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    Secretário de segurança anuncia uso do 'botão do pânico' para coibir assaltos em ônibus

    Entre as medidas está o uso do botão do pânico anunciada por Sérgio Fontes na reunião - Fotos: Arthur Castro

    Após o aumento de assaltos nos transportes coletivos e especiais de Manaus, o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, informou que vai buscar alternativas para inibir os roubos nos ônibus e micro-ônibus. Entre as medidas está o uso do botão do pânico, dispositivo eletrônico que permite que os motoristas acionem a polícia durante a ocorrência.

    A medida foi sugerida na tarde desta quinta-feira (9), durante reunião entre a cúpula da Secretaria de Segurança Pública e os representantes das empresas de transporte público, alternativos e especiais, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), localizado na avenida André Araújo, bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul da cidade.

    Conforme Sérgio Fontes, além das operações que a SSP já vem realizando, a alternativa do botão do pânico é uma das melhores opções no momento.

    "O botão já está operando de forma experimental no transporte especial, duas empresas já adotaram. Eu imagino que essa é uma das opções que podemos fazer. Vamos associar o acionamento do botão com a identificação da viatura mais próxima da ocorrência e o acompanhamento do atendimento, ou seja, a pessoa vai acionar a viatura e vai poder ver se ela está indo para caminho certo. Alguns podem questionar que algumas empresas já oferecem esse serviço, mas com a gente vai ser diferente. Aquela demora da empresa ser acionada e acionar o 190, com o projeto que temos, isso não vai mais acontecer. O acionamento será feito direto para o Ciops”, falou o secretário.

    Durante a reunião, o secretário voltou a falar sobre o pagamento em dinheiro nos ônibus

    O secretário também falou que seria possível fazer operações diárias nos coletivos para inibir a onda de assaltos. Entretanto, outras áreas da cidade ficariam sem policiamento, portanto, vulneráveis aos bandidos.

    “Nós entendemos todas as reivindicações da categoria. Essas categorias de transporte urbano, especial e alternativos são muitos vulneráveis porque tem dinheiro em espécie e estão espelhadas pela cidade em todos os horários. Entretanto, não podemos só focar em ações repreensivas do coletivo, o comercio também precisa, faculdades, por isso estamos trabalhando em ações estruturantes. Estamos aliando a tecnologia ao trabalho policial para que a gente possa dar uma solução definitiva para o caso. Operações policiais não são definitivas, precisamos de algo mais eficaz. É um assalto tão simples e tão difícil de coibir”, disse.

    Sérgio Fontes voltou a falar sobre a questão do pagamento das passagens em dinheiro.

    “Enquanto houver dinheiro em espécie disponível, o transporte será algo como um caixa eletrônico para os criminosos. Mas sobre isso, precisamos de diálogos, os rodoviários e os demais representantes têm que participar das reuniões”, salientou.

    Outra questão que está sendo estudada pela SSP é a implantação de câmeras de segurança em locais com maior incidência de roubos.

    Vários assaltos são registrados diariamente segundo o Sinetram - Luís Henrique Oliveira

    “Vamos fazer um levantamento de todas as paradas onde ocorrem mais assaltos e vamos colocar câmeras de segurança para monitorar esses locais. Com isso, pretendemos diminuir os roubos também nas paradas de ônibus”, falou Fontes.

    Para o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Manaus (STTR), Élcio Campos, a medida mais eficaz para acabar com os assaltos seria a realização de blitz nos coletivos todos os dias. Ele criticou o uso do botão do pânico.

    “A nossa reivindicação é mais segurança para o transporte coletivo. A onda de assalto em Manaus tem aumentado anualmente. Só nesses primeiros meses deste ano já ocorreram mais 500 assaltos e, inclusive, alguns com vítimas fatais. Queremos uma parceria com a secretaria de segurança para realizar blitz diárias nos coletivos. A nova medida de usar o botão do pânico pode ser boa para as rotas especiais, já que no Distrito, por exemplo, os assaltantes ficam do lado de fora dos ônibus. Porém, nos coletivos eles ficam dentro aguardando uma oportunidade para anunciar o assalto. Então é perigoso para motorista acionar o botão”, disse o secretário do sindicato dos rodoviários, acrescentando que a greve, que estava programada para esta sexta-feira (10), foi cancelada.

    “Estamos abertos ao diálogo. Então, não temos motivo para paralisação. Não vai ter greve”, afirmou.

    O representante dos alternativos, Vinicius José Araújo, reclamou sobre o não atendimento nas delegacias de Manaus, que se negam a registrar ocorrências de outras zonas.

    Em um dos casos, o suspeito foi agredido pelos passageiros - Luís Henrique Oliveira

    “Acontece uma coisa na área da Zona Norte e, quando chegamos na delegacia da Zona Leste, o policial diz que a ocorrência não é de competência daquela área. Muitas das vezes conseguimos prender os suspeitos e quando chegamos para entregá-lo, os policiais não aceitam, pois, o fato não ocorreu naquela zona. É complicado essa situação, mas acredito que a gente vai resolver isso. Todos dias ocorrem assaltos nos alternativos. É uma média de 8 a 10 assaltos por dia”, falou.

    Sobre a questão, o secretário disse que o sistema de segurança já está tomando as providências necessárias para resolver o caso.

    “O delegado geral já está tomando providências em relação a isso. É inadmissível fazer o cidadão ficar pulando de delegacia em delegacia, porque as ocorrências não aconteceram na área do DIP. As medidas serão tomadas para que toadas as delegacias recebem flagrantes de todas as zonas”, concluiu.

    Na noite desta quinta-feira (9) será realizada a operação "Catraca" em áreas com maiores ocorrências de assaltos aos ônibus do transporte coletivo em Manaus.

    Mara Magalhães
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