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    No Amazonas, 30% dos presos burlam sistema de tornozeleira eletrônica

    Atualmente, cerca de 450 detentos são monitorados pelo equipamento– foto: Janailton Falcão
    Atualmente, cerca de 450 detentos são monitorados pelo equipamento– foto: Janailton Falcão

    A grande aposta da Justiça e da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) para diminuir a superlotação dos presídios da capital e interior e também com a promessa de uma vigilância 24 horas por dia, a tornpzeleira eletrônica vem se mostrando falha.

    Isso porque, somente este ano, mais de 10% dos crimes cometidos na capital foram realizados por apenados do regime semiaberto monitorados pelas tornozeleiras eletrônicas. Segundo a própria Seap, desde que o sistema foi implementado, em 2014, a porcentagem de violação do aparelho chega a 30%. Hoje em dia, cerca de 450 detentos são monitorados.

    Casos como o do presidiário Frank Wilton Pereira da Silva, 33, que, mesmo usando a tornozeleira eletrônica, matou quatro membros de uma mesma família em setembro deste ano, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, se repetem com uma frequência. A questão coloca em cheque se a implantação deste sistema é mesmo uma medida segura, tanto para o apenado, quanto para a sociedade.

    De acordo com o secretário de administração penitenciária, Pedro Florêncio, o monitoramento é um referencial. Atualmente, uma equipe de dez pessoas são responsáveis por vigiar todos os passos dos apenados para impedir que eles saiam da zona delimitada. “Se o apenado sai da área estipulada, a tornozeleira vibra para ele, e imediatamente nós entramos em contato para saber o que aconteceu. Como se trata de um aparelho eletrônico, é claro que tem suas falhas, muitos detentos quebram e jogam em outros locais para despistar a polícia”, disse.

    Ao ser perguntado sobre os crimes que os presidiários monitorados cometem na cidade como homicídio, roubo e tráfico de drogas, o secretário afirmou que é pequeno os envolvimentos desses detentos em crimes na capital. “Como é uma decisão judicial, o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) é quem decide qual o detento que merece aquele benefício, é claro que alguns agem de má-fé e acabam matando, roubando e traficante, mas esses são minorias e não podem colocar nosso sistema em cheque”, explicou.
    Violação
    O titular do Departamento de Narcóticos (Denarc), Samir Freire, informou que nos últimos meses, muitas prisões foram feitas pela delegacia de chefes do tráfico que usavam a tornozeleira eletrônica.

    “Um caso recente de uma das nossas prisões foi de um dos gerentes da facção criminosa Família do Norte (FDN) Johnson Alves Barbosa, o “Playboy”, que tirava a tornozeleira e deixava em casa para traficar. Quando fomos até a residência dele, o aparelho estava em cima da cama e ele estava na rua”, relatou.

    Outro caso de violação da tornozeleira por criminosos de alta periculosidade é o da fuga do pistoleiro da FDN Gregório da Graça Alves, o “Mano G”, que alegou ser portador do vírus HIV, para quebrar o monitoramento.

    Por Ana Sena