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    'A luta continua': marcha da resistência reúne 2 mil indígenas

    O ato, que fez parte da programação do Dia do Índio, teve uma hora de caminhada e fez uma parada na Aleam - Fotos: Michael Dantas

    Mais de 2 mil índios foram para as ruas de Manaus, no dia dedicado a eles, protestar contra as diversas propostas parlamentares que tramitam em Brasília e na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e ameaçam diretamente a manutenção da sua cultura e dos
    direitos já adquiridos.

    Os protestos de ontem estão associados ao movimento Resistência Indígena do Amazonas. A caminhada iniciou no espaço Kairós, no bairro da União, Zona Centro-Sul, de onde seguiu até a sede da Aleam, localizada na avenida Mario Ypiranga, na mesma zona da cidade.

    Durante o movimento, a comunidade indígena do Amazonas afirmou que não existem motivos para celebrar o Dia do Índio, comemorado ontem, principalmente no período em que as etnias sofrem fortes pressões para desistirem das demarcações em terras indígenas e vivenciam graves deficiências em áreas sociais como educação e saúde.

    De acordo com o presidente da Fundação Estadual do Índio (FEI), Raimundo Atroari, o movimento realizado ontem foi a forma encontrada para mostrar à sociedade, em geral, a verdadeira intenção dos índios neste momento. Ele ressaltou que a marcha é um tipo de resistência por tudo que eles acreditam e buscam para preservar as raízes. Como medida de fortalecimento das ações, no próximo mês, será criada a Associação do Parlamento Indígena do Amazonas, revelou o dirigente. “Atualmente, os índios enfrentam uma série de problemas e um deles é a questão da demarcação territorial. Nossos indígenas estão perdendo o seu espaço de sobrevivência. Áreas essas de onde tiram sua alimentação e seu sustento”, disse.

    O objetivo foi chamar a atenção do público para a preservação dos direitos dos povos indígenas

    Atroari destacou que, hoje, a maior preocupação dos indígenas é impedir que a PEC 215, que prevê a transferência da responsabilidade das demarcações de terras indígenas para o Legislativo, seja homologada. O esforço das lideranças é justamente para combater seu andamento.

    “Os atos de protestos não se encerram no Dia do Índio. Estamos programando para daqui a 15 dias realizarmos novas manifestações em Manaus. Essa proposta já foi aprovada na Câmara, em Brasília, mas não pode ser sancionada. Precisamos contar com o apoio dos 82 vereadores e um prefeito do Amazonas, todos indígenas, que estão a nosso favor e contra essas ameaças”, concluiu.

    Um dos coordenadores do Fórum de Educação e Sapude Indígena do Amazonas (Foreia), Yauara Kokama, disse que “a comunidade indígena não pode ser ferida de tal forma que ameaça
    a própria existência”.

    Gerson Freitas
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