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    Dia A Dia


    Projetos sociais ajudam crianças em Itacoatiara

    Projeto ‘Xô, Pedofilia!’, desenvolvido há 15 anos, já conseguiu um número impressionante na redução de casos - Divulgação

    Amparadas por projetos sociais desenvolvidos por pessoas que ajudam sem esperar recompensas, crianças do município de Itacoatiara (a 170 quilômetros de Manaus) ganham a oportunidade de um novo recomeço, por meio da medicina natural e por ações de combate a crimes sexuais contra menores de idade.

    Das salas de aulas para as ruas das comunidades do município, o projeto “Xô, Pedofilia!”, desenvolvido há 15 anos pela professora Maria José Fernandes, conhecida na cidade como “Zezinha”, já conseguiu número impressionante na redução de casos de abusos sexuais contra crianças. Trabalhando a parte da prevenção por meio de palestras, ministradas por professores e conselheiros tutelares, hoje o “Xô, Pedofilia!” é o único projeto entre os municípios do Amazonas que aborda o assunto, afirma “Zezinha”.

    “Todo mundo se voltava para o Dia das Crianças, apenas direcionando os esforços para as festinhas. Daí surgiu uma ideia de levar esse debate na data comemorativa. Realizando palestras nas escolas, nas comunidades, nos parques, onde houver crianças. Nas ações, realizamos a doação de brinquedos, justamente para impedir que o abusador atraia a vítima usando esse tipo de mecanismo, que por sinal é muito comum. Usamos sempre a criatividade para levar a informação da melhor maneira possível. O “Xô, Pedofilia!” surgiu dentro de uma escola pública e depois disso levamos o projeto ao resto do município. Hoje, abrange todas as comunidades de Itacoatiara”, disse.

    “Zezinha” explica que essa campanha acontece sempre no mês de outubro, período dedicado às crianças, sendo que neste ano, excepcionalmente, o projeto terá início ainda em setembro, para que o assunto seja debatido no Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani), com o objetivo de inibir abusos sexuais a menores de idade no evento.

    Mesmo com resultados aparecendo logo nas primeiras edições, quando o número de denúncias aumentou e os casos de abuso contra criança reduziram, a coordenadora destacou que atualmente a grande dificuldade da Associação Beneficente Lápis de Cor, que abriga os projetos “Xô, Pedofilia!”, “Desarmamento Infantil” e o “Busca e Ajuda”, que trabalham a autoestima e a motivação da criança, é a questão da impunidade e do apoio às vítimas.

    “Não temos o poder de polícia, por isso alguns casos ainda estão impunes. Mas o importante é que quando começamos a falar sobre isso as denúncias aparecem. É bom chamar a atenção da população para a pedofilia. Temos vários parceiros e isso contribui no acesso às escolas”, relatou.

    A professora disse que hoje o assunto ainda continua sendo um tabu em algumas famílias, justamente por envolver o sexo. Essa questão contribui para que o criminoso se aproxime das crianças, aproveitando o desconhecimento dos menores em relação ao abuso.

    “Durante as nossas ações, descobrimos só pelos desenhos das crianças quem é abusado ou não. Uma imagem fala mais que mil palavras e é o reflexo do ambiente ou da situação em que a criança vive. Mesmo com todos esses desafios, que não são poucos, o nosso trabalho é bonito e muito gratificante”, destacou.

    Estatística

    De acordo com estatísticas reveladas pelo Comitê Estadual de Enfrentamento ao Abuso e à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes no Amazonas (Cevesca), em 88% das violências sexuais infantis praticadas no lar o agressor faz parte do círculo de convivência da criança. Os dados informam que quatro a cada dez crianças vítimas de abuso sexual foram agredidas pelo próprio pai e três pelo padrasto. O tio é o terceiro agressor mais comum, seguido de vizinhos.

    A cura por meio das mãos

    Levando a cura por meio das mãos, o massoterapeuta Kinkas Alencar desenvolve um projeto social, criado há mais de 16 anos, que já fez paralítico andar. Alencar revela que é movido por um desejo de ajudar ao próximo, que surgiu logo após um acidente que quase amputou a sua perna. Hoje a sua vida gira em torno da recuperação dos enfermos.

    Especialista em terapia manual, Kinkas foca seu trabalho na parte física, emocional e espiritual das crianças.
    Ele ressalta que desenvolve suas atividades apenas com remédios naturais e com o poder das mãos. O trabalho é considerado amplo e muito vasto, que envolve ainda fitoterapia, massoterapia, quiropraxia e acupuntura.

    “Quando se trata de crianças, nós temos que trabalhar sendo crianças, para elas entenderem que é uma brincadeira e não um tratamento. Esse trabalho é tão maravilhoso e considero a realização de um sonho. Todo esse projeto que eu faço há mais de 25 anos no lado social ajuda a retirar crianças das ruas, da prostituição e das drogas. Eu já tive tudo e perdi tudo, e conheço os dois lados da moeda, isso é um combustível para que eu nunca pare de ajudar o próximo sem pedir nada em troca”.

    Kinkas conta que muitas pessoas já foram curadas com a medicina natural utilizada por ele, crianças essas que apresentavam algum tipo de deficiência provocada logo após o parto. Um dos procedimentos mais utilizados por ele é o “macaru”, exercício milenar muito praticado por massoterapia.

    “Uso uma calça como se fosse um suporte, para elevar a criança. Esse exercício estimula o cérebro da criança, fazendo com que ela ande. Até me emociono quando lembro que esse simples processo tirou da cama, crianças que já tinham sidas desenganadas por médicos”, disse Kinkas Alencar. O maior desafio dele é de se sustentar e dar continuidade a seu projeto.

    Gerson Freitas
    EM TEMPO