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    ‘Taxistas’ fazem ameaças a motoristas de aplicativos em Manaus

    Uber e Yet GO são aplicativos de celular para solicitar viagens rápidas e confiáveis em apenas alguns minutos. Não é preciso estacionar nem esperar táxi ou ônibus. Basta um toque para solicitar uma viagem. O pagamento é fácil e rápido com cartão de crédito

    Um grupo de supostos taxistas que tiveram acesso aos cadastros dos motoristas dos aplicativo Yet GO e Uber ameaçaram, por meio de mensagem, perseguir, quebrar e atear fogo nos veículos dos concorrentes, caso o novo sistema de transporte de passageiros em carros particulares dê certo em Manaus. O caso será levado para delegados da Polícia Civil nesta semana.

    Após se cadastrarem como motoristas dos aplicativos, “taxistas” conseguiram se infiltrar nos grupos de gerenciamento do Yet Go para ameaçar, por meio de mensagem de texto e de áudio, os prestadores de serviço do novo sistema. O conteúdo, enviado com exclusividade para o EM TEMPO, mostra claramente a revolta dos permissionários que estariam se passando ainda por servidores da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), no intuito de intimidar os autônomos.

    “Eles ficaram sabendo das nossas estratégias de trabalho após se infiltrarem no grupo de suporte do Yet GO. Os taxistas também estão se cadastrando como passageiros para ter acesso ao modelo do nosso carro e da nossa placa. Com essas informações, eles conseguem nos monitorar. Os permissionários falaram ainda no grupo do aplicativo que se a gente não desistir dessa ideia, eles vão dar fim nos nossos carros. Alguns se dizem agentes da SMTU e ameaçam apreender nossos veículos se nos pegarem com passageiros”, comentou um motorista do Yet Go que pediu para não ter o nome divulgado.

    Motoristas do Yet GO e Uber fizeram denúncia ao EM TEMPO

    Além disso, os “taxistas” estão se apropriando das corridas do Yet GO, após ter ciência do pedido, que é repassado no grupo do aplicativo. Os permissionários estariam se comunicando entre si para chegar primeiro ao passageiro. O denunciante que foi perseguido por três taxistas durante uma corrida realizada na última segunda-feira (20) afirmou que a situação se torna mais grave porque alguns integrantes desse grupo de taxistas estariam se apresentando com os nomes dos motoristas do Yet Go para aplicar golpes. Isso seria uma das formas de incentivar os clientes a desistirem de usar o aplicativo. Esse caso será registrado em um Distrito Integrado de Polícia (DIP) da capital, para que as constantes ameaças sejam investigadas.

    “Ao chegarem até o nosso passageiro, eles se apresentam com o nosso nome, levam o cliente até o destino e depois dizem que estão fazendo a corrida por fora e cobram um valor bem acima da nossa tabela, tudo para nos prejudicar, pois não podemos fazer corrida por conta própria sem avisar à gerência. Fui pegar uma cliente em um hotel no Centro e antes de chegar no local marcado, três taxistas começaram a me seguir e me fecharam. Nesse momento acelerei e só consegui escapar deles na Torquato Tapajós”, relatou uma das vítimas dos taxistas.

    O coordenador do Uber Manaus, Marcelo Vallem, recebeu com preocupação a informação da ameaça feita pelos taxistas. Segundo Vallem, no último dia 13, quando ocorreu uma manifestação da classe em frente à Câmara Municipal de Manaus (CMM), os permissionários teriam ameaçado verbalmente os representantes do Uber, mas a intimidação não foi considerada, uma vez que os taxistas estavam exaltados devido à implantação do aplicativo em Manaus.

    Vallem informou que a implantação do Uber, já usado em outras capitais brasileiras, ainda está sendo avaliada em Manaus. Na ocasião, o coordenador disse que esse assunto vem sendo articulado com taxistas e vereadores para que a instalação do sistema ocorra da melhor forma possível.

    “Fomos pegos de surpresa com esse tipo de ameaça e isso nos causa uma certa preocupação em relação aos possíveis motoristas da Uber. Recebemos algumas ameaças verbais na CMM, mas não levamos ao conhecimento das autoridades porque achávamos que isso não iria para frente”, salientou.

    O presidente do Sindicato dos Taxistas de Manaus (Sintax), Luís Augusto, afirmou não ter conhecimento da ação desse grupo de taxistas e disse que irá apurar o caso.

    A SMTU explicou que a atitude dos “taxistas” que se passaram por agentes do órgão se caracteriza como falsidade ideológica. A denúncia precisa ser formalizada para verificar as providências cabíveis.

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