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    Praça 14 de Janeiro: 131 anos de resistência, diversidade e samba

    Responsável por realizar o tradicional festejo de aniversário do bairro há pelo menos 40 anos, a GRES Vitória Régia mais uma vez cumpre a missão e iniciou ontem por volta das 20h - foto: Marcio Melo
    Responsável por realizar o tradicional festejo de aniversário do bairro há pelo menos 40 anos, a GRES Vitória Régia mais uma vez cumpre a missão e iniciou ontem por volta das 20h - foto: Marcio Melo

    Comemorando 131 anos de existência, nesta quinta-feira, e símbolo de resistência, o bairro Praça 14 de Janeiro se consolida na Zona Centro-Sul de Manaus como um local que reúne diversidade cultural, devoção religiosa e forte economia voltada para o setor automotivo. O lugar, que teve reconhecido oficialmente o segundo quilombo urbano do Brasil, também é o berço do samba amazonense e possui uma das agremiações carnavalescas mais tradicionais da capital, a Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Vitória Régia.

    O bairro, nascido após a revolta popular em 14 de janeiro de 1892 contra o então governador Gregório Thaumaturgo de Azevedo, quando servidores públicos, juntamente com o restante da população, saíram às ruas do Centro para reclamar o pagamento de salários atrasados e serviços básicos, já teve diversos nomes, como Praça Fernandes Pimenta, em homenagem ao soldado assassinado durante o conflito armado.

    Responsável por realizar o tradicional festejo de aniversário do bairro há pelo menos 40 anos, a GRES Vitória Régia mais uma vez cumpre a missão e iniciou ontem por volta das 20h, na rua Emílio Moreira, as comemorações com mais de dez atrações, show pirotécnico e “Parabéns” entoado pela bateria da escola. De acordo com o diretor de eventos da verde e rosa, Rivaldo Pereira, a programação de aniversário se estenderá até domingo.

    “Este é um bairro que é símbolo de luta, fé, diversidade e festas. A comemoração marca, inclusive, o início da temporada do Carnaval. Fundado pelos maranhenses e negros, a gente tem orgulho de participar da história da Praça 14. E os festejos vão até domingo, quando faremos em frente à sede da Vitória Régia um ensaio técnico com todos os segmentos, como bateria, comissão de frente e ala das baianas. A concentração começa às 15h”, adiantou.

    Hoje a festa tem início às 20h e será embalada novamente pela bateria da Vitória Régia e bandas de forró. Amanhã haverá ensaio da bateria e no sábado à noite, para abrilhantar a festa, será escolhida a Rainha Gay.

    Quilombo

    Após Gregório Thaumaturgo de Azevedo renunciar, o militar Eduardo Ribeiro assumiu o cargo de chefe do Executivo. A partir daí, no fim do século 19, a história de fundação do bairro se atrela ao nascimento do quilombo com a chegada da ex-escrava maranhense de Alcântara, Maria Severa Nascimento Fonseca, que juntamente com os filhos Manoel, Antão e Raimundo, estabeleceu moradia em um terreno cedido por Eduardo Ribeiro na rua Japurá.

    A área foi chamada de barranco de São Benedito, em alusão à imagem do santo negro esculpida em pau-de-angola - e que teria origem portuguesa – trazida por Severa. O então governador trouxe centenas de conterrâneos para trabalhar e morar no Amazonas, o que fez a comunidade crescer.

    Perpetuado pelos remanescentes de negros e escravos, Patrimônio Cultural e oficialmente declarado o segundo quilombo urbano do país, o Quilombo Urbano de São Benedito conquista gradativamente o reconhecimento pelas lutas contra o preconceito, de cor ou de religião. Conforme Cassius Fonseca, 50, vice-presidente da Associação do Movimento do Orgulho Negro do Amazonas (Amonam), atualmente moram na comunidade 25 famílias. Fonseca integra a quinta geração da fundadora do quilombo.

    “Nossa família tem muita influência no meio cultural e até no nascimento do bairro, pois ele foi formado basicamente pelas famílias chegadas do Maranhão, trazidas por Eduardo Ribeiro. Inclusive foi batizado com diversos nomes, como, a princípio, Vila dos Maranheses, Praça da Conciliação, Praça Fernandes Pimenta. Contam que dona Severa, que permaneceu até o fim de sua vida com os grilhões nos tornozelos, assim que foi alforriada, quis vir para o Amazonas, pois sabia que Eduardo Ribeiro era negro e maranhense”, relatou.

    Comércio

    Bastante frequentado por quem realiza manutenção em veículos, além da compra, venda e locação de carros, o bairro é uma referência no setor automotivo. Pioneira no ramo e com 42 anos de funcionamento, a autopeças e acessórios Benayon, situada na esquina da Visconde de Porto Alegre com a avenida Tarumã, deu o pontapé inicial para o crescimento das lojas do setor no bairro.

    Sob o comando da segunda geração do fundador, Adilson Benayon Serudo Martins, a loja atualmente é administrada por Ivan Paulo Banayon, 42, que praticamente cresceu no comércio e desde os 17 anos lida com a rotina de manutenção de automóveis. “Quando chegaram aqui nessa área era tudo mato. A nossa loja puxou as outras”, observou.

    Por Cecília Siqueira

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