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    Cultura


    5 cantores amazonenses que estouraram no Brasil

    Os cantores estouraram no cenário musical nacionalmente - Divulgação

    Quem disse que não se faz sucesso no Brasil com música produzida no Amazonas? A pessoa afirma isso não sabe que no Estado há inúmeros artistas conhecidos e respeitados nacionalmente e até internacionalmente. Preparamos uma lista com 5 cantores nascidos no berço das terras amazônicas, que estouraram seus hits no país e no mundo.

    Os nossos selecionados participaram de programas de televisão de grande repercussão e movimentavam as famílias em frente à TV (muito antes da era da internet), marcando para sempre o cenário da música no país. Mas antes de falarmos sobre eles, convidamos você a fazer um teste, seja com um familiar, amigos ou colegas de trabalho. Diga em alto e bom tom: "Bate forte o tambor, eu quero..."

    As chances de ouvir de volta "eu quero é tic tic tic tic tac" são praticamente de 100%. O hit fez e faz sucesso em todo o planeta. Adultos, jovens e crianças conhecem a música da década de 90, que levou o Carrapicho à glória. A banda foi reconhecida com a sua arte em terras distantes.

    Carrapicho 

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    Carrapicho fez tanto sucesso nos anos 90 com o "Tic, tic, tac" que deu uma nova perspectiva aos artistas amazonenses de ultrapassarem as fronteiras da Amazônia. A banda vendeu, em menos de dez anos, mais de 15 milhões de discos. Em 1996, eles bateram "tão forte o tambor" que foram ouvidos não só no Brasil, mas também no exterior. A música foi difundida com versões em várias línguas - até em russo, interpretada pelo cantor Murat Nasyrov. Na ocasião, ele misturou em um único videoclipe o ritmo "caliente" com dançarinas segurando chocalhos caribenhos. Tinha uma estética que lembrava a família Addams.

    Zezinho Corrêa, vocalista e fundador da banda, mostrou a força do Amazonas e hoje, após 21 anos do hit estourar, contou a reportagem que se orgulha de ainda ouvir as pessoas cantando o refrão da música.

    "Sem dúvida é uma grande satisfação poder representar meu estado no mundo, de uma forma tão forte e especial. Me sinto realizado por ter conseguido o objetivo de um projeto, principalmente, por estar trabalhando com o que mais gosto, que é a música",


    Ao mesmo tempo, ele conta que se sente com uma grande responsabilidade de fazer sempre o melhor. "Sempre quis que a cultura do meu estado ganhasse destaque no mundo e trabalho para que essa história não seja esquecida".

    O hit levou a banda para diversos países da Europa e, mesmo não tendo tanta projeção atualmente, Zezinho dá uma dica importante para quem está começando a carreira e sonha em alcançar o sucesso. "É importante não trabalhar com ansiedade em busca do sucesso. Qualquer arte exige calma e concentração para criar. O sucesso é o resultado de um trabalho estudado e bem feito. É importante ser natural e criar sem exageros".

    Eliana Printes

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    Uma das maiores divas da Música Popular Brasileira (MPB), Eliana Printes possui uma carreira consolidada. Uma artista conhecida mundialmente. Eliana, que cresceu ouvindo bossa nova e começou a tocar violão muito cedo, lembra que já teve que vender ingressos e colar cartazes pela cidade para divulgar o seu primeiro show.

    “Quando comecei a cantar profissionalmente, eu fazia apresentações em vários lugares. Minha mãe estava em todos eles me fazendo companhia, pois eu era menor de idade. Agendei meu primeiro show para o Teatro Amazonas e fiz de tudo um pouco, desde vender ingressos de porta em porta, até colar cartazes pela cidade. Graças a Deus deu tudo certo.”

    Dona de uma voz aveludada e timbre marcante, Eliana já garantiu passaporte para outros países, como a Alemanha, onde lançou um dos CDs da carreira, o “Eliana Printes e Orquestra sinfônica de Potsdam”. O álbum foi gravado em um concerto ao vivo, em Berlim.

    “Tenho oito CDs de carreira no Brasil. Na minha discografia há várias compilações lançadas no Brasil e no exterior, entre elas o CD "Divas cantam Jobim", lançado pela Som Livre de Portugal em homenagem ao maestro Antônio Carlos Jobim”.

    Trajetória

    Eliana chegou ao Rio de Janeiro em 1994 para gravar, de forma independente, o seu primeiro CD, intitulado "Eliana Printes". A cantora fez vários shows pelo sul do país com o Projeto Pixinguinha e ainda recebeu uma indicação ao prêmio Sharp de música, em 1995, na categoria MPB revelação. Entre as canções de destaques estão: “Por onde você for”,  “Andando em silêncio”, de Adonay Pereira e Eliana Printes, “Coração sonhador”, de Nilson Chaves, e “Lembrando Você”, de Sérgio Souto e Moacir Luz.

