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    Mulher denuncia 'exagero' em exame para trocar categoria da CNH

    A motorista mostra o buraco feito em seu cabelo para a retirada da amostra do exame para adicionar uma categoria à sua CNH - Arquivo Pessoal

    A auxiliar de tesouraria Marilene Silva foi surpreendida por um exame toxicológico que fez quando precisou adicionar uma categoria à sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Um tufo de cabelo foi raspado da parte de cima da cabeça da mulher.

    Marilene já possuí CNH de categoria D, e a clínica onde a fez o exame foi indicada pela autoescola onde ela aprende a pilotar motos para adicionar a categoria "A" a sua habilitação.

    "Quando cheguei fui perguntada se já sabia como acontecia o exame. Eles disseram que precisavam de pelo menos três centímetros de comprimento de pelo, direto da raiz, e como eu não tenho muito pelo nas pernas e nos braços, a melhor opção era tirar do cabelo", relatou a auxiliar de tesouraria.

    Marilene contou ainda que só aceitou fazer o exame porque, além de precisar da categoria "A" em sua carteira, os profissionais da clínica disseram que a amostra de cabelo ia ser apenas da espessura de uma moeda de R$ 1,00.

    "A outra alternativa que me deram foi esperar três meses que depois eles iam retirar uma amostra dos meus pelos íntimos. Me senti constrangida e minha única saída foi fazer no cabelo mesmo", lamentou a Marilene.

    O laboratório onde Marilene fez o exame é credenciado pelo Denatran-AM. O responsável pelo estabelecimento, que preferiu se identificar apenas como Denílson, afirmou que todos os procedimentos adotados pelo clínica estão de acordo com a legislação de trânsito.

    "Nós só fazemos o que a lei manda. A amostra tem que ser de cabelo porque as substâncias proibidas ficam mais tempo armazenadas nos pelos do que no sangue. Quando o paciente não tem muitos pelos nos braços e nas pernas costumamos extrair da cabeça mesmo, como prevê a legislação", alegou Denílson.

    Tudo foi encarado com muita naturalidade pelo Laboratório, que foi informado que Marilene pretende entrar na justiça com uma ação por danos.

    "Temos todas as licenças para funcionar e todos os clientes são informados sobre os procedimentos que adotamos. Temos também todos os documentos que comprovam que os clientes concordaram com os métodos", assegurou o responsável.

    Procurado pela reportagem, o Detran-AM informou que a responsabilidade pelos exames e pelo modo como eles são feitos é das clínicas credenciadas. Quem regula a atividade dos laboratórios e define os parâmetros dos testes é o Denatran.

    O exame é exigido desde 2015 para adicionar ou renovar a CNH para as categorias C, D e E. O objetivo do medida é identificar o uso de substâncias proibidas e oferecer segurança aos motoristas.

    Podem ser detectadas Cocaína, maconha, ecstasy, entre outras drogas que o motorista tenha consumido em até um mês. Curiosamente, Raspas de unhas também são aceitas como amostras. De acordo com Marilene essa opção nunca foi mencionada pelo laboratório.

    Gabriel Costa
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