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    Cresce número de mortes em acidentes de trabalho no AM

    Um serviço de drenagem em um empreendimento imobiliário na Torquato Tapajós resultou na morte de um operário em abril de 2016 - Ione Moreno

    Uma das grandes preocupações atuais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é a quantidade de vítimas de acidentes de trabalho. A cada ano que passa, as ocorrências nutrem ainda mais os registros de vítimas, muitas vezes fatais. Entre os anos de 2013 e 2016, Manaus contabilizou 146 óbitos por acidente de trabalho, grande parte relacionada a doenças ocupacionais, segundo o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

    Entretanto, somando as 51 mortes em acidentes ocorridos, no mesmo período, em obras na capital, o número de vítimas fatais chega a quase 200. Neste mesmo período, foram registrados mais de 2 mil trabalhadores acidentados em obras na cidade de Manaus.

    O levantamento foi feito pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Amazonas (Sintracomec). De janeiro a 9 de dezembro do ano passado, foram 10 mortes em Manaus. Três a mais que no ano anterior, quando foram registradas 7 mortes nos canteiros de obra. Em 2011 foram registradas 21 e em 2012 foram 7 mortes.

    A médica do trabalho e auditora do trabalho aposentada, Glaucia Reis Criedie, acredita que deveriam ser realizadas ações efetivas relacionadas aos acidentes de trabalho. “Precisamos aumentar a fiscalização e as sansões penais. Hoje, um empresário paga uma multa de baixo valor. Para o trabalhador, seriam necessários informativos, campanhas de conscientização”, opinou.

    Rosilane ainda comentou que ficou de licença médica por dois meses antes de ser demitida - Janailton Falcão

    Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), José Bernardes Sobrinho, é importante ressaltar o movimento, assim como a presença do médico do trabalho nas empresas. “É de suma importância que haja um médico do trabalho na empresa e que os empresários zelem pela saúde de seus funcionários. Os trabalhadores por sua vez devem fazer exames de rotina regularmente”, disse.

    A ex-industriária Rosilane Santos de Souza, 42, sofre até hoje com doenças adquiridas no trabalho. Ela trabalhou em uma fábrica de aparelhos celulares durante oito anos e contraiu vários problemas de saúde por conta da atividade laboral. “Comecei com dores nas costas e pés, fui ao médico e estava com tendinite e hérnia de disco. Com o tempo, meus ombros e punhos começaram a apresentar fortes dores, foi quando adquiri artrose degenerativa no ombro esquerdo e síndrome do túnel do carpo nos punhos, quando a gente perde a força de segurar pequenos objetos com as mãos”, relatou.

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