    Em 1996, já na gravadora Indie Records, lançou o segundo CD que também leva seu nome no título. Nele a canção “Sabor das Marés”, de Dalto e Marcos Sabino, ganhou destaque nas rádios. "O Próximo Beijo", seu terceiro CD marcou de forma definitiva a carreira da artista. Ele foi lançado em 1998. As canções “Sobre o Tempo”, de Thedy Corrêa, e “Você e Eu”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, também foram destaque nas rádios. Ainda em 98, ela fez seu primeiro grande show no Rio de Janeiro. O local escolhido foi o terraço Rio Sul no projeto Novo Canto.

    2001

    Embalada pelo sucesso do CD anterior, chega às rádios de todo o Brasil, o CD "Pra Lua Tocar". A canção “Crepúsculo de uma Deusa”, de Mona Gadelha, ficou entre as dez mais tocadas nas rádios. E a segunda música de trabalho “Só Vou gostar de quem gosta de mim”, de Rossini Pinto, que ficou conhecida na voz de Roberto Carlos, ganhou uma versão somente com voz e violão de Eliana e se tornou uma das mais pedidas em várias capitais brasileiras.

    A execução nas rádios do Rio chamou a atenção do diretor musical da rede Globo, Mariozinho Rocha, que a convidou para gravar a canção “Quando você não vem”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza. A música foi escrita especialmente para a personagem da atriz Camila Pitanga na novela “Porto dos Milagres”.

    2003 - 2007

    Neste ano chegou às rádios "Pra você me ouvir', produzido pelo cantor e compositor Chico César. A bela canção “Os Presentes”, de Kléber Albuquerque, apresentou o novo trabalho da artista para o público brasileiro e para a crítica, que o apontou como o melhor de sua carreira. A cantora também foi escolhida como uma das mais belas vozes da MPB.

    Em 2007 chega às lojas do Brasil o CD "Mais perto de mim", o sexto de sua carreira. Neste novo trabalho produzido por Adonay Pereira, a cantora conta com duas participações especiais, dos cantores Chico César na faixa “Se chovesse você” e Pedro Luís na faixa “Quando você passa por mim”. Outra faixa de destaque é “Venha ser meu sol”, que ganhou participação no documentário musical, rodado no Rio de Janeiro, intitulado Nokia music recommenders e dirigido pelo cineasta alemão Wim Wenders.

    A Som Livre de Portugal lançou em maio de (2007) na Europa o cd "Divas cantam Jobim", que reúne 20 cantoras brasileiras interpretando as canções mais famosas de Tom Jobim.

    2011

    A música "Só vou gostar de quem gosta de mim", de Rossini Pinto, entrou na trilha sonora do filme "Qualquer Gato Vira-lata", do diretor Tomás Portela. O longa brasileiro tem no elenco: Cléo Pires, Malvino Salvador e Dudu Azevedo. O CD "Cinema Guarany' veio com uma atmosfera envolvente e uma sonoridade naturalmente acústica - que se ajustam perfeitamente ao contexto e a contemporaneidade de suas canções.

    "Tudo em movimento" é o novo CD da gravadora Universal Music. Com dez canções, seis inéditas e quatro releituras, o trabalho conta com as participações especiais da cantora Isabella Taviani, Luiz Melodia e o Quarteto de cordas formado por músicos da Orquestra Sinfônica Collegium musicum Potsdam.

    Leia também: 5 bandas que provam que existe rock no Amazonas

    Chico da Silva

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    "É muito gratificante quando temos a sensação de ter realizado uma coisa boa para as pessoas e para si próprio. A gente se sente feliz com isso", é assim que Chico da Silva, um dos maiores cantores e compositores do Amazonas, define a sua carreira. Ele falou da felicidade de poder fazer parte de um seleto time de artistas que foi reconhecido nacionalmente pelo talento.

    Chico da Silva é parintinense e está entre os maiores sambistas do Brasil. Hoje, aos 72 anos, com mais de 40 anos de carreira, ele tem uma longa história com a música.

    "Tudo começou nos anos 60, quando conheci Alcione e escrevi ‘Sufoco’, que virou sucesso nacional", contou o artista.


    A partir daí, Chico foi eleito entre os dez maiores sambistas do Brasil. Ele chegou a conviver com a velha guarda da Mangueira e com Cartola e Dona Zica da Portela. O sambista ainda colocou pelo menos mais duas canções nas paradas de sucesso nos anos 70. "É preciso muito amor" (1974), samba que compôs em parceria com Noca da Portela, que passou mais de seis meses entre as músicas mais tocadas nas rádios do Rio de Janeiro, e o samba "Convite a Roberto Carlos", onde Chico da Silva convida o rei a subir o morro e conhecer o samba.

    Doença

    Após ser acometido por um câncer na garganta, ele deu uma parada na música. Entretanto, em 1996, Chico já estava de volta. Foi quando participou do Festival Folclórico de Parintins, concorrendo no quesito toada, letra e música nos dois bois.

