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    Pesquisadora estimula a leitura ‘caçando’ bibliotecas

    A pesquisadora Soraia Magalhães já garimpou diversas bibliotecas pelo mundo e também no interior do Amazonas - Divulgação

    Aluta pelo fortalecimento das bibliotecas públicas começou em 2012, quando, ao lado de alguns amigos, a bibliotecária formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Soraia Magalhães, doutoranda no Programa de Doutorado en Formación en la Sociedad del Conocimiento, pela Universidade de Salamanca, na Espanha, deu início ao Movimento Abre Biblioteca, com objetivo de acelerar o processo de reabertura da Biblioteca Pública do Amazonas.

    No entanto, o trabalho de criar meios de favorecer a visibilidade desses espaços e fazer com que mais pessoas se interessassem por adentrar os ambientes e utilizar acervos e serviços apenas teve início com a criação do blog “Caçadores de Bibliotecas”, logo que a especialista percebeu durante o período que ministrava aulas para alunos do curso de biblioteconomia da Universidade Federal do Amazonas, que eram muito poucos os mesmos que conheciam uma biblioteca.

    De lá para cá, a bibliotecária tem realizado um trabalho longo e já possui em seu acervo de pesquisa um montante de quase 500 bibliotecas de diferentes tipos visitadas e fotografadas, dessas incluindo mais de 50% do Estado do Amazonas. “Tenho inclusive todas as 44 bibliotecas de todo o Sistema de Bibliotecas Públicas de Estocolmo e várias outras de cidades suecas. O uso da fotografia desde o princípio foi utilizado como forma de promover acesso visual, bem como gerar informações sobre serviços bibliotecários e atividades relacionadas à cultura informacional”, explica Soraia.

    Ao todo, ela já percorreu 20 países: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Finlândia, Itália, Inglaterra, Marrocos, México, Panamá, Portugal, Suécia, Peru, Venezuela, Uruguai. “Cada experiência de viagem abre novas visões sobre o modo de pensar as bibliotecas e a própria biblioteconomia. O que mais me chama a atenção nessas experiências são as possibilidades de observar serviços realizados e a constatação de que quando esses serviços existem há um público ávido por usufruir”, aponta. “Nas bibliotecas da Suécia, durante várias horas do dia é possível dispor de ações voltadas para atender todos os públicos, crianças, adolescentes, estrangeiros, idosos, enfim, todos, e com propostas que se abrem como oportunidades que vão além do livro impresso”, diz.

    A biblioteca do município de Codajás foi uma das visitadas pela pesquisadora

    Pesquisa no interior

    Mas um dos feitos de que Soraia Magalhães afirma ter tido muito orgulho e o qual considera significativo foi visitar mais de 50% do Estado do Amazonas, em busca de novas bibliotecas (lembrando que o Amazonas é o maior estado brasileiro). Segundo ela, embora seja difícil e duro afirmar, ainda são raros lugares no Amazonas que possuem de fato bibliotecas públicas. “Nos dias atuais não é mais possível conceber uma sala com algumas estantes de livros (alguns muito defasados) como biblioteca pública. Os lugares, na grande maioria, são exatamente depósitos de livros. Ambientes feios, sujos, desestimulantes”, afirma.

    Localidades percorridas

    Segundo o trabalho de pesquisa realizado por ela, a maioria das cidades visitadas não realiza serviços de empréstimos domiciliares tampouco computadores com acesso à internet. “Pode-se dizer que o acesso ao livro é mais difícil no interior, pois as novidades literárias não estão disponíveis nos acervos das bibliotecas públicas. Inclusive, a maioria das bibliotecas públicas não dispõe de livros infantis para estimular logo nos primeiros anos o interesse desse público pela leitura”, atesta a pesquisadora.

    Somente entre janeiro e março de 2017, Soraia percorreu 17 localidades amazônicas. Dessas, algumas eram retornos, para realização do comparativo de condições de como estavam em relação às condições que havia conhecido entre 2012 e 2013. “Visitei este ano Itacoatiara, São Sebastião do Uatumã, Urucurituba, Itapiranga, Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Tefé, Coari, Codajás, Anori, Manacapuru, Autazes, Nova Olinda do Norte e também por estar na região da tríplice fronteira, visitei as cidades de Letícia, na Colômbia e Santa Rosa e Islândia, no Peru”, enumera.

    Relação com os rios

    De acordo com ela, seus estudos refletem sobre as cidades do Amazonas, numa perspectiva voltada para conhecer as bibliotecas públicas ou outros equipamentos culturais do Estado. “Tenho uma ligação antiga com o Núcleo de Estudos e Pesquisas das Cidades da Amazônia Brasileira (Nepecab), do curso de geografia da Ufam, que me motiva desde 2011 a pensar sobre nosso povo e a relação das cidades com os rios e suas dinâmicas”, diz.

    A pesquisadora conta que a ideia inicial era gerar diagnósticos, hoje, bem mais que isso, é também indagar e refletir sobre as consequências da falta de acesso à informação e à cultura no ambiente das cidades amazônicas. “A meta agora é percorrer todo o Amazonas e transformar essa experiência em um livro sobre os equipamentos culturais encontrados”, conclui.
    Marcelo Guilherme
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