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    Segue até dia 16 a campanha de cirurgia reparatória em crianças

    A estimativa será realizar 50 atendimentos até o último dia da ação, dia 16 de outubro -  foto: Márcio Melo
    A estimativa será realizar 50 atendimentos até o último dia da ação, dia 16 de outubro - foto: Márcio Melo

    Em comemoração ao Dia das Crianças, a Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), iniciou ontem (12) uma campanha para realizar cirurgias em crianças portadoras de fissura lábiopalatina.

    A estimativa será realizar 50 atendimentos até o último dia da ação, dia 16 de outubro. Ação é realizada pela Organização Não Governamental Smile Train, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

    A data para iniciar a campanha foi escolhida por ser o Dia da Criança, sendo o maior público-alvo. Na capital, as cirurgias de lábio leporino têm como unidade de referência o Hospital Infantil Doutor Fajardo.

    O cirurgião plástico Nivaldo Alonso, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), vai liderar a equipe cirúrgica que conta, ainda, com anestesistas, enfermeiros, fonoaudiólogo e psicólogo, segundo informou o cirurgião bucomaxilo Joaquim Alves, coordenador do programa de cirurgias de lábio leporino da Susam. Segundo ele, já foi realizada triagem pré-operatória dos pacientes, e as cirurgias iniciam nesta terça-feira (13).

    “Os bebês que têm fissura lábio-palatal merecem uma atenção especial, pois essa fissura prejudica a capacidade de comunicação da criança, sendo confundida erroneamente com algum tipo de dificuldade mental, o fissurado tem uma capacidade mental normal. Por isso ele deve ser tratado de maneira adequada e com respeito. O tratamento da fissura deve começar o quanto antes”, ressaltou o especialista.

    O vigilante Wellington Nazaré de Oliveira, 33, pai do pequeno Wendel Miguel de 1 ano, considera essa campanha uma boa iniciativa, principalmente pela dificuldade que as famílias passam tendo que esperar na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). “Para nós, conseguirmos uma consulta para o Wendel foi necessário passar a noite na fila, com essa iniciativa estamos confiantes. Tudo pela saúde e bem-estar do meu filho”, disse.

    Somente entre janeiro e setembro deste ano, a parceria institucional, que também tem o apoio da Igreja Presbiteriana de Manaus, já permitiu a realização de 170 cirurgias do tipo, beneficiando adultos e crianças, inclusive indígenas. “Neste mês de outubro, entre os dias 19 e 24, a ação estará sendo levada ao município de Eirunepé, com a estimativa de operar mais 40 pacientes”, destacou.

    Segundo o diretor-presidente da FHAJ, Dr. Alexandre Bichara da Cunha, a expansão dessa campanha é “fundamental para proporcionar às pessoas que sofrem com fissura labiopalatal as mesmas oportunidades de uma pessoa sem esse problema”.

    A ultrassonografia tornou possível fazer o diagnóstico das fendas labiopalatinas a partir da 14ª semana de gestação. Nessa fase, o importante é tranquilizar os pais, fornecendo informações sobre as possibilidades de tratamento, e esperar a criança nascer. Grande parte dos diagnósticos, porém, continua sendo realizada depois do parto.

    Tratamento

    As fissuras labios-palatinas não são alterações de caráter estético, apenas. São a causa de problemas de saúde que incluem má nutrição, distúrbios respiratórios, de fala e audição, infecções crônicas, alterações na dentição. Da mesma forma, elas provocam problemas emocionais, de sociabilidade e de autoestima. Por isso, o tratamento requer abordagem multidisciplinar, isto é, a participação de especialistas na área de cirurgia plástica, otorrinolaringologia, odontologia, fonoaudiologia, por exemplo.

    Ao contrário do que se preconizava no passado, hoje a recomendação é corrigir a fissura labial cirurgicamente nas primeiras 24h a 72horas depois do nascimento para reconstituir o lábio superior e reposicionar o nariz, pois quase sempre existe um desabamento da asa do nariz, por falta de apoio do músculo que está solto.

    Nos casos de fissura palatina, só por volta de 1 ou 2 anos a criança deve iniciar a reconstituição cirúrgica do céu da boca. O fechamento completo é realizado em etapas, a fim de assegurar a integridade do arcabouço ósseo e a funcionalidade da musculatura de oclusão, assim como para evitar a deficiência de respiração e a voz anasalada.

    Por Lindivan Vilaça