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    Delegado de Juruá suspeito de aliciar meninas da cidade

     Além de ser suspeito de assediar cinco meninas menores de idade, o delegado Daniel Pedreiro Trindade também comete outro crime: mantém um macaco como animal de estimação – foto: Albeto César Araujo
    Além de ser suspeito de assediar cinco meninas menores de idade, o delegado Daniel Pedreiro Trindade também comete outro crime: mantém um macaco como animal de estimação – foto: Albeto César Araujo

    Desprovida de rodovias, sem aeroporto e distante três dias de Manaus por via fluvial, a pequena Juruá (a 671 quilômetros da capital), com seus 10 mil habitantes, vive um clima de medo e terror. O único delegado do município, Daniel Pedreiro da Trindade, quem deveria prezar pela segurança dos moradores, é acusado de abusar sexualmente de, pelo menos, cinco meninas.

    Elas têm entre 11 e 16 anos de idade e estudam nas três escolas da cidade, onde o delegado regularmente faz palestras sobre violência doméstica e perigos no uso de drogas.  Apesar do assunto “ser de conhecimento da cidade inteira, porque é uma cidade pequena e todos se conhecem, ninguém faz nada”, disse ao EM TEMPO a mãe de uma adolescente de 14 anos de idade, a vítima mais recente do delegado.

    A mãe da vítima, de 30 anos, estava em Manaus há uma semana para tentar aposentar a sua mãe, 46, que sofre de uma doença incurável, quando soube do caso, neste último  domingo.

    “Minha irmã, que estava na cidade, me ligou pra contar o que o delegado fez com minha filha. Ele já tinha se encontrado com ela três vezes. Deu bebida pra ela, tiveram relações sexuais e agora ele ameaça toda a minha família pra ninguém dizer nada”.

    Segundo a mãe da vítima, que também mora em Juruá, a adolescente foi aliciada por um funcionário do delegado, que visitava escondido a criança para dizer que o delegado “estava a fim dela, que queria conhecer melhor e tinha muito dinheiro”.

    As visitas do funcionário renderam três encontros  entre  o delegado e a vítima, todos em maio.

    O delegado alega, segundo a mãe da vítima, que “namora com todas as meninas que ele leva pra casa dele”. “Isso é um crime cometido por um homem da lei, alguém que deveria nos proteger. Eu não vou deixar barato. Ele não me intimida. Vou até as últimas consequências”, garantiu a mãe.

    Cinco casos

    A mãe da vítima de 14 anos  disse ter notícia de outros quatro casos, incluisive com uma garota de 11 anos. “Esse delegado chegou a abusar da sobrinha de um político local, mas a família da menina preferiu abafar o caso. Depois disso soube que a prefeitura descobriu outros quatro casos, mas nenhuma mãe quer denunciar por medo do delegado”.

    A cidade está sem juiz ou promotor. O juiz é da Comarca de Carauari e fica durante uma semana por mês em Juruá.

    A promotora está de licença maternidade e não há substituto.

    Além da acusação de exploração sexual de menores, cuja pena previsa é de quatro a dez anos de reclusão em regime fechado, o delegado também é conhecido na cidade por criar um macaco como animal de estimação. Reter animais da fauna silvestre brasileira é crime previsto na Lei dos Crimes Ambientais, com detenção de seis meses a um ano e multa.

    Por Rafael S. Nobre (equipe Jornal EM TEMPO)