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    Prefeito de Juruá afirma que, se culpado, vai colocar delegado aliciador de meninas na cadeia

    Acusado de abusar sexualmente de, pelo menos, cinco meninas com idades entre 11 e 16 anos, o único delegado de polícia de Juruá (a 671 quilômetros de Manaus), Daniel Pedreiro da Trindade, passou a intimidar familiares de suas supostas vítimas.

    O caso veio à tona nesta quarta-feira (3), após denúncia publicada pelo EM TEMPO com base em depoimentos da mãe da vítima mais recente do delegado, e mensagens de texto via celular entre a mãe e o delegado. A vítima é uma menina de 14 anos que estuda em uma das três escolas da cidade, onde o delegado regularmente palestra sobre violência doméstica e perigo no uso de drogas.

    Em entrevista à reportagem o prefeito de Juruá, Tabira Ramos Ferreira (PSD), disse que foi procurado pela mãe da vítima mais recente e prestou o devido apoio. “Fui com a mãe da criança até a Corregedoria da SSP [Secretaria de Segurança Pública], em Manaus, na terça-feira [dia  2], onde ela fez uma queixa formal contra o delegado. Eu conversei com o secretário Sérgio Fontes [titular da SSP] e exigi uma investigação o mais rápido possível”.

    O prefeito classificou a situação como inaceitável. “Não tenho como conceber, como admitir um agente da lei sendo acusado de um caso tão sério, de abusar de crianças. Se for verdade, quero ver esse monstro preso!”, vociferou o prefeito em entrevista por telefone.

    O gestor do município contou que há cerca de dez dias tem “ouvido um disse-me-disse na cidade sobre o delegado estar seduzindo meninas e levando para a casa dele”.

    “Há alguns meses um dos vereadores chegou a me procurar e disse que uma sobrinha dele tinha sido abusada pelo delegado. Ele não tinha provas, só a palavra da menina. Apesar de eu aconselhar a levar o caso adiante, a fazer exame médico e denunciar o caso, ele preferiu o silêncio”, explicou Tabira, dizendo que a queixa feita a ele pelo vereador “só reforça o depoimento da mãe, e tudo deve ser apurado o quanto antes. Cheguei, inclusive, a comunicar o caso diretamente ao governador José Melo”.

    Intimidações

    Depois de ver a denúncia publicada na edição de ontem do EM TEMPO, o delegado passou a intimidar as famílias de outras supostas vítimas dele. A reportagem apurou que uma das famílias teve três membros intimados a comparecer à delegacia – sem motivo, sem acusação de nenhum crime. O jornal teve acesso a três destas intimações oficiais emitidas pela delegacia.

    “O delegado queria que a gente assinasse um documento dizendo que a relação dele com as crianças, com as vítimas, era um namoro. Onde já se viu um homem de 30 anos, um delegado, namorar uma criança de 11, de 12 anos? Ele admite o abuso, mas chama de namoro”, relatou um dos familiares, que pediu anonimato.

    Nada a dizer

    Questionado pela reportagem sobre a denúncia, o delegado limitou-se a declarar que “nada disso aconteceu, nada disso existe. Não tenho nada a dizer”.

    Daniel tem 31 anos de idade, é ex-lutador de MMA (Artes Marciais Mistas, na sigla em inglês), está no cargo há menos de um ano e ainda passa por estágio probatório.

    Por Daniel S. Nobre (equipe EM TEMPO Online)

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