi levado para a Santa Casa.

    Segundo relatos de integrantes, uma caravela que compunha o carro cedeu pelo peso dos participantes, levando alguns deles a caírem e outros a ficarem pendurados pelo cinto.

    Os integrantes que fizeram todo o trajeto tiveram que permanecer sentados durante o resto do desfile e, na hora do desembarque, o clima era de pânico. Houve reclamações de que o cinto estava seco e não fechava.
    Outras escolas

    Com um carnaval com o tema mistério, a Império da Casa Verde não fugiu da tradição da escola e trouxe carros grandiosos para o sambódromo.
    Já a Dragões da Real mais uma vez apelou para a nostalgia dos foliões. Brinquedos antigos, como Playmobil, caíram no samba. Em um enredo sobre surpresa, levou para o sambódromo carros criativos, com surpresas que aguçavam a curiosidade do público.

    A Acadêmicos do Tucuruvi levou para a avenida um desfile colorido e cheio de fitas nas alegorias e fantasias. Ao tratar das festas religiosas, a escola trouxe um carro alegórico lembrando a catedral de Aparecida (SP) e outro fazendo referência às festas juninas.

    Por Folhapress