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    Museu do Porto, história castigada pelo abandono

    Na área do museu, garrafas de vidro e outros recipientes jogados pelos moradores de rua e usuários de entorpecentes contribuem para a proliferação do mosquito Aedes aegypti – Janailton Falcão

    Há mais de 17 anos com as portas fechadas, o Museu do Porto de Manaus, localizado na rua Vivaldo Lima, Centro, não consegue mais esconder as marcas de destruição, abandono e dos maus-tratos. Castigado pela ação do tempo e de vândalos, hoje o prédio vem servindo apenas como abrigo para moradores de rua e, principalmente, para usuários de drogas.

    No primeiro contato visual com a edificação, construída por ingleses no século 20, já é possível ver janelas e vidros quebrados, parte das paredes que foram erguidas com características medievais pinchadas e muito lixo. Uma das maiores peças do museu do porto, que já encantou milhares de pessoas, encontra-se estacionado no pátio, sofrendo com deterioração das peças. A parte da frente do trem, cenário principal dos registros dos visitantes, atualmente vem sendo escondido pelo mato.

    Além disso, no terreno do museu, garrafas de vidro e outros recipientes jogados pelos moradores de rua e usuários de entorpecentes contribuem para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Já no salão principal do centro de artes, peças do acervo que até o fechamento do prédio para visitação somavam 300 objetos que contam a história do porto de Manaus, da navegação e do comércio no período áureo da borracha, também estão em processo de degradação, devido a fatores relacionados ao clima
    e manutenção.

    Pela fechadura da porta é possível observar que a sujeira acumulada por anos tirou o brilho e a cor das peças. Também pode-se notar que o mobiliário feito com madeiras nobres, esquecido pelos cantos do museu, deixará de fazer parte de uma história iniciada 1981, quando foi fundado o espaço cultural.

    Populares que passam diariamente na frente do museu lamentam o abandono e acusam o poder público de desvalorização da arte, da cultura e de parte da história do Amazonas. “Um lugar tão rico em história, em arquitetura, vem se perdendo no tempo. É triste ver o descaso e a falta de interesse dos governantes em manter vivo esse museu. Ele retrata algumas páginas do álbum de nascimento da nossa cultura. É preciso que algo seja feito antes que tudo isso vire apenas ruínas, pó sobre pó, pois o prédio virou um lugar perigoso e salubre, administrado agora pelos marginais”, disse a autônoma Laura Monteiro, que presta serviço próximo ao museu.

    Gerson Freitas
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