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    Sem planejamento, ruas secundárias viram caos em Manaus

    Para fugir do tráfego lento das ruas principais, motoristas tumultuam vias secundárias conforme sua própria vontade - foto: Alberto César Araújo
    Para fugir do tráfego lento das ruas principais, motoristas tumultuam vias secundárias conforme sua própria vontade - foto: Alberto César Araújo

    Nos últimos anos, motoristas da capital amazonense têm optado pelas vias secundárias para fugir da lentidão do trânsito nas avenidas principais. A intenção, no entanto, acaba gerando situações parecidas ou até mesmo piores.

    Engarrafamentos e filas duplas se tornaram frequentes, afetando também moradores dessas áreas - sem contar a falta de educação dos “donos da rua”.

    A rua Libertador, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, é um exemplo desse problema. Segundo a autônoma Ana Cláudia Sena, o acesso começa a ficar congestionado a partir das 11h. “Os carros circulam nos dois sentidos, às vezes chegam a invadir nossas calçadas. Não podemos andar na rua, pois corremos o risco de ser atropelados”, conta.

    O tráfego começa na rua Belém, atrás do cemitério São João Batista, e se estende até a avenida Maceió. “Nos últimos anos, o comércio tem crescido nessa área, e isso agrava a situação”, opina Cláudia. Ela diz ainda que moradores já enviaram abaixo-assinados para os órgãos competentes, porém faltam ações efetivas.

    Há pelo menos três anos, a rua tinha sentido único no sentido bairro-Centro, indicado por placas. A sinalização desapareceu e a bagunça começou.

    Planejamento

    De acordo com Paulo Henrique Martins, diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), o aumento do número de veículos é a causa dessas retenções.

    “O planejamento consiste em identificar os problemas e apresentar as medidas necessárias: proibição de estacionamento e mudança de circulação, sempre com o objetivo de melhorar a fluidez e reduzir congestionamento. Houve reclamações nas ruas dos bairros Alvorada, Redenção e Japiim. As soluções foram implantadas e as retenções foram reduzidas”, explica.

    Para Geraldo Alves, professor de Geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o problema resulta da falta de planejamento do poder público, o que inclui investimentos em transporte coletivo. “Somos 2 milhões de habitantes convivendo num espaço sem infraestrutura. Não aplicaram recursos no transporte público, que é precário. O governo se limita a aplicar multas, pois a solução exige muito dinheiro”.

    Segundo ele, a situação tende a piorar em época de eleições. “A fiscalização gera certa impopularidade”, opina. Soluções alternativas tampouco são opções favoráveis. “As calçadas são pequenas, não foram construídas de forma adequada, então fica difícil caminhar. Utilizar bicicleta em Manaus é complicado, devido ao trânsito agressivo”, enumera Alves, doutor em Planejamento de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Por Daniel Amorim com colaboração de César Augusto (EM TEMPO)