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    Adolescente morre após oito dias internado no Joãozinho; cirurgia teve atraso porque médicos brigaram

    A criança segue internada no Pronto Socorro da Criança Joãozinho - foto: divulgação
    O adolescente passou oito dias internado no Pronto Socorro da Criança Joãozinho - foto: divulgação

    Lúcio Pena Figueiredo, 14, morreu, na manhã desta sexta-feira (12), no Pronto-Socorro da Criança Zona Leste, o Joãozinho, oito dias após realizar um procedimento cirúrgico de urgência com atraso porque o neurocirurgião e o anestesiologista, plantonistas do último dia 4, brigaram na unidade hospitalar.

    De acordo com a mãe do adolescente, a dona de casa Ana Maria Pena Figueiredo, 44, a notícia do falecimento do filho veio por volta das 7h, tão logo chegou à unidade hospitalar. Na certidão de óbito, consta que a causa da morte do garoto foi edema cerebral, em decorrência de uma hemorragia intracraniana e crise convulsiva.

    Consternada, Maria acusa os médicos envolvidos na briga dentro do centro cirúrgico pela morte do filho.

    “A morte do meu filho foi porque eles o deixaram abandonado para brigar como dois vagabundos. Não vou deixar isso barato para eles, vou lutar pelo direito do meu filho até o fim. Esses dois médicos vão ter que pagar o que fizeram com o meu filho. Precisam ter mais responsabilidade com as crianças que dão entrada no pronto-socorro”, disse, emocionada.

    Desde o dia 10 de agosto, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) entrou no caso para auxiliar a família a dar entrada em um pedido de ação indenizatória.
    Até às 9h, desta sexta, a mãe do adolescente estava resolvendo as questões burocráticas no hospital para que o corpo do filho fosse removido para o Instituto Médico Legal.

    Relembre o caso

    De acordo com informações da mãe, o jovem deu entrada no hospital no dia 4 de agosto com encefalite aguda e teve que esperar uma briga entre dois médicos que foram às ‘vias de fato’, antes de dar início à cirurgia. Maria relata que o anestesiologista Aldo Salles teria reclamado de dividir o centro cirúrgico com o médico Odilamar Santos, que seria residente (graduado que ainda está recebendo treinamento em sua especialidade).

    “Eles brigaram de verdade. Quando a confusão chegou ao corredor, um enfermeiro ainda me disse que iam deixar meu filho morrer para continuarem a briga. Fiquei desesperada”, contou a dona de casa.

    Na ocasião, o caso foi registrado no 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), situado também na Zona Leste da cidade.

    Em nota enviada ao Portal EM TEMPO, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), informou que em relação a briga dos médicos a direção do Joãozinho foi quem tomou iniciativa para que o boletim fosse registrado para que, além da sindicância, o fato também seja investigado na esfera policial.

    “A direção do hospital repudia esse tipo de procedimento e tomará todas as medidas para coibir atos semelhantes”, diz a nota, que não confirma o motivo da briga entre os médicos envolvidos.

    Por equipe EM TEMPO online

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