    Foi a partir desse fato histórico que Chico passou a ser reconhecido e aclamado como cantor e compositor de toadas. Tanto que a toada ‘Vermelho’, do Garantido, que foi gravada em vários países, é conhecida em qualquer lugar do país, quiçá do mundo. Inclusive, a toada eternizada na voz de David Assayag (falaremos logo mais sobre ele) foi orquestrada pelo maestro francês, Paul Mauriat, além de virar hino do time de futebol, Benfica, em Portugal, e hino do Internacional, em Porto Alegre.

    Felicidade Suzy

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    Bastou vencer um concurso de talentos no Domingão do Faustão, na década de 90, que Felicidade Suzy ganhou o mundo. Com menos de 20 anos de idade, a jovem cantora foi introduzida na Música Popular Brasileira (MPB) por Baden Powell, um dos pais da bossa nova. E em 1990, os dois fizeram um show juntos no Rio de Janeiro, no “Un, deux, trois”, sob a direção de Ronaldo Bôscoli.

    Felicidade ganhou a TV Globo de vez em 1993, quando gravou duas canções  que tornaram-se temas de novelas da emissora. “Maluco beleza” foi eternizada na novela “A Indomada”; e “Onde o céu azul é mais azul” na novela “Pátria minha”.

    Para se ter uma ideia da importância de Felicidade na música brasileira, a cantora tem no currículo participações especiais em songbook de Chico Buarque, com a gravação da canção "Vida". Além disso, ela ainda fez participação nos CDs de Baden Powell, com a canção "Falei e disse" (em 'Baden Powell and the musicians').

    Felicidade lançou três CDs individuais: "Felicidade Suzy", pela gravadora Continental, em 1994;  "Chegou a hora", pela Polygram, em 1997; e "O que vem a ser felicidade", produção independente, com apoio do “Projeto Valores da Terra”, em 2004. Participaram do seu último CD consagrados arranjadores e instrumentistas, como Lincoln Olivetti, João Lyra, Cristóvão Bastos, Zé Canuto, Julinho Teixeira, André Neiva, Jakaré e Jurim Moreira.

    Questionada sobre o poder da música na sua vida e a oportunidade de representar a região Norte no país inteiro, a cantora diz que é algo inestimável.

    "No meu caso, eu levo o nome da terra natal pro mundo. Há 14 anos minha identidade é a música e a Amazônia para o todo o Brasil", contou a artista.


    A cantora ressalta ainda que apesar de estar há mais de um década longe de casa, a capital amazonense é a sua base. "Manaus é meu Porto Seguro na música. Tudo que canto é pensando em Manaus".

    David Assayag

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    Você sabia que antes de ser o grande levantador de toadas e intérprete reconhecido no país, David Assayag foi roqueiro? É isso mesmo gente! Muito antes do reconhecimento pela voz marcante, que encanta o público todos os anos no Festival Folclórico de Parintins, ele tinha um grupo chamado Raízes da Terra. A banda era muito requisitada nos anos 80.

    David teve a sua primeira relação com a música aos 8 anos. "Quando fui morar em Belém, na casa de um tio, sempre ia nas festinhas de aniversário e dava uma palinha. A partir daí, que eu descobri a música em minha vida"

    Com 15 anos, ele já era profissional e cantava em vários lugares. "Voltei para Parintins em 1984 e foi então que a banda começou a cantar na noite. Minha primeira experiência musical foi cantando bossa nova e rock and roll".

    Em 1988, David morou na casa do José Carlos Portilho, um compositor do Caprichoso e foi aí que começou a sua relação com o boi bumbá. As gravações das toadas eram feitas lá. Ainda nesse mesmo ano, gravou um vinil para o Caprichoso cantando as melhores composições de todos os tempos, onde conheceu o Arlindo Junior.

    Em 1994, ele se tornou levantador oficial de toadas do Boi-bumbá Garantido, sendo reconhecido mundialmente com a toada "Vermelho".

    "Ao longo da minha passagem pelo Garantido, eu conquistei nove títulos. Eu tive uma projeção nacional e internacional, ganhei diversos prêmios e conheci o mundo".


    Em 2010, depois de anos no boi vermelho, ele decidiu que era hora de novos desafios e decidiu sair do Garantido. "Hoje em dia está tudo tranquilo. O torcedor do Garantido compreendeu essa mudança. Todos entenderam o porquê de eu ter saído, mas a maioria pede a minha volta".

    Já em 2012, ele se apresentou na Escola de Samba G.R.E.S Grande Rio, no Rio de Janeiro, em um carro alegórico pelas suas superações de vida. Cego, David Assayag é reconhecido por não se limitar e conquistar tudo com o que sempre sonhou. Atualmente, ele é um dos maiores cantores do Norte do país. Este ano ele gravou um DVD no Teatro Amazonas cantando toadas das duas nações, azul e vermelho.

    Bruna Chagas
    EM TEMPO